Apaguem as luzes que eu preciso de encontrar uma luz que me faça ver os factos. Rápido. Não finjam que se preocupam, porque eu sempre venci por minha conta. Sem auxilio de ninguém. Despachem-se. Fecho os olhos e sigo o instinto. Examino tudo com o tacto e com a mente. Derrubava tudo e feria-me bastante, e, no entanto, aprendi a sobreviver. No escuro, na solidão, no obscuro. E sentia medo, muito mesmo. Aprendi a sobreviver, não a ser cautelosa. E, apesar de tudo, nunca fui devorada. Sou consumida. Oh, se sou. Todos os dias. Pelos pensamentos. Pelas lembranças. Pelo o outro lado da linha. Eu faço parte do lado misterioso, do enigmático. Não conheço nada para além do escuro. Nunca vi a luz, mas já sei que é fenomenal. É o que dizem os misericordiosos que por aqui passam.
Apaguem a luz, por favor. Eles vêm aí e vão começar a fazer perguntas. Eles não me deixam dar com vocês, dizem que são muito inconvenientes. Eles, os estranhos que vivem comigo no dia-a-dia. Não me conhecem, mas costumam avisar-me do quão perigosos vocês são. Vocês, os humanos. Eu não tenho medo, mas não posso simplesmente ignorar o que eles me dizem. Oh, já é tarde, perdi a noção do tempo. Gostei de narrar para vós.




