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quinta-feira, 26 de julho de 2012



Balanço-me contra o tempo e faço-me notar presente. O reflexo no espelho não está intacto, como há muito me deparo para ver. O vento-me corta-me a respiração e balança-me os cabelos. Batem-me nos ombros, na cara, no rosto. Pareço distante e, na verdade, estou mesmo. Sinto a chuva a cair-me na nuca. Provo-a, como fazia há tempos com a água do mar, e em nada o sabor se compara. Tocam-me ao de leve nas costas. Sabem percorre-la, sabem completar-me. Beijam-me a orelha e abraçam-me com uma força imensa. Não sinto nada, nem um pouco de amor. Abraços como aqueles renegam-se à distância. 
Levanto-me com um salto e vou até ao outro lado da sala. Não há espelhos, não há ilusões. Cruzo as pernas  e deixo o corpo cair numa cadeira de baloiço. «When you try your best, but you don't succeed.», sussuro. Vejo-te à distância com os olhos brilhantes. «And i will try to fix you», também tu me cantas. Aqueces-me as mãos e beijas-me ao de leve. Um novo espelho aparece diante de nós. É o espelho do amor. 

domingo, 22 de abril de 2012


Peço-te que não me deixes, que não me abandones enquanto estou a naufragar nas ondas do alto mar do amor. E fecho os olhos com força para não perder a fé. A solidão preenche-me a alma, invade-me o coração e não há nada que mos faça abrir. O silêncio é o fogo que não se vê, mas que queima e magoa o coração. Oiço a minha própria respiração ofegante e tento concentrar-me para ouvir a dele. Não consigo escutar mais nada e tenho o pressentimento que o meu corpo intacto é o único que está naquele quarto. Os minutos são como horas a passar. E o maldito relógio prende-me a atenção pelo som que invade todos os ouvidos que presenciaram aquele espaço. Tento abrir os olhos a custo, mas algo me diz que ainda não posso. Os anjos cantam-me uma canção. Chamar-lhe-ia melancólica, ao invés de mensageira. E logo estes que me juraram nunca fazer sofrer. Abro os olhos com demasiada força, e olho em redor. Já não estás lá, como me sempre prometeste. Questiono-me para onde foste e porquê e obtenho logo uma resposta «Seguis-te o coração. E para ele, eu não era nenhum caminho.»

domingo, 15 de abril de 2012


Aproximo-me da praia, e sento-me à beira-mar. Não está o calor abrasador que costuma estar. Não estão presentes as caras já conhecidas e só se vêm surfistas no alto mar. Sinto um arrepio na espinha, e aconchego-me mais na areia. Agarro-a numa mão e, oh, como gostava que ela permanecesse, sempre, com a mesma quantidade. Encontro uma pedra, e mando-a o mais longe possível. Não tenho força e acaba por ser apanhada por alguém. Aliás, não sei se embateu com esse alguém, porque tenho os olhos com lágrimas. «Dia dificil?», pergunta-me. Reflicto. «Tempos difíceis», acabo por responder. A conversa toma um rumo distante, diferente, que me aconchega. Não sei como nem porquê, encosto-me a ti, e consigo ver-te a esboçar um sorriso. Sorriu também e acabo por adormecer desta maneira que aprendera a desconhecer. Sinto-te a mexeres-me na mão e a entregares-me algo leve, mas com um peso que me abala o coração. Abro os olhos, devagar e o vazio preenche-se de mim. Estou em casa, no meu pequeno quarto de cor cinzento. Visualizo a minha mão e a surpresa invade-me a alma. Está fechada, a guardar algo. Abro-a devagar e tenho uma pequena concha ainda com pequeninos grãos de areia. Esboço, de novo, um sorriso, mas este diferencia-se do outro. Oh, como gostava de ter acordado e de ter comigo. Olho para o relógio e vejo um envelope em cima da mesa. Somente diz que, em breve, nos vamos encontrar num grande e leve sonho narrado numa folha de papel. 

sábado, 14 de abril de 2012


«Rapariga bonita, rosto jovem, sorriso sincero.» As palavras ecoavam como um verdadeiro vendaval numa noite de inverno. Como ela se tornou. Como ela se vê ao espelho e se caracteriza enquanto todos, somente, acenam com a cabeça e afirmam tudo o que é dito naquela sala. No que as pessoas se tornam, pensa ela. E, oh, como tem razão. É irónico perceber desta maneira todo o lado negro das pessoas. O lado feio que ninguém quer conhecer. O lado que magoa, que destrói. O lado discreto que ninguém vê, mas tão virado para a lua. O lado que mete medo, que arrasa o passado e que, raramente, vence o futuro. Olha para o espelho. Onde está o sorriso sincero que tanto falam? Desaparecido pelas longas ruas da cidade, reflecte. Talvez nunca tenha existido, será a resposta correcta. Mas mesmo assim, todos continuam afirmar o que é tão reclamado naquela sala. Rosto jovem? Com tantas olheiras e com tantos poros ensopados em lágrimas é chamado de jovem?  Irónico, continua a pensar. Deixa cair uma lágrima, e levanta o rosto: «Sempre pensei que, quando estivesse cercada de espelhos, vocês, pelo menos, dissessem a verdade. Mas, oh, que pessoas tão falsas que são. Oiçam bem uma coisa: não me caracterizem pelo que não sou. Rosto melancólico, sorriso falso e olhar perfurado, seria o suficiente para ser verdade.»

segunda-feira, 9 de abril de 2012


Mergulho no oceano e tento vir ao de cima. O meu corpo leve passa agora a ser pesado e faz força para baixo, como nunca outrora fez. Tento gritar, mas esqueço-me que estou debaixo de água; ninguém me ouve. Começo a bater com os pés, mas as minhas pernas recusam. Arquejo com força e começam a formar-se bolhas que me penetram no nariz. Tenho uma pequena noção do tempo em que já estou debaixo de água, mas tento não desesperar. «15 segundos», como é possível? Bato os braços com força para formar espuma, mas não consigo ir ao de cima. Sinto algo a vir ao meu encontro e a entrelaçar os dedos nos meus. Segura-me na cintura e leva-me à superfície. Sussurra-me algo ao ouvido parecido com palavras de esperança invadidas com rancor. «Mudavas algo do "nosso" passado?», conheço a voz. Nego, porque não tinha ainda recuperado o folgo. Agarra-me na cabeça e manda-me para o fundo, de novo. Deixo-me estar lá, não luto mais. Perco as forças e deixo o oceano dominar-me por completo. Embato contra uma pedra. Consigo sentir que, pelo menos, esta não me vai virar as costas. Ainda tenho tempo. Ocupo-o somente a escrever o seguinte: "'Encontramo-nos no paraíso''. 

quinta-feira, 5 de abril de 2012


Deito a cabeça na almofada e perco os sentidos. Como hei-de explicar o que sinto? O meu corpo não responde e as pálpebras não se abrem.  Penso que tenha sido a força das lágrimas, mas, de imediato, a resposta vem ao de cima: impossível. Sabia como me sentia, mas ao mesmo tempo não sabia porque estava assim. Mesmo tendo perdido os sentidos, conseguia a ouvir na perfeição tudo o que estava a ser dito. «Não sabemos o que se passou com ela .. Andava tão bem.» As palavras ecoavam agora como um remoinho numa noite selvagem. Oh, ninguém sabia o porquê. A minha visão das coisas era simples: ninguém estava disposto a saber. Pessoas ocupadas com vida alheia para além da minha.
Tento abrir os olhos e vejo tudo enublado, com visão fraca. Tento abri-los novamente e, desta vez, consigo ver tudo bastante nítido. Respondo de imediato: «Estava a ver que não acordava. Sabem, os anjos quiseram-me mais tempo do que estava previsto. E, oh, como foram prestáveis.»

P.S.- Vou estar ausente durante uns dias, mas vou ver todas as vossas palavrinhas quando voltar. Boa pascoa para todos, corações.