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quarta-feira, 11 de julho de 2012


É certo e sabido que os tempos mudaram. O inútil virou moda e o fantástico aborrecido. No entanto, continua a ser inabitual olhar-te sem o céu cair me em cima. Uma nuvem enorme forma-se em nosso redor. A natureza está contra nós. Um vento forte vem a meu encontro e leva-me os pensamentos que temo perder. Não encontro memória, não encontro motivação. Procuro estabelecer novamente ligações, mas os cabos encontram-se desligados com enormes cortes de conjugação. Investigo palavras e examino acções. Há coisas que não mudam apesar do tempo e da distância, disse-te eu já a fazer meses. Lembro-me de me olhares nos olhos e da tua respiração incorrecta, «Há coisas que não mudam apesar das pessoas e das acções.».
Os vocábulos faltam-me quando tenho tanto para te escrever. A inspiração rouba-me quando tão pouco tem para receber. 

sábado, 5 de maio de 2012


Apaguem as luzes que eu preciso de encontrar uma luz que me faça ver os factos. Rápido. Não finjam que se preocupam, porque eu sempre venci por minha conta. Sem auxilio de ninguém. Despachem-se. Fecho os olhos e sigo o instinto. Examino tudo com o tacto e com a mente. Derrubava tudo e feria-me bastante, e, no entanto, aprendi a sobreviver. No escuro, na solidão, no obscuro. E sentia medo, muito mesmo. Aprendi a sobreviver, não a ser cautelosa. E, apesar de tudo, nunca fui devorada. Sou consumida. Oh, se sou. Todos os dias. Pelos pensamentos. Pelas lembranças. Pelo o outro lado da linha. Eu faço parte do lado misterioso, do enigmático. Não conheço nada para além do escuro. Nunca vi a luz, mas já sei que é fenomenal. É o que dizem os misericordiosos que por aqui passam.
Apaguem a luz, por favor. Eles vêm aí e vão começar a fazer perguntas. Eles não me deixam dar com vocês, dizem que são muito inconvenientes. Eles, os estranhos que vivem comigo no dia-a-dia. Não me conhecem, mas costumam avisar-me do quão perigosos vocês são. Vocês, os humanos. Eu não tenho medo, mas não posso simplesmente ignorar o que eles me dizem. Oh, já é tarde, perdi a noção do tempo. Gostei de narrar para vós. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012


Tenho o meu olhar preso em cada linha daquele caderno. Tem as folhas todas brancas para narrar, excepto a primeira. É um excerto de um texto diferente, solitário. Que se refere à solidão e que menciona a verdade. O olhar está cravado e parece não querer mover-se. Passo com os dedos por cima das letras e ainda as sinto húmidas. Lágrimas, reflicto. Concluo que não tenha sido escrita assim à tanto tempo. Então, leio-a em voz alta. Soa de uma forma estranha, no entanto, curiosa. A minha voz soletra cada palavra com tanta intensidade que, se existisse alguém para além de mim, naquele lugar, pensaria que estava possuída. Afasto todos os pensamentos paralelos aqueles vocábulos. Leio-a de novo em voz alta, e desta vez destaco uma palavra. Não sei porque o faço, mas está a preocupar-me. «Nada». Questiono-me. Como resposta, vem-me à cabeça outro vocábulo. «Amor». Desta vez, as palavras ficam-me presas nos ouvidos. Sussurram-me e batem à porta da minha pequena, mas ainda assim, doce alma. Percebo que esteve adormecida por uns breves instantes, mas que abre a porta com um sorriso que não descodifico se é verdadeiro ou não. Então, ela grita. Grita e fecha a porta, de súbito. 
Fecho o caderno e vou lá fora. Encontro um papel amachucado e abro-o com brusquidão.“Eu descobri do pior jeito, que nada é o que parece.” Os meus olhos não acreditam no que vêem e o meu coração muito menos. Era a mesma frase que estava presente naquele caderno de capa dura em que, eu, outrora, perdera o pensamento.