Balanço-me contra o tempo e faço-me notar presente. O reflexo no espelho não está intacto, como há muito me deparo para ver. O vento-me corta-me a respiração e balança-me os cabelos. Batem-me nos ombros, na cara, no rosto. Pareço distante e, na verdade, estou mesmo. Sinto a chuva a cair-me na nuca. Provo-a, como fazia há tempos com a água do mar, e em nada o sabor se compara. Tocam-me ao de leve nas costas. Sabem percorre-la, sabem completar-me. Beijam-me a orelha e abraçam-me com uma força imensa. Não sinto nada, nem um pouco de amor. Abraços como aqueles renegam-se à distância.
Levanto-me com um salto e vou até ao outro lado da sala. Não há espelhos, não há ilusões. Cruzo as pernas e deixo o corpo cair numa cadeira de baloiço. «When you try your best, but you don't succeed.», sussuro. Vejo-te à distância com os olhos brilhantes. «And i will try to fix you», também tu me cantas. Aqueces-me as mãos e beijas-me ao de leve. Um novo espelho aparece diante de nós. É o espelho do amor.





