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domingo, 10 de junho de 2012

A respiração está ofegante. Passam filmes breves sobre a morte, a dor, o desespero. As pessoas correm, fogem do mundo. Gritam, berram, clamam. Proferem orações para Deus que, naquele momento, somente se parece com um ser inexistente. Não existe fé, existe salvação por conta própria. E é triste perceber que o ser humano desiste de tudo quando já não tem socorrimento possível. 
Existem passos largos, corações já sem vidas, corpos já sem almas. Existe sangue derramado, olhares que metem pena e pedidos de socorro por toda a parte. Viram o mundo ao contrário. Pisam uns, empurram outros. Lançam tiros a cada segundo que passa e retiram vidas a seres inocentes. «A vida é bela, não deixem de acreditar.», sussurram uns aos outros. 
Eu, somente, acordo, bato com a cabeça e murmuro em voz baixa, a lamentar. O mundo morreu, meus amigos.

Nota: Desculpem-me a ausência, não pude mesmo vir ao blog. 

domingo, 29 de abril de 2012


Deito-me na cama e deixo-me cair. Com a minha queda, o mundo desaba. Há gritos, há sensibilidade. Há nervosismo e espanto. Há guerra, há mortes. Palavras perigosas correm pelas ruas, mas quando chegam às rotundas perdem-se no meio da confusão. Há correrias. Observo pela janela o egoísmo, o interesse de todos. É incrível como as pessoas chegam a um ponto em que tornam todos invisíveis. Há fraqueza, derrota. Não arriscam, deixam-se perder, sem saberem se existem probabilidades de saírem libertos. Perde-se a harmonia, a paz, a solidariedade. E eu fico, somente, a visualizar todo aquele cenário de guerra, de destruição. Tento gritar, lutar, mas o meu corpo continua intacto, sem se mover. Tenho um nó enorme na garganta e não consigo respirar. Expiro e inspiro, mas os meus pulmões não respondem. O coração acelera. Há desorientação, perigo. 
Deixam-se de ouvir gritos. Abro os olhos e tenho a testa coberta de suor. Tenho o coração a bater a mil à hora. A guerra instalara-se. Não na Terra, mas no meu coração. E sabem? São poucos os sobreviventes.