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sábado, 5 de maio de 2012


Apaguem as luzes que eu preciso de encontrar uma luz que me faça ver os factos. Rápido. Não finjam que se preocupam, porque eu sempre venci por minha conta. Sem auxilio de ninguém. Despachem-se. Fecho os olhos e sigo o instinto. Examino tudo com o tacto e com a mente. Derrubava tudo e feria-me bastante, e, no entanto, aprendi a sobreviver. No escuro, na solidão, no obscuro. E sentia medo, muito mesmo. Aprendi a sobreviver, não a ser cautelosa. E, apesar de tudo, nunca fui devorada. Sou consumida. Oh, se sou. Todos os dias. Pelos pensamentos. Pelas lembranças. Pelo o outro lado da linha. Eu faço parte do lado misterioso, do enigmático. Não conheço nada para além do escuro. Nunca vi a luz, mas já sei que é fenomenal. É o que dizem os misericordiosos que por aqui passam.
Apaguem a luz, por favor. Eles vêm aí e vão começar a fazer perguntas. Eles não me deixam dar com vocês, dizem que são muito inconvenientes. Eles, os estranhos que vivem comigo no dia-a-dia. Não me conhecem, mas costumam avisar-me do quão perigosos vocês são. Vocês, os humanos. Eu não tenho medo, mas não posso simplesmente ignorar o que eles me dizem. Oh, já é tarde, perdi a noção do tempo. Gostei de narrar para vós. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012


Sento-me e ajeito-me na cadeira. O meu corpo está dorido, não se desloca de imediato. Sou atropelada por um camião de perguntas e não consigo responder a nenhuma. O mundo voltou-me as costas, mas os sobreviventes tentam dar-me a mão. Tenho medo deles. A campainha toca e oiço-os. Querem entrar à força. Chamam pelo meu nome, mas, eu não quero ouvir ninguém. Baixo os braços e conto até 10. «Não desanimes, por favor.» pedem-me os anjos. Não quero nem posso desiludi-los, mas estou a tremer por todo o lado. O volume das vozes diminui e acaba por se tornar silencioso. Vou até à porta e fico à escuta. Agarro a maçaneta e sinto-a mover. Não fora eu, tenho a certeza. Abro a porta e encontro-o especado a olhar para mim. Reconheço-o rapidamente e ele dá-me a mão. Promete-me que não deixará, de novo, que o mundo me caia em cima. Os anjos avisam-me para ter cuidado, porque ninguém é merecedor de plena sinceridade. Eu oiço-os com atenção e sinto-me entre a espada e a parede. No entanto, abro-lhe a porta e convido-o a entrar. Sinal este que me deixa admirada: pela primeira vez, acredito em promessas. O mundo desilude-me e eu mudo. Ou estou mais tola, ou torno-me mais flexível. Acabo por optar pela primeira opção. Irónico, concluo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012


A vida anda um bocadinho complicada, não anda, meu anjo? Responde-me. Não apenas para mim, mas para todos nós, não é? Quem tudo tem, tudo perde. Oh, no meu caso, não foi bem assim. Eu desejei-o, mas nunca o tive. Quanto mais lutava, mais caia. Os buracos estavam por toda a parte e o sorriso deixara de ser tão verdadeiro como outrora fora. O jardim da vida antes florido fora abatido e as amizades basearam-se na solidão. O pior de tudo são as noites em branco, a imagem dos dedos entrelaçados, a troca dos sorrisos. E como tudo parecia tão real ao meu ver e tão irónico no entender dos outros. «É feita de sonhos, onde tem a cabeça?», pensam eles. Mas, eu ignoro. Eu sei o que tu me transmites, o que queres que eu veja. E nunca desisti, como te prometi. Agora, tenho que admitir uma coisa: eu mereço uma resposta tua. Um sinal teu, pelo menos. Faz qualquer coisa, não me deixes desistir. Eu estou no limite, não aguento mais. Oh, anjo, ilumina-me o caminho, por favor. Cuida de mim, não me deixes cair.

quinta-feira, 5 de abril de 2012


Deito a cabeça na almofada e perco os sentidos. Como hei-de explicar o que sinto? O meu corpo não responde e as pálpebras não se abrem.  Penso que tenha sido a força das lágrimas, mas, de imediato, a resposta vem ao de cima: impossível. Sabia como me sentia, mas ao mesmo tempo não sabia porque estava assim. Mesmo tendo perdido os sentidos, conseguia a ouvir na perfeição tudo o que estava a ser dito. «Não sabemos o que se passou com ela .. Andava tão bem.» As palavras ecoavam agora como um remoinho numa noite selvagem. Oh, ninguém sabia o porquê. A minha visão das coisas era simples: ninguém estava disposto a saber. Pessoas ocupadas com vida alheia para além da minha.
Tento abrir os olhos e vejo tudo enublado, com visão fraca. Tento abri-los novamente e, desta vez, consigo ver tudo bastante nítido. Respondo de imediato: «Estava a ver que não acordava. Sabem, os anjos quiseram-me mais tempo do que estava previsto. E, oh, como foram prestáveis.»

P.S.- Vou estar ausente durante uns dias, mas vou ver todas as vossas palavrinhas quando voltar. Boa pascoa para todos, corações.

terça-feira, 3 de abril de 2012


Ecoa na minha cabeça a mesma frase vezes sem conta. Sinto-me perdida, e acabo por deixar cair uma lágrima e, de seguida, outra. O que se passa comigo? Não estou em mim. As paredes sufocam-me e não consigo olhar para o exterior do quarto, através da janela. Olho em meu redor e noto que tenho roupa lavada e a cama feita. Consigo perceber que esteve lá alguém, mas, oh, não me consigo lembrar quem. Vejo um rosto familiar caminhar até a mim e a sussurrar-me qualquer coisa ao ouvido. «Volto ainda hoje para te buscar, prometo.». Reconheço a voz. Penso em perguntar um monte de coisas, mas o silêncio, de novo, foi mais forte. Deixo-me tombar. Tenho uma carta na mão, e consigo perceber que é composta apenas por quatro ou cinco frases, mas não a consigo ler. Vejo as letras turvas e não consigo sentir o verdadeiro sentido das palavras e o remoinho forte que provocavam no meu coração, como outrora. Sinto-me vazia e deixo cair, de novo, uma lágrima pelo canto do olho. 
Oiço vozes e limpo as lágrimas. Oh, como me sinto feliz. Ela voltou e cumpriu o que prometeu: trouxe os anjos para me ajudarem a acordar deste maldito pesadelo.