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quarta-feira, 2 de maio de 2012


Sento-me e ajeito-me na cadeira. O meu corpo está dorido, não se desloca de imediato. Sou atropelada por um camião de perguntas e não consigo responder a nenhuma. O mundo voltou-me as costas, mas os sobreviventes tentam dar-me a mão. Tenho medo deles. A campainha toca e oiço-os. Querem entrar à força. Chamam pelo meu nome, mas, eu não quero ouvir ninguém. Baixo os braços e conto até 10. «Não desanimes, por favor.» pedem-me os anjos. Não quero nem posso desiludi-los, mas estou a tremer por todo o lado. O volume das vozes diminui e acaba por se tornar silencioso. Vou até à porta e fico à escuta. Agarro a maçaneta e sinto-a mover. Não fora eu, tenho a certeza. Abro a porta e encontro-o especado a olhar para mim. Reconheço-o rapidamente e ele dá-me a mão. Promete-me que não deixará, de novo, que o mundo me caia em cima. Os anjos avisam-me para ter cuidado, porque ninguém é merecedor de plena sinceridade. Eu oiço-os com atenção e sinto-me entre a espada e a parede. No entanto, abro-lhe a porta e convido-o a entrar. Sinal este que me deixa admirada: pela primeira vez, acredito em promessas. O mundo desilude-me e eu mudo. Ou estou mais tola, ou torno-me mais flexível. Acabo por optar pela primeira opção. Irónico, concluo.

segunda-feira, 30 de abril de 2012


Tenho o meu olhar preso em cada linha daquele caderno. Tem as folhas todas brancas para narrar, excepto a primeira. É um excerto de um texto diferente, solitário. Que se refere à solidão e que menciona a verdade. O olhar está cravado e parece não querer mover-se. Passo com os dedos por cima das letras e ainda as sinto húmidas. Lágrimas, reflicto. Concluo que não tenha sido escrita assim à tanto tempo. Então, leio-a em voz alta. Soa de uma forma estranha, no entanto, curiosa. A minha voz soletra cada palavra com tanta intensidade que, se existisse alguém para além de mim, naquele lugar, pensaria que estava possuída. Afasto todos os pensamentos paralelos aqueles vocábulos. Leio-a de novo em voz alta, e desta vez destaco uma palavra. Não sei porque o faço, mas está a preocupar-me. «Nada». Questiono-me. Como resposta, vem-me à cabeça outro vocábulo. «Amor». Desta vez, as palavras ficam-me presas nos ouvidos. Sussurram-me e batem à porta da minha pequena, mas ainda assim, doce alma. Percebo que esteve adormecida por uns breves instantes, mas que abre a porta com um sorriso que não descodifico se é verdadeiro ou não. Então, ela grita. Grita e fecha a porta, de súbito. 
Fecho o caderno e vou lá fora. Encontro um papel amachucado e abro-o com brusquidão.“Eu descobri do pior jeito, que nada é o que parece.” Os meus olhos não acreditam no que vêem e o meu coração muito menos. Era a mesma frase que estava presente naquele caderno de capa dura em que, eu, outrora, perdera o pensamento. 

terça-feira, 10 de abril de 2012

Segue a minha alma, somente. Agarra-a e não a deixes ir.