segunda-feira, 30 de abril de 2012


Tenho o meu olhar preso em cada linha daquele caderno. Tem as folhas todas brancas para narrar, excepto a primeira. É um excerto de um texto diferente, solitário. Que se refere à solidão e que menciona a verdade. O olhar está cravado e parece não querer mover-se. Passo com os dedos por cima das letras e ainda as sinto húmidas. Lágrimas, reflicto. Concluo que não tenha sido escrita assim à tanto tempo. Então, leio-a em voz alta. Soa de uma forma estranha, no entanto, curiosa. A minha voz soletra cada palavra com tanta intensidade que, se existisse alguém para além de mim, naquele lugar, pensaria que estava possuída. Afasto todos os pensamentos paralelos aqueles vocábulos. Leio-a de novo em voz alta, e desta vez destaco uma palavra. Não sei porque o faço, mas está a preocupar-me. «Nada». Questiono-me. Como resposta, vem-me à cabeça outro vocábulo. «Amor». Desta vez, as palavras ficam-me presas nos ouvidos. Sussurram-me e batem à porta da minha pequena, mas ainda assim, doce alma. Percebo que esteve adormecida por uns breves instantes, mas que abre a porta com um sorriso que não descodifico se é verdadeiro ou não. Então, ela grita. Grita e fecha a porta, de súbito. 
Fecho o caderno e vou lá fora. Encontro um papel amachucado e abro-o com brusquidão.“Eu descobri do pior jeito, que nada é o que parece.” Os meus olhos não acreditam no que vêem e o meu coração muito menos. Era a mesma frase que estava presente naquele caderno de capa dura em que, eu, outrora, perdera o pensamento. 
Deixa-me conhecer-te. Cede apenas desta vez. Eu prometo não te desiludir. Prometo não deixar que chegues ao chão quando estiveres prestes a cair. Estou aqui, conhece-me. Não te peço mais nada.

domingo, 29 de abril de 2012


Deito-me na cama e deixo-me cair. Com a minha queda, o mundo desaba. Há gritos, há sensibilidade. Há nervosismo e espanto. Há guerra, há mortes. Palavras perigosas correm pelas ruas, mas quando chegam às rotundas perdem-se no meio da confusão. Há correrias. Observo pela janela o egoísmo, o interesse de todos. É incrível como as pessoas chegam a um ponto em que tornam todos invisíveis. Há fraqueza, derrota. Não arriscam, deixam-se perder, sem saberem se existem probabilidades de saírem libertos. Perde-se a harmonia, a paz, a solidariedade. E eu fico, somente, a visualizar todo aquele cenário de guerra, de destruição. Tento gritar, lutar, mas o meu corpo continua intacto, sem se mover. Tenho um nó enorme na garganta e não consigo respirar. Expiro e inspiro, mas os meus pulmões não respondem. O coração acelera. Há desorientação, perigo. 
Deixam-se de ouvir gritos. Abro os olhos e tenho a testa coberta de suor. Tenho o coração a bater a mil à hora. A guerra instalara-se. Não na Terra, mas no meu coração. E sabem? São poucos os sobreviventes. 

sábado, 28 de abril de 2012

Amor de primos, não é assim? Obrigada pelas gargalhadas. Estás a ficar tão grande.

Pensei em criar um mundo pequenino. Pequenino, mas melhor do que este em que estamos gravados. Em relação aos sobreviventes da vida, à natureza, ao amor. Pensei em pinta-lo metade de rosa, metade de azul, num tom em que ambos combinassem. Misturei com alegria, felicidade e mandei embora a dor. A tinta não se misturou por completo. Pequenos fragmentos criaram bolhinhas e apercebi-me que é impossível mandar, de todo, a dor embora. Por tanto, reduzi-a, minimizei-a. Decidi pregar um quadro na porta deste pequenino universo. «Dor aqui não, obrigada.», assim como as pessoas costumam meter nas portas do seu prédio, mas em relação à publicidade. Escrevi um livro, também, com as regras e com os deveres de um morador exemplar. Não pode existir qualquer tipo de mágoa, de rancor e de indignidade. Muitos dos que começaram a ler foram desistindo aos poucos e por isso decidi começar a narrar este pequenino texto com o adjectivo presente. Os que não desistiram inicialmente, opuseram-se à maioria dos deveres que, ao meu ver, eram e continuam a ser evidentes
Agora, poucos restamos. Sou eu e os anjos. E, oh, estou bem entregue a eles, não duvidem. Qualquer um de vocês é bem-vindo, também. Mandem-nos uma carta, não tenham receio. A morada é fácil: Rua da felicidade, porta do amor, nº infinito. 

sexta-feira, 27 de abril de 2012


Entre tantas casas, corre um rio. Olha para ele. Chamam-lhe rio do amor, vá se lá saber porquê. Os que mergulham nele dizem que ficam novos, com outra alma. E oh, eu não acredito. Só irei acreditar no dia em que me demonstrarem que, realmente, é verdade. É feito de uma receita italiana, composta por sorrisos doces, corações puros e almas infinitas. Mas, nem todos se afundam nele, não penses. São escolhidos por dedo, pelas almas de cada casal. E todos dizem que cada um deles parece um livro aberto, sempre com um ponto a acrescentar. 
Oh, eu gostava de ver alguns, por aí, a passearem de mãos dadas a partilharem o amor por cada esquina que passam. Para ver se existem diferenças entre eles, ou se são formados e unidos pelo mesmo sentimento. 
Entre tantas casas, corre um rio. Olha para ele. Agora, faz fisgas para que eu o posso vivenciar, brevemente. Afinal, existem milagres, não é assim?

quinta-feira, 26 de abril de 2012


A vida anda um bocadinho complicada, não anda, meu anjo? Responde-me. Não apenas para mim, mas para todos nós, não é? Quem tudo tem, tudo perde. Oh, no meu caso, não foi bem assim. Eu desejei-o, mas nunca o tive. Quanto mais lutava, mais caia. Os buracos estavam por toda a parte e o sorriso deixara de ser tão verdadeiro como outrora fora. O jardim da vida antes florido fora abatido e as amizades basearam-se na solidão. O pior de tudo são as noites em branco, a imagem dos dedos entrelaçados, a troca dos sorrisos. E como tudo parecia tão real ao meu ver e tão irónico no entender dos outros. «É feita de sonhos, onde tem a cabeça?», pensam eles. Mas, eu ignoro. Eu sei o que tu me transmites, o que queres que eu veja. E nunca desisti, como te prometi. Agora, tenho que admitir uma coisa: eu mereço uma resposta tua. Um sinal teu, pelo menos. Faz qualquer coisa, não me deixes desistir. Eu estou no limite, não aguento mais. Oh, anjo, ilumina-me o caminho, por favor. Cuida de mim, não me deixes cair.
O dia não podia ter corrido pior. Obrigada, amigo, mesmo.

quarta-feira, 25 de abril de 2012


Eu não sei o que escrever nem que letras irei utilizar. Anda tudo tão monótono, tão estranho, que nem parece vindo de mim. As palavras ganham vida, na minha alma, nos momentos mais inoportunos, isto é, quando não tenho sequer uma folha na mão. E quando quero escrever neste pequeno mundo parece que nada é bom o suficiente para publicar. Nada do que escrevo ou faço é bom o suficiente para ser vivido. E vocês entendem-me. Proferem-me palavras de apoio, mandam-me, por cada comentário, um bocadinho de força e é isso que me faz seguir em frente. E sabem? Muitos de vocês são mais fiéis e importantes do que muitos amigos que convivem comigo no dia-a-dia. Vocês, que nunca viram o meu aspecto físico, conhecem a minha alma de cor e sabem todas as minhas cicatrizes. Nunca me julgaram por isso nem nunca me atiraram nada a cara. E, oh, como vêm as palavras não andam no seu melhor, mas prometo-vos que irão voltar mais belas do que alguma vez escrevera. E, só para terminar, queria agradecer a todos vós por tudo, principalmente, pelas amizades aqui criadas. Que a felicidade esteja sempre convosco e, se não tiver, mandem-na vir pelo correio. Eu irei lá certificar-me e mostrar a todos que vocês merecem. 

terça-feira, 24 de abril de 2012


«How i could let myself let you go? Now the lesson's learned, I touched it and I was burned. Oh, i think you should know.»

segunda-feira, 23 de abril de 2012


Conheceram as palavras até estas se tornarem somente numa simples forma de comunicar com os outros. Conheceram a verdade até  à preferência do engano, do fingimento, da ignorância. Conheceram a pureza até começarem a tornar-se donos de todos aqueles que não estavam sobre governo. Conheceram a força até a vida lhes mostrar que, por vezes, é necessário desistir para seguir em frente. Conheceram o desconhecido até querem saber demais e se perderem no labirinto da existência. Conheceram as estrelas até estas se tornarem insignificantes ao ponto de serem invisíveis no céu. Conheceram a amizade até esta se tornar numa forma sintética de falsidade. Até ao momento em que conheceram o amor. Tentaram agarra-lo, fecha-lo numa garrafa e torna-lo eterno. Castigo é este se ter tornado falso, perigoso e, como muitos lhe chamam, mortivo.

domingo, 22 de abril de 2012


Peço-te que não me deixes, que não me abandones enquanto estou a naufragar nas ondas do alto mar do amor. E fecho os olhos com força para não perder a fé. A solidão preenche-me a alma, invade-me o coração e não há nada que mos faça abrir. O silêncio é o fogo que não se vê, mas que queima e magoa o coração. Oiço a minha própria respiração ofegante e tento concentrar-me para ouvir a dele. Não consigo escutar mais nada e tenho o pressentimento que o meu corpo intacto é o único que está naquele quarto. Os minutos são como horas a passar. E o maldito relógio prende-me a atenção pelo som que invade todos os ouvidos que presenciaram aquele espaço. Tento abrir os olhos a custo, mas algo me diz que ainda não posso. Os anjos cantam-me uma canção. Chamar-lhe-ia melancólica, ao invés de mensageira. E logo estes que me juraram nunca fazer sofrer. Abro os olhos com demasiada força, e olho em redor. Já não estás lá, como me sempre prometeste. Questiono-me para onde foste e porquê e obtenho logo uma resposta «Seguis-te o coração. E para ele, eu não era nenhum caminho.»
Não me digas que tens dores de olhos, tantas vezes, porque, oh, só me dá vontade de dizer que ando mal do meu coraçãozinho, também.

sábado, 21 de abril de 2012


Olho novamente para a imagem que predomina na parede daquela sala. Parece-me familiar, mas não consigo descobrir porquê. Observo o olhar longínquo que engana ao dar a entender que está a olhar para o flash e prevejo o momento em que foi tirado o retrato. Talvez, tenha sido num dia triste, onde o sol tivesse adormecido. Talvez, tenha sido numa noite, onde a lua brilha às almas que se apaixonam e que escurece aqueles que se magoam. Quem saberá?reflicto. As estrelas, calculo. Desvio o olhar,  mas não consigo ignorar por muito tempo. Observo um olhar frio, distante, falso. Um olhar vazio, escuro, entristecido. Pergunto-me o porquê de estar a dar tanta importância a uma simples moldura com um modesto retrato. Olho em volta e apercebo-me que não tenho nada em meu redor. Tenho um livro nas mãos onde tenho apontado os detalhes e, rigorosamente, mais nada. Procuro uma janela, um corredor, uma porta, pelo menos. Nem tão pouco encontro. Sento-me a um canto e volto, de novo, a perder o olhar naquela magnifica obra de arte. Fecho os olhos e, por breves segundos, vem-me um nome à cabeça. Abro-os, horrorizada, e percebo que, quem está naquele quadro, sou somente e apenas eu. 
Onde andam vocês, corações? Sinto falta de ler cada palavra que me escreviam. Voltem em breve, por favor.

sexta-feira, 20 de abril de 2012


O tempo passa e as coisas continuam intactas, quietas, a sofrer algumas mudanças, mas que nada mudam. O tempo passa e as pessoas vão e, poucas são aquelas que ficam. O tempo passa e as estrelas continuam brilhantes e o sol irradioso. As nuvens mudam de cor, todos os dias e, que inconstantes que elas são. O tempo passa e as pessoas crescem. A roupa deixa de lhes servir e a forma de pensar muda. Ou talvez, não mude, é conforme a situação e as pessoas em questão. O tempo passa e o gosto musical muda, as amizades perdem-se e o amor encontra-se. O tempo passa, de novo, o azul do céu passa a enublado, cinzento, escuro. O amor afunda-se, procura-se em cada canto e em cada esquina e a amizade dá a mão à harmonia da vida. O tempo passa e a vontade de viver torna-se cada vez menor, cada vez menos satisfatória. O tempo passa e as caras conhecidas também. Muda o gosto pela leitura e a forma de como se usa o cabelo. O tempo passa e as pessoas mudam com ele também, a cada passar de minuto, a cada forma de ver o mundo. O tempo muda e a forma de o ver, também. Digam-me agora: se o tempo muda, conforme a situação, para quê dar tanta importância a cada batalha que nos fere o coração?
Ela sorri e embora não tenha sido tão puro como aparentava ser nos seus sonhos é o suficiente para se tornar verdadeiro.

quinta-feira, 19 de abril de 2012


Dá-me a mão e não a largues. Agarra-a bem e fica com ela sempre, aconteça o que acontecer, que eu irei fazer o mesmo. Tens um sorriso lindo e não ligues ao que o meu irmão ou o meu pai te dizem. E, oh, eu sei que tu não ligas, mas que, por vezes, ficas a pensar nisso. E sabes, tu és tão forte que nunca mostras parte fraca. E eu quero ser como tu e como a avó quando for grande. Ninguém irá ver uma lágrima, mas irão ver olheiras. Não irei arranjar problemas, mas, quando eles se instalarem, irei lutar para que eles desapareçam. Vou educar os meus pequeninos da mesma forma que tu e vou dar-lhes tudo aquilo que me deste. Não falo de bens materiais, agora, mas esses nunca me faltaram, também. Falo de educação, do amor, da amizade entre família. Falo do respeito, da igualdade e da sinceridade entre todos nós. E sabes porquê? Porque nunca me mentiste em relação a nada e se o fizeste, foi para me proteger de todos os perigos que andam neste mundo tão cinzento, mas tão escondido num imenso cor-de-rosa. E tenho que te dizer que, quando digo que gosto muito de ti, é porque gosto mesmo. Gosto de todos os nomes que me chamas, dos beijinhos rechonchudos que me dás, dos abraços apertados e das sestas em conjunto. Gosto da cumplicidade quando estamos juntas e da amizade que criámos nestes longos anos. Gosto de ti e de todo o apoio que me dás. E,  és tu que me dás força quando esta anda desaparecida. Resta-me agradecer-te tudo o que sempre me deste e continuas a dar. És a melhor mami do mundo e nem sabes como eu gostava que fosses eterna.
As nuvens negras têm ocupado todo o céu, mas, hoje, até se têm aguentado. Assim, como a minha alma. Ambas têm estado melhores e, oh, como isso me deixa feliz.

quarta-feira, 18 de abril de 2012


Perco-me no interior da minha alma, dos meus pensamentos. Nas recordações antigas e das lembranças. Percorro ruas, estradas e oceanos. Passam-se filmes com tudo aquilo que se passara até hoje com o meu caminhar. Não falo das coisas boas, como é claro. Filmes com os fantasmas do passado, que agora, se juntam aos do presente. Tento abrandar o passo, mas estas somente me atacam durante um maior numero de tempo. Corro então, o mais rápido possível, mas cada vez são mais as recordações. Paro, repentinamente, e encontro uma alma parecida com a minha, negra e silenciosa. A porta está aberta e decido bater a ver se alguém responde. O silêncio consome aquela alma. Entro devagar e encontro-o de joelhos, com os punhos fechados e a chorar silenciosamente. Vê-se um oceano de lágrimas e um rio de dor. Aproximo-me dele, e percorro-lhe a face com os dedos. Sinto os meus dedos vibrarem com a dor nele. É então, nesse momento, que ele me pergunta se me sinto bem. Abro-lhe o coração e ele, perplexo, olha para as cicatrizes. Percorre-as com os dedos, também e posso até jurar que ele sentiu o mesmo que eu, um arrepio de dor. Fez-se tarde e ele leva-me lá fora. Pergunta-me se tenho pressa e respondo-lhe que não. Leva-me até a um banco negro, e as nossas almas tornam-se numa só, acabando por ficarem abraçadas uma à outra. E os nossos corpos? Ficaram somente sentados num banco de cor preto, igualmente à cor da nossa alma que anda perdida por aí, algures, quem sabe, no meio do nada. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012


Foste o único que me conseguiu mandar para baixo sem me dares sequer uma mão para me agarrar. E doeu tanto. Doeu tanto tentar reter as lágrimas e mesmo assim, estas escorrem-me pela a cara a baixo. E tu não tens nem um bocadinho de importância na minha vida, mas sabes de cor todos os pontos fracos. E para quê todos os empurrões para o lado escuro da vida? Só me estás a escurecer a alma e a magoar o coração. 
Não tenho mais forças, e acabo de cair num buraco escuro que, com o teu riso abafado, acabas por tapar. E eu estou a tentar gritar para que alguém possa ouvir, mas apercebo-me que são somente gritos mudos e que ninguém me pode vir ajudar. E sabes porquê? Porque estou a tentar fugir da tua maldade, mas esta está mesmo quase a apanhar-me. E bem, tu deves de te estar a rir cada vez mais. Só me resta pedir aos anjos para me salvarem deste maldito dia. E, oh, eu acredito que ainda vás cair na rede da tua própria maldade. E quando for a tua vez, eu não vou estar a sorrir. Vou estar apenas na primeira fila da plateia a bater palmas. Muitas delas de indiferença. Tudo aquilo que precisava agora.

domingo, 15 de abril de 2012


Aproximo-me da praia, e sento-me à beira-mar. Não está o calor abrasador que costuma estar. Não estão presentes as caras já conhecidas e só se vêm surfistas no alto mar. Sinto um arrepio na espinha, e aconchego-me mais na areia. Agarro-a numa mão e, oh, como gostava que ela permanecesse, sempre, com a mesma quantidade. Encontro uma pedra, e mando-a o mais longe possível. Não tenho força e acaba por ser apanhada por alguém. Aliás, não sei se embateu com esse alguém, porque tenho os olhos com lágrimas. «Dia dificil?», pergunta-me. Reflicto. «Tempos difíceis», acabo por responder. A conversa toma um rumo distante, diferente, que me aconchega. Não sei como nem porquê, encosto-me a ti, e consigo ver-te a esboçar um sorriso. Sorriu também e acabo por adormecer desta maneira que aprendera a desconhecer. Sinto-te a mexeres-me na mão e a entregares-me algo leve, mas com um peso que me abala o coração. Abro os olhos, devagar e o vazio preenche-se de mim. Estou em casa, no meu pequeno quarto de cor cinzento. Visualizo a minha mão e a surpresa invade-me a alma. Está fechada, a guardar algo. Abro-a devagar e tenho uma pequena concha ainda com pequeninos grãos de areia. Esboço, de novo, um sorriso, mas este diferencia-se do outro. Oh, como gostava de ter acordado e de ter comigo. Olho para o relógio e vejo um envelope em cima da mesa. Somente diz que, em breve, nos vamos encontrar num grande e leve sonho narrado numa folha de papel. 
A tua tristeza magoa-me o coração. As estrelas vão brilhar na tua direcção, tem fé.

sábado, 14 de abril de 2012


«Rapariga bonita, rosto jovem, sorriso sincero.» As palavras ecoavam como um verdadeiro vendaval numa noite de inverno. Como ela se tornou. Como ela se vê ao espelho e se caracteriza enquanto todos, somente, acenam com a cabeça e afirmam tudo o que é dito naquela sala. No que as pessoas se tornam, pensa ela. E, oh, como tem razão. É irónico perceber desta maneira todo o lado negro das pessoas. O lado feio que ninguém quer conhecer. O lado que magoa, que destrói. O lado discreto que ninguém vê, mas tão virado para a lua. O lado que mete medo, que arrasa o passado e que, raramente, vence o futuro. Olha para o espelho. Onde está o sorriso sincero que tanto falam? Desaparecido pelas longas ruas da cidade, reflecte. Talvez nunca tenha existido, será a resposta correcta. Mas mesmo assim, todos continuam afirmar o que é tão reclamado naquela sala. Rosto jovem? Com tantas olheiras e com tantos poros ensopados em lágrimas é chamado de jovem?  Irónico, continua a pensar. Deixa cair uma lágrima, e levanta o rosto: «Sempre pensei que, quando estivesse cercada de espelhos, vocês, pelo menos, dissessem a verdade. Mas, oh, que pessoas tão falsas que são. Oiçam bem uma coisa: não me caracterizem pelo que não sou. Rosto melancólico, sorriso falso e olhar perfurado, seria o suficiente para ser verdade.»

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Os dias não acalmam, são como um barco a naufragar. Não viram comuns, nem habituais, nem rotineiros.

quinta-feira, 12 de abril de 2012


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Sou como uma folha a vaguear pelos ares. Caí de uma árvore com idade suficiente para sobreviver. Vagueio pelos ares, bonita, composta e verde. Verde no sentido da harmonia, da resistência, da calma. E, como, hoje, sinto saudades de a ser. Tornei-me numa tonalidade acastanhada, escura, negra. Tornei-me fria e vou contra todos aqueles que se metem à minha frente quando não me deixam correr pelos ares à procura de outro ser para me compreender. Distanciei-me da minha criadora. E, já não sei dela. Poderá andar perdida, também, que eu não saberei. Quando chove, não mergulho no oceano. São pequenas lágrimas, o máximo que consigo fazer para demonstrar que não estou bem. Mas mesmo assim, ninguém entende. Muitas vezes até, em vez de me guardarem, pisam-me com toda a força e não consigo voltar ao normal. Fico com anomalias, problemas graves e muitas vezes, não me consigo concertar. Nunca ninguém tem piedade e já nem digo respeito. Mas o pior mesmo é quando alguém te mira, diz aos outros que vales a pena seres recolhida, mas no final, és deitada ao chão. E, oh, no final de contas, percebo que sou comparada com alguém. Com muitos de vocês até. Mas a cima de tudo, sou parecida com quem escreve, com quem chora e com quem se desilude. Hoje, sou negra, escura, acastanhada. Oh, no final de contas sou cada um de vocês a meter-me noutro papel se não o vosso, só não consigo mudar de figura por muito tempo. 

quarta-feira, 11 de abril de 2012


Gosto da simplicidade, da pureza e do brilho. Gosto de me perder nas linhas e de me encontrar nas palavras. Gosto do amargo e o doce, a mim, enjoa-me um bocado. Gosto que me digas a verdade e que não me escondas a mentira. Gosto da amizade, mas tenho medo do amor. Gosto da melancolia, mas odeio refugiar-me nela. Gosto da solidão, a quem passei a chamar de melhor amiga. Gosto de melodias caladas e de olhares que falam. Gosto do certo, mas um pouco de errado, também, nunca fez mal a ninguém. Gosto do escuro, mas um pouco de luz fica sempre bem. Gosto do silêncio, mas as palavras fazem-me companhia. Gosto de dedos entrelaçados, de abraços apertados e de beijos sentidos. Gosto que penses em mim, mas não consigo ter milhares de pessoas a falarem sobre mim. Gosto de ser diferente dentro do normal. E, oh, tu já devias de saber tudo isto de cor. De trás para a frente e da frente para trás. E sabes? Não gosto que não me entendas, quando não estás disposto a fazer algo para mudar isso.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Segue a minha alma, somente. Agarra-a e não a deixes ir.

segunda-feira, 9 de abril de 2012


Mergulho no oceano e tento vir ao de cima. O meu corpo leve passa agora a ser pesado e faz força para baixo, como nunca outrora fez. Tento gritar, mas esqueço-me que estou debaixo de água; ninguém me ouve. Começo a bater com os pés, mas as minhas pernas recusam. Arquejo com força e começam a formar-se bolhas que me penetram no nariz. Tenho uma pequena noção do tempo em que já estou debaixo de água, mas tento não desesperar. «15 segundos», como é possível? Bato os braços com força para formar espuma, mas não consigo ir ao de cima. Sinto algo a vir ao meu encontro e a entrelaçar os dedos nos meus. Segura-me na cintura e leva-me à superfície. Sussurra-me algo ao ouvido parecido com palavras de esperança invadidas com rancor. «Mudavas algo do "nosso" passado?», conheço a voz. Nego, porque não tinha ainda recuperado o folgo. Agarra-me na cabeça e manda-me para o fundo, de novo. Deixo-me estar lá, não luto mais. Perco as forças e deixo o oceano dominar-me por completo. Embato contra uma pedra. Consigo sentir que, pelo menos, esta não me vai virar as costas. Ainda tenho tempo. Ocupo-o somente a escrever o seguinte: "'Encontramo-nos no paraíso''. 
A minha alma está cinzenta com algumas pessoas e dei conta que tem razão. Não estou a conseguir suportar tanta falsidade e hipocrisia junta. Oh, por favor, enviem-me um saquinho com uma boa dose de paciência e de esperança. Estou mesmo a precisar. 

quinta-feira, 5 de abril de 2012


Deito a cabeça na almofada e perco os sentidos. Como hei-de explicar o que sinto? O meu corpo não responde e as pálpebras não se abrem.  Penso que tenha sido a força das lágrimas, mas, de imediato, a resposta vem ao de cima: impossível. Sabia como me sentia, mas ao mesmo tempo não sabia porque estava assim. Mesmo tendo perdido os sentidos, conseguia a ouvir na perfeição tudo o que estava a ser dito. «Não sabemos o que se passou com ela .. Andava tão bem.» As palavras ecoavam agora como um remoinho numa noite selvagem. Oh, ninguém sabia o porquê. A minha visão das coisas era simples: ninguém estava disposto a saber. Pessoas ocupadas com vida alheia para além da minha.
Tento abrir os olhos e vejo tudo enublado, com visão fraca. Tento abri-los novamente e, desta vez, consigo ver tudo bastante nítido. Respondo de imediato: «Estava a ver que não acordava. Sabem, os anjos quiseram-me mais tempo do que estava previsto. E, oh, como foram prestáveis.»

P.S.- Vou estar ausente durante uns dias, mas vou ver todas as vossas palavrinhas quando voltar. Boa pascoa para todos, corações.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Desculpa-me por ter pintado a tua alma de cinzento com os meus problemas. Oh, como gosto de ti.

terça-feira, 3 de abril de 2012


Ecoa na minha cabeça a mesma frase vezes sem conta. Sinto-me perdida, e acabo por deixar cair uma lágrima e, de seguida, outra. O que se passa comigo? Não estou em mim. As paredes sufocam-me e não consigo olhar para o exterior do quarto, através da janela. Olho em meu redor e noto que tenho roupa lavada e a cama feita. Consigo perceber que esteve lá alguém, mas, oh, não me consigo lembrar quem. Vejo um rosto familiar caminhar até a mim e a sussurrar-me qualquer coisa ao ouvido. «Volto ainda hoje para te buscar, prometo.». Reconheço a voz. Penso em perguntar um monte de coisas, mas o silêncio, de novo, foi mais forte. Deixo-me tombar. Tenho uma carta na mão, e consigo perceber que é composta apenas por quatro ou cinco frases, mas não a consigo ler. Vejo as letras turvas e não consigo sentir o verdadeiro sentido das palavras e o remoinho forte que provocavam no meu coração, como outrora. Sinto-me vazia e deixo cair, de novo, uma lágrima pelo canto do olho. 
Oiço vozes e limpo as lágrimas. Oh, como me sinto feliz. Ela voltou e cumpriu o que prometeu: trouxe os anjos para me ajudarem a acordar deste maldito pesadelo. 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

São demasiadas explicações para poucas conclusões, tenho dito. 

domingo, 1 de abril de 2012


Uma nuvem horrorosa anda a perseguir-me. Tão rápida que não me deixa descansar nem por um minuto. Está a custar tanto. Está tão cheia de falsidade, de mentiras e de desilusões. Tão cheia de pessoas falsas, hipócritas e interesseiras. Não paro de correr, e cada vez a sinto mais perto. Não consigo ver o final do caminho, parece que está longe. Tropeço em  todos os buracos que aparecem. Oh, que mal que isto me está a fazer. Estou sem fôlego, a pulsação está demasiado rápida. Passo por tanta gente conhecida e estas, apenas, me acenam como se não percebessem o que está a acontecer. Ou finjo muito bem, ou não querem mesmo saber de mim. Sigo em frente, não tenho outra opção. Está cada vez mais próxima, começo a desesperar. Vejo outro caminho distinto. Caminho o mais rápido possível, e tento desviar a atenção desta alma perigosa que anda atrás de mim. Penso melhor e volto para trás. Desisto. Deixo-me consumir. A dor é grande. Mas pior que a dor, é a desilusão. Essa sim, é infinita.