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domingo, 6 de maio de 2012

"When people get hurt, the only thing we can do is we can be there for each other, when we do fall down to pick each other up." 

quarta-feira, 2 de maio de 2012


Sento-me e ajeito-me na cadeira. O meu corpo está dorido, não se desloca de imediato. Sou atropelada por um camião de perguntas e não consigo responder a nenhuma. O mundo voltou-me as costas, mas os sobreviventes tentam dar-me a mão. Tenho medo deles. A campainha toca e oiço-os. Querem entrar à força. Chamam pelo meu nome, mas, eu não quero ouvir ninguém. Baixo os braços e conto até 10. «Não desanimes, por favor.» pedem-me os anjos. Não quero nem posso desiludi-los, mas estou a tremer por todo o lado. O volume das vozes diminui e acaba por se tornar silencioso. Vou até à porta e fico à escuta. Agarro a maçaneta e sinto-a mover. Não fora eu, tenho a certeza. Abro a porta e encontro-o especado a olhar para mim. Reconheço-o rapidamente e ele dá-me a mão. Promete-me que não deixará, de novo, que o mundo me caia em cima. Os anjos avisam-me para ter cuidado, porque ninguém é merecedor de plena sinceridade. Eu oiço-os com atenção e sinto-me entre a espada e a parede. No entanto, abro-lhe a porta e convido-o a entrar. Sinal este que me deixa admirada: pela primeira vez, acredito em promessas. O mundo desilude-me e eu mudo. Ou estou mais tola, ou torno-me mais flexível. Acabo por optar pela primeira opção. Irónico, concluo.

domingo, 29 de abril de 2012


Deito-me na cama e deixo-me cair. Com a minha queda, o mundo desaba. Há gritos, há sensibilidade. Há nervosismo e espanto. Há guerra, há mortes. Palavras perigosas correm pelas ruas, mas quando chegam às rotundas perdem-se no meio da confusão. Há correrias. Observo pela janela o egoísmo, o interesse de todos. É incrível como as pessoas chegam a um ponto em que tornam todos invisíveis. Há fraqueza, derrota. Não arriscam, deixam-se perder, sem saberem se existem probabilidades de saírem libertos. Perde-se a harmonia, a paz, a solidariedade. E eu fico, somente, a visualizar todo aquele cenário de guerra, de destruição. Tento gritar, lutar, mas o meu corpo continua intacto, sem se mover. Tenho um nó enorme na garganta e não consigo respirar. Expiro e inspiro, mas os meus pulmões não respondem. O coração acelera. Há desorientação, perigo. 
Deixam-se de ouvir gritos. Abro os olhos e tenho a testa coberta de suor. Tenho o coração a bater a mil à hora. A guerra instalara-se. Não na Terra, mas no meu coração. E sabem? São poucos os sobreviventes. 

segunda-feira, 23 de abril de 2012


Conheceram as palavras até estas se tornarem somente numa simples forma de comunicar com os outros. Conheceram a verdade até  à preferência do engano, do fingimento, da ignorância. Conheceram a pureza até começarem a tornar-se donos de todos aqueles que não estavam sobre governo. Conheceram a força até a vida lhes mostrar que, por vezes, é necessário desistir para seguir em frente. Conheceram o desconhecido até querem saber demais e se perderem no labirinto da existência. Conheceram as estrelas até estas se tornarem insignificantes ao ponto de serem invisíveis no céu. Conheceram a amizade até esta se tornar numa forma sintética de falsidade. Até ao momento em que conheceram o amor. Tentaram agarra-lo, fecha-lo numa garrafa e torna-lo eterno. Castigo é este se ter tornado falso, perigoso e, como muitos lhe chamam, mortivo.

quarta-feira, 18 de abril de 2012


Perco-me no interior da minha alma, dos meus pensamentos. Nas recordações antigas e das lembranças. Percorro ruas, estradas e oceanos. Passam-se filmes com tudo aquilo que se passara até hoje com o meu caminhar. Não falo das coisas boas, como é claro. Filmes com os fantasmas do passado, que agora, se juntam aos do presente. Tento abrandar o passo, mas estas somente me atacam durante um maior numero de tempo. Corro então, o mais rápido possível, mas cada vez são mais as recordações. Paro, repentinamente, e encontro uma alma parecida com a minha, negra e silenciosa. A porta está aberta e decido bater a ver se alguém responde. O silêncio consome aquela alma. Entro devagar e encontro-o de joelhos, com os punhos fechados e a chorar silenciosamente. Vê-se um oceano de lágrimas e um rio de dor. Aproximo-me dele, e percorro-lhe a face com os dedos. Sinto os meus dedos vibrarem com a dor nele. É então, nesse momento, que ele me pergunta se me sinto bem. Abro-lhe o coração e ele, perplexo, olha para as cicatrizes. Percorre-as com os dedos, também e posso até jurar que ele sentiu o mesmo que eu, um arrepio de dor. Fez-se tarde e ele leva-me lá fora. Pergunta-me se tenho pressa e respondo-lhe que não. Leva-me até a um banco negro, e as nossas almas tornam-se numa só, acabando por ficarem abraçadas uma à outra. E os nossos corpos? Ficaram somente sentados num banco de cor preto, igualmente à cor da nossa alma que anda perdida por aí, algures, quem sabe, no meio do nada. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012


Foste o único que me conseguiu mandar para baixo sem me dares sequer uma mão para me agarrar. E doeu tanto. Doeu tanto tentar reter as lágrimas e mesmo assim, estas escorrem-me pela a cara a baixo. E tu não tens nem um bocadinho de importância na minha vida, mas sabes de cor todos os pontos fracos. E para quê todos os empurrões para o lado escuro da vida? Só me estás a escurecer a alma e a magoar o coração. 
Não tenho mais forças, e acabo de cair num buraco escuro que, com o teu riso abafado, acabas por tapar. E eu estou a tentar gritar para que alguém possa ouvir, mas apercebo-me que são somente gritos mudos e que ninguém me pode vir ajudar. E sabes porquê? Porque estou a tentar fugir da tua maldade, mas esta está mesmo quase a apanhar-me. E bem, tu deves de te estar a rir cada vez mais. Só me resta pedir aos anjos para me salvarem deste maldito dia. E, oh, eu acredito que ainda vás cair na rede da tua própria maldade. E quando for a tua vez, eu não vou estar a sorrir. Vou estar apenas na primeira fila da plateia a bater palmas. Muitas delas de indiferença. Tudo aquilo que precisava agora.