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sexta-feira, 4 de maio de 2012


O meu coração não é uma mola. Não é algo que pode ser quebrado, agarrado e alongado até ao fim. Ele não aguenta tanto. Em tempos, fora considerado um objecto infantil, mas partiu-se e, oh, o arranjo ainda saiu caro. Estou a paga-lo em prestações e tenho que admitir que não tem sido nada fácil. Ou demora demasiado ou é enganado pelo meio. Cuidam dele, mas seguidamente, desprezam-no. Chamam-lhe amor, eu chamo-lhe hipocrisia. Coisas distintas, mas tão idênticas, no pensamento dos outros, heim? Contudo, agora que já parecia superior a todos os que lhe querem mal, perdera-se. Não se despediu e, se bem o conheço, deve andar longe. Talvez, para os lados de Peniche, ou de Sintra. Ou, então, talvez tenha mudado de país e até mesmo de continente. Não importa. Por favor, se o encontrarem perdido na solidão a remexer pensamentos, entreguem-mo. Ficarei eternamente grata. Eu confio em vocês. E tenho a certeza que ele também. Mudou de localidade, mas continua com a mesma alma. Ele, sabem? O meu pequenino coração.

quarta-feira, 2 de maio de 2012


Sento-me e ajeito-me na cadeira. O meu corpo está dorido, não se desloca de imediato. Sou atropelada por um camião de perguntas e não consigo responder a nenhuma. O mundo voltou-me as costas, mas os sobreviventes tentam dar-me a mão. Tenho medo deles. A campainha toca e oiço-os. Querem entrar à força. Chamam pelo meu nome, mas, eu não quero ouvir ninguém. Baixo os braços e conto até 10. «Não desanimes, por favor.» pedem-me os anjos. Não quero nem posso desiludi-los, mas estou a tremer por todo o lado. O volume das vozes diminui e acaba por se tornar silencioso. Vou até à porta e fico à escuta. Agarro a maçaneta e sinto-a mover. Não fora eu, tenho a certeza. Abro a porta e encontro-o especado a olhar para mim. Reconheço-o rapidamente e ele dá-me a mão. Promete-me que não deixará, de novo, que o mundo me caia em cima. Os anjos avisam-me para ter cuidado, porque ninguém é merecedor de plena sinceridade. Eu oiço-os com atenção e sinto-me entre a espada e a parede. No entanto, abro-lhe a porta e convido-o a entrar. Sinal este que me deixa admirada: pela primeira vez, acredito em promessas. O mundo desilude-me e eu mudo. Ou estou mais tola, ou torno-me mais flexível. Acabo por optar pela primeira opção. Irónico, concluo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O dia não podia ter corrido pior. Obrigada, amigo, mesmo.

terça-feira, 24 de abril de 2012


«How i could let myself let you go? Now the lesson's learned, I touched it and I was burned. Oh, i think you should know.»

domingo, 22 de abril de 2012


Peço-te que não me deixes, que não me abandones enquanto estou a naufragar nas ondas do alto mar do amor. E fecho os olhos com força para não perder a fé. A solidão preenche-me a alma, invade-me o coração e não há nada que mos faça abrir. O silêncio é o fogo que não se vê, mas que queima e magoa o coração. Oiço a minha própria respiração ofegante e tento concentrar-me para ouvir a dele. Não consigo escutar mais nada e tenho o pressentimento que o meu corpo intacto é o único que está naquele quarto. Os minutos são como horas a passar. E o maldito relógio prende-me a atenção pelo som que invade todos os ouvidos que presenciaram aquele espaço. Tento abrir os olhos a custo, mas algo me diz que ainda não posso. Os anjos cantam-me uma canção. Chamar-lhe-ia melancólica, ao invés de mensageira. E logo estes que me juraram nunca fazer sofrer. Abro os olhos com demasiada força, e olho em redor. Já não estás lá, como me sempre prometeste. Questiono-me para onde foste e porquê e obtenho logo uma resposta «Seguis-te o coração. E para ele, eu não era nenhum caminho.»
Não me digas que tens dores de olhos, tantas vezes, porque, oh, só me dá vontade de dizer que ando mal do meu coraçãozinho, também.

quarta-feira, 18 de abril de 2012


Perco-me no interior da minha alma, dos meus pensamentos. Nas recordações antigas e das lembranças. Percorro ruas, estradas e oceanos. Passam-se filmes com tudo aquilo que se passara até hoje com o meu caminhar. Não falo das coisas boas, como é claro. Filmes com os fantasmas do passado, que agora, se juntam aos do presente. Tento abrandar o passo, mas estas somente me atacam durante um maior numero de tempo. Corro então, o mais rápido possível, mas cada vez são mais as recordações. Paro, repentinamente, e encontro uma alma parecida com a minha, negra e silenciosa. A porta está aberta e decido bater a ver se alguém responde. O silêncio consome aquela alma. Entro devagar e encontro-o de joelhos, com os punhos fechados e a chorar silenciosamente. Vê-se um oceano de lágrimas e um rio de dor. Aproximo-me dele, e percorro-lhe a face com os dedos. Sinto os meus dedos vibrarem com a dor nele. É então, nesse momento, que ele me pergunta se me sinto bem. Abro-lhe o coração e ele, perplexo, olha para as cicatrizes. Percorre-as com os dedos, também e posso até jurar que ele sentiu o mesmo que eu, um arrepio de dor. Fez-se tarde e ele leva-me lá fora. Pergunta-me se tenho pressa e respondo-lhe que não. Leva-me até a um banco negro, e as nossas almas tornam-se numa só, acabando por ficarem abraçadas uma à outra. E os nossos corpos? Ficaram somente sentados num banco de cor preto, igualmente à cor da nossa alma que anda perdida por aí, algures, quem sabe, no meio do nada. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012


Foste o único que me conseguiu mandar para baixo sem me dares sequer uma mão para me agarrar. E doeu tanto. Doeu tanto tentar reter as lágrimas e mesmo assim, estas escorrem-me pela a cara a baixo. E tu não tens nem um bocadinho de importância na minha vida, mas sabes de cor todos os pontos fracos. E para quê todos os empurrões para o lado escuro da vida? Só me estás a escurecer a alma e a magoar o coração. 
Não tenho mais forças, e acabo de cair num buraco escuro que, com o teu riso abafado, acabas por tapar. E eu estou a tentar gritar para que alguém possa ouvir, mas apercebo-me que são somente gritos mudos e que ninguém me pode vir ajudar. E sabes porquê? Porque estou a tentar fugir da tua maldade, mas esta está mesmo quase a apanhar-me. E bem, tu deves de te estar a rir cada vez mais. Só me resta pedir aos anjos para me salvarem deste maldito dia. E, oh, eu acredito que ainda vás cair na rede da tua própria maldade. E quando for a tua vez, eu não vou estar a sorrir. Vou estar apenas na primeira fila da plateia a bater palmas. Muitas delas de indiferença. Tudo aquilo que precisava agora.

domingo, 15 de abril de 2012

A tua tristeza magoa-me o coração. As estrelas vão brilhar na tua direcção, tem fé.

sábado, 14 de abril de 2012


«Rapariga bonita, rosto jovem, sorriso sincero.» As palavras ecoavam como um verdadeiro vendaval numa noite de inverno. Como ela se tornou. Como ela se vê ao espelho e se caracteriza enquanto todos, somente, acenam com a cabeça e afirmam tudo o que é dito naquela sala. No que as pessoas se tornam, pensa ela. E, oh, como tem razão. É irónico perceber desta maneira todo o lado negro das pessoas. O lado feio que ninguém quer conhecer. O lado que magoa, que destrói. O lado discreto que ninguém vê, mas tão virado para a lua. O lado que mete medo, que arrasa o passado e que, raramente, vence o futuro. Olha para o espelho. Onde está o sorriso sincero que tanto falam? Desaparecido pelas longas ruas da cidade, reflecte. Talvez nunca tenha existido, será a resposta correcta. Mas mesmo assim, todos continuam afirmar o que é tão reclamado naquela sala. Rosto jovem? Com tantas olheiras e com tantos poros ensopados em lágrimas é chamado de jovem?  Irónico, continua a pensar. Deixa cair uma lágrima, e levanta o rosto: «Sempre pensei que, quando estivesse cercada de espelhos, vocês, pelo menos, dissessem a verdade. Mas, oh, que pessoas tão falsas que são. Oiçam bem uma coisa: não me caracterizem pelo que não sou. Rosto melancólico, sorriso falso e olhar perfurado, seria o suficiente para ser verdade.»

quinta-feira, 12 de abril de 2012


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Sou como uma folha a vaguear pelos ares. Caí de uma árvore com idade suficiente para sobreviver. Vagueio pelos ares, bonita, composta e verde. Verde no sentido da harmonia, da resistência, da calma. E, como, hoje, sinto saudades de a ser. Tornei-me numa tonalidade acastanhada, escura, negra. Tornei-me fria e vou contra todos aqueles que se metem à minha frente quando não me deixam correr pelos ares à procura de outro ser para me compreender. Distanciei-me da minha criadora. E, já não sei dela. Poderá andar perdida, também, que eu não saberei. Quando chove, não mergulho no oceano. São pequenas lágrimas, o máximo que consigo fazer para demonstrar que não estou bem. Mas mesmo assim, ninguém entende. Muitas vezes até, em vez de me guardarem, pisam-me com toda a força e não consigo voltar ao normal. Fico com anomalias, problemas graves e muitas vezes, não me consigo concertar. Nunca ninguém tem piedade e já nem digo respeito. Mas o pior mesmo é quando alguém te mira, diz aos outros que vales a pena seres recolhida, mas no final, és deitada ao chão. E, oh, no final de contas, percebo que sou comparada com alguém. Com muitos de vocês até. Mas a cima de tudo, sou parecida com quem escreve, com quem chora e com quem se desilude. Hoje, sou negra, escura, acastanhada. Oh, no final de contas sou cada um de vocês a meter-me noutro papel se não o vosso, só não consigo mudar de figura por muito tempo. 

terça-feira, 10 de abril de 2012

Segue a minha alma, somente. Agarra-a e não a deixes ir.

segunda-feira, 9 de abril de 2012


Mergulho no oceano e tento vir ao de cima. O meu corpo leve passa agora a ser pesado e faz força para baixo, como nunca outrora fez. Tento gritar, mas esqueço-me que estou debaixo de água; ninguém me ouve. Começo a bater com os pés, mas as minhas pernas recusam. Arquejo com força e começam a formar-se bolhas que me penetram no nariz. Tenho uma pequena noção do tempo em que já estou debaixo de água, mas tento não desesperar. «15 segundos», como é possível? Bato os braços com força para formar espuma, mas não consigo ir ao de cima. Sinto algo a vir ao meu encontro e a entrelaçar os dedos nos meus. Segura-me na cintura e leva-me à superfície. Sussurra-me algo ao ouvido parecido com palavras de esperança invadidas com rancor. «Mudavas algo do "nosso" passado?», conheço a voz. Nego, porque não tinha ainda recuperado o folgo. Agarra-me na cabeça e manda-me para o fundo, de novo. Deixo-me estar lá, não luto mais. Perco as forças e deixo o oceano dominar-me por completo. Embato contra uma pedra. Consigo sentir que, pelo menos, esta não me vai virar as costas. Ainda tenho tempo. Ocupo-o somente a escrever o seguinte: "'Encontramo-nos no paraíso''. 

domingo, 1 de abril de 2012


Uma nuvem horrorosa anda a perseguir-me. Tão rápida que não me deixa descansar nem por um minuto. Está a custar tanto. Está tão cheia de falsidade, de mentiras e de desilusões. Tão cheia de pessoas falsas, hipócritas e interesseiras. Não paro de correr, e cada vez a sinto mais perto. Não consigo ver o final do caminho, parece que está longe. Tropeço em  todos os buracos que aparecem. Oh, que mal que isto me está a fazer. Estou sem fôlego, a pulsação está demasiado rápida. Passo por tanta gente conhecida e estas, apenas, me acenam como se não percebessem o que está a acontecer. Ou finjo muito bem, ou não querem mesmo saber de mim. Sigo em frente, não tenho outra opção. Está cada vez mais próxima, começo a desesperar. Vejo outro caminho distinto. Caminho o mais rápido possível, e tento desviar a atenção desta alma perigosa que anda atrás de mim. Penso melhor e volto para trás. Desisto. Deixo-me consumir. A dor é grande. Mas pior que a dor, é a desilusão. Essa sim, é infinita.