Admira-me a falta de capacidade que todos temos. Que todos admiramos, que a todos surpreende. Desconhecemos o abismo, o invulgar e o perigoso. Ignoramos as definições, os significados de cada qual. Possuímos uma excelente habilidade ao julgarmos o incógnito e ao valorizarmos o desencanto. Ao encontrarmos a verdade num poço de mentiras e a luz ao fundo do túnel. Certificamos a lealdade e perdoamos o fatal. Compramos a exactidão e abandona-mos a honradez. Corremos para o erro e tombamos para a queda. Falamos da morte e não existimos na vida. Não criamos, não confeccionamos. Somos humanos, somos clementes. Seres indulgentes, insistentes.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
"Do you know why we turn people? It's not some oneway ticket to get out of lonerhood. One: We need someone to do our dirty work. Two: Revenge. Three: Boredom. But you know, that never turns out well. And then, you know, there's the obvious one. When you love someone so much that you'd do anything to spend all eternity with him."
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Sou mais complexa do que a normalidade do dia-a-dia. Falo de regras, de convicção. De respeito e propósitos.
Não tolero a falta das palavras nem a ausência de maneiras. Respeito o normal e o próximo. Não consigo conviver com pessoas politicamente correctas. Falta-lhes o pigmento essencial, a complexidade fundamental. Aprovo idiotice apropriada, mas não consinto estupidez a tempo inteiro. Não sou séria o tempo todo. Longe disso, agora asseguro. Tenho quase sempre um sorriso formado em ângulos bem visíveis para todos. Quem me conhece, sabe-o bem. Afugento mentirosos, mas consigo cair em toda a falsidade que me proporcionam. Delicio-me, assim dizendo, com uma boa e verdadeira amizade. Amigos falsos, claro está, ficam do lado de fora da fechadura.
Sou mais complexa do que um livro aberto com as páginas completamente em branco. Não engano, mas batoto.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Os seres humanos fazem questão de se mostrarem pelas palavras. Proferem testamentos sinceros, garantias essenciais e cartas de amor sentimentais. Reiteram citações populares e pensamentos incalculáveis. Treinam as mentes para canções e narram textos com uma sabedoria imensa para aquilo que nunca se dominou. Está-lhes no sangue. Está-lhes no coração. Não enfrentam o perigoso e o invejável. Não toleram o ciume, a inveja. Não praticam a acção. Não consentem os movimentos. A acção mete-lhes medo. Recorda-lhes a felicidade por meios próprios e o aparecimento do amor como um ser maldoso, duvidoso e temido. Não permitem gestos insolentes e obras carinhosas. Fazem-lo por palavras e já bem basta.
Quem pretendo enganar, também? Sou somente um ser humano a mostrar a sabedoria desconhecida de um mundo abstracto, tantas vezes, perigoso. Diria até melhor: sou amante das palavras e inimiga das acções.
Eras uma das pessoas que mais guardava no coração. Falava-te sobre tudo e não tinha segredos para contigo. Cheguei a contar-te coisas que nunca ninguém soube e temia que abrisses mãos de tudo isso. E tu abriste. Não só me deixaste de parte como esqueceste tudo o que passamos durante o meu mais querido e importante ano. E tu sabias que eu não iria aguentar ver-te partir. E, mesmo assim, ausentaste-te. Recolheste as raízes criadas e esmagaste os frutos originados no jardim da amizade. E lá foste tu. Agarrada a outro tipo de pessoas que, na minha opinião, ainda têm coração. Que se preocupam comigo e entendem que muitas das minhas más acções foram por e para ti. E é triste. Perceber que até elas - que passaram o tempo mínimo possível comigo - me compreendem melhor que tu. Observam cada golpe do meu coração e cada lágrima em silêncio da minha alma. E tu não. Tu só te entendes a ti própria. Ao teu mundo e aos teus amigos de data. Já que eu fui a temporária.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Resumi-me a palavras narradas na esperança de um amanhã melhor. Tranquei-me em ti e revelei-me melhor do que outrora. Não comandei o coração. Este mesmo fizera o trabalho sozinho. As palavras ganharam alento e exploraram o melhor da vida. Tatuei na alma o segredo da solidão: não deixes o que é teu afundar na escuridão. Escutei-te até ao fim. Não interrompi, não falhei. Limpei as tua lágrima e fiz com que estas não se afundassem no teu rosto. Cantei para ti. Sussurrei-te palavras bonitas ao ouvido. Embalei-te na mais bela melodia que conheço. Proferi versos de Garrett até entenderes o verdadeiro valor e estima que as palavras significam e têm em mim. E apaixonei-me por ti. Da primeira à ultima vez que te vi.
domingo, 24 de junho de 2012
O vento sopra forte e o meu corpo reage. Erga-se e ilumina-se. Está fraco, tomba a cada segundo. Não tem esperanças, não confia. As pernas tremem, os braços vibram. Desata a chover. A alma molha-se e o meu corpo balança. Fico de joelhos, então. Abraço-me à cruz que trago ao pescoço e peço aos anjos uma dose de força, de sol, de harmonia. O tempo passa, a vida continua. O desejo ardente quase explode no meu pequeno esófago e tenho os lábios secos. Abro a boca e sou inundada pela chuva cortante que quase me inunda o rosto. Os pensamentos de derrota rapidamente voltam ao inferno e inspiro com força. O objectivo da vida é - sempre - continuar. Tento beber água, mas pressinto não ter tempo para tal. Agarro-me com força a um objecto inimaginável. Não observo com atenção, o que faz com que não consiga entender do que se trata. Abro os olhos com força. Há muito que me sinto extinta. Um novo fervor me presenteia. É o inicio de um velho e inacabado fim.
sábado, 23 de junho de 2012
Estou presa no universo das palavras. Não consigo avançar nem retorcer. Não consigo mover-me e já fazem horas que estou a tentar libertar-me. As subclasses tentam consumir-me. Agarram-me, balançam-me e sussurram-me ruídos semelhantes a palavrões. Tal acto não é nada vindo destas. Sempre me deram pontos de vistas que, ainda hoje, me são essenciais e nunca me viraram as coisas. Hoje, talvez, estejam num dia mau. Talvez, tenham sido engolidas, como eu, e tenham medo de confiar novamente. Eu não me importo se houver algo naquele universo totalmente diferente de onde eu vivo. Outro ar, outra maré. Eu deixo-me levar, se não existir dor. Pelo menos, psicológica. Já não condiciono mais nada.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Estou sem fôlego. Não consigo aguentar mais. Todos metem, ninguém volta atrás. Prometem-me o mundo e oferecem-me um globo. Fingem importar-se, porém, na realidade, nem um pouco estão interessados. Vivem em constante mudança de opiniões. Diga o que disser, faça o que fizer, sou alvo de repreensão. Não interessa pelo que tive de passar nem o que tive de fazer para chegar ao cume. Não importa o esforço, a dedicação e a força de vontade. É mais fácil repreender e criticar. Será sempre.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Estou a ir não sei para onde. Caminho sem parar, sem observar o que quer que seja. Está escuro e frio. Não chamei ninguém para vir comigo. Sei de cor qual seria a resposta se ao menos tentasse perguntar. As pessoas viam-me partir. Sabiam a causa. Sabiam o motivo. Não tentaram parar ou proibir. Não me fizeram frente. Não tenho amizades fortes. Talvez, por isso, não possua conselhos sábios.
Caminho sem saber por onde vou. Vejo árvores altas, o que me dá a ideia de estar a caminhar uma floresta densa e perigosa, e oiço uivos de um animal feroz. Feroz, como quem diz. É um lobo, veio a meu encontro. Não me faz mal, sinto-o protector. Arranjo madeira e faço lume. Já é tarde para percorrer.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Quem és tu, afinal? Narras os meus sonhos e deparaste a dez metros de mim. Não mostras a cara, não mostras o sorriso. Conheço os teus olhos claros, mas nunca os consegui observar. Tens algo neles que não consigo visualizar. Tens as mãos frias quando me tentas tirar do abismo. Tens uma alma vazia com termos complexos para decifrar, se assim isso existir. Tens medo de mim, porque me julgas e eu uma naturalidade por te desconhecer. És um ser estranho. Medonho, não digo. Tens os teus pontos fracos. Não podes olhar nos olhos de ninguém. Não podes sorrir. Não podes sonhar. Por isso, apareces em mim. Dominas o meu sono e reconheces a minha ficção. Tentas tornar-te nela. E consegues ser melhor do que imagino. Quem és tu, afinal?
- «Sou o mistério por descobrir, o desespero a conhecer e o enigma a ocultar.». - sussurras-me tu ao ouvido.
terça-feira, 19 de junho de 2012
O ódio gera o amor. Não tem mãos a medir, não profere, não engana. É exacto. Oh, se é. Nasce no amor. Envelhece no amor. Enraivece, entristece, enfurece. Não importa a dor provocada, pois, no final, não estará presente. O ódio mata. O amor alimenta. O ódio afasta. O amor aconchega.
É um ciclo vicioso, quase mortivo, creio eu. Não poderei falar com tanta exactidão, não poderei narrar com precisão. Não falarei de detalhes, mas criticas serão bastantes, daqui em diante. Aliás, sempre foram inúmeras. Tento guarda-las somente para mim, mas vejo a minha alma abrir-se rapidamente com esperanças que alguém a compreenda. E lá vão elas. Todas em filinha para poderem desabafar com alguém que as perceba. Elas, as duvidas. E eu, a alma vazia com esperanças que um doce amor apareça. Sem ódio, sem maldade, sem rancor.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
As coisas mudaram. Já não está cá quem sempre me prometeu o para sempre e me negou o adeus. O mundo mudou e metamorfoseou as pessoas. As acções, os desejos, as vontades. Já não existem verdades. Ficaram encurraladas num universo paralelo ao nosso. E o amor tornou-se desculpa para tudo. «Não tinha outra escolha» ou «Aprendi a viver assim com o amor». Com o amor? Sejamos verdadeiros. Aprenderam a viver com a mentira, com o engano, com a impostura. Mentir, nos dias-de-hoje, - como poderei dizer eu? - será, certamente, a maneira mais exacta de transmitir o que vos vai na alma. E será necessário tal procedimento? Consideremos todos que não.
Sento-me à janela e vejo o universo real do outro lado. Tomara que seja transportada para lá em breve. Que os anjos me ajudem. E a vós, também, tenho orado.
domingo, 17 de junho de 2012
sábado, 16 de junho de 2012
Vê o teu reflexo no espelho e
sorri. Chama o meu nome em voz alta vezes sem conta. Sem medo, sem receio. Faz
uma casa na árvore mais próxima e solicita a todos que estás feliz. Acende um fósforo
e queima os restos de inseguranças que estão presentes em ti. Viaja até Marrocos
ou Paris e encontra em ti a luz que falta para concederes o brilho à tua alma.
Faz o pequeno-almoço para dois e deixa torrar o pão demasiado. Corre na
direcção do microondas quando a campainha tocar e, por fim, atende o telefone
que tanto chama por ti. Não deixes o cão à espera para a sua corrida matinal nem
esperes pelo pôr-do-sol. O amanhecer pode esperar, mas as estrelas não
conseguem aguardar muito tempo sem um beijo de boa noite. Explora o oceano e
talvez me encontres do outro lado à tua espera. A regar o jardim do amor e a primavera da vida.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Eu perguntei-te se, mesmo estando deitada numa cama de hospital ou tendo um aspecto horrível, tu me virias buscar. E tu olhas-te para mim, sorriste e baixas-te a cabeça, logo de seguida. Como quem não quer a coisa e foge ao dar uma resposta concreta. E eu confiei em ti. Deixei-me levar. Lavei as almofadas em lágrimas e mal tratei as bonecas de porcelana que estariam em cima da mesinha de cabeceira, se nada tivesse acontecido. Agarrei no colar da mais pequena e dei um nó para que tivesse a medida exacta do meu fino pulso. «Hope», estava já lá escrito. Acrescentei pozinhos mágicos que tinha guardado no bolso. Fui ao país das Maravilhas e decidi escrever uma carta ao gato risonho em modo de despedida. Disse que não estava disposta a mais mudanças e a mais contratempos. Ele, carinhoso como sempre é, prometeu-me proteger e ajudar.
Depois, abri os olhos e lá estavas tu. Exactamente ao pé de mim, com a tua mão na minha. «Vou estar aqui até mesmo quando tiveres bengala e o rosto com rugas. Ficas comigo, também?». Dei-te um beijo na testa como sinal de afirmação. «Oh, como és lindo, meu amor».
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Está no ar uma sensação de alivio. Felicidade, também. Cheira a sardinhas e a cerveja entornada. Ouvem-se gargalhadas dos pequeninos e palavrões dos grandalhões. Hoje, não importa o que se diz e o que se faz. Não importa o estado de espírito de outrora nem o tempo perdido nas filas enormes das auto-estradas. Não importa os empurrões dados nem as brincadeiras que ocupam todo o centro de Alfama. Não importa o nível sonoro das musicas nem as danças feitas no meio da rua. É para abanar o esqueleto, gritam todos. Hoje, perdoa-mos quem bebe e castigamos quem não se alegra.
Nota: Não consegui mesmo vir ao blog ontem para publicar o texto. Peço desculpa a todos vós.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Tenho medo do amor. Fobia, até. Tenho medo das borboletas na barriga e dos calores repentinos. Tenho medo que me roube todas as flores que presenciam o jardim da felicidade. Tenho medo dos versos proferidos e das canções cantaroladas em conjunto. Tenho medo de não demonstrar e de não receber. Mas não acredito no amor. Não acredito, mesmo. Ele vem e vai, muitas vezes, sem voltar. Parte corações e nem deixa o manual de instruções entre mãos daqueles que o merecem. É, o amor é ruim. Doentio e hipócrita. Destrói quem sente e enriquece quem fere. É por isso que o amor e o ódio tantas vezes estão ligados. O ódio, muitas vezes, até que é melhor que o amor. Não esconde, não omite. Não encobre, não mata.
Sabem? Tenho medo do amor, mas não o conheço. Não o vejo entre os dedos, mas sei que ele corre sempre na direcção oposta da minha alma. Somos imortais os dois. É, eu sou a liberdade. E ele, ele é o amor. Individuo doentio que tantas vezes afunda e abisma os outros.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Diário da tua ausência #14
Repara bem na ilustração da folha amarrotada em que te escrevo. Não se parece com nada, porque é um desenho abstracto que exemplifica de forma correcta cada traço da nossa alma. Há partes brancas que, apesar de tudo, estão ocupadas pelo vazio. Sofrem em silêncio, mas tentam saltar do papel. Gemem, esforçam-se.
O resto são traços e pintas, estou certa? Sei que sim. Os traços, claro está, transmitem a simplicidade dos olhares, a magia dos sorrisos. Estão em minoria. No entanto, não deixam de ser únicos. Cada um tem uma cor própria em que mal se consegue decifrar qual a sua tinta e a sua pigmentação. As pintas, por contrário, são os momentos de espera, de demora. Ganham nas dimensões planas da folha, porém, são as que menos se fazem notar.
Peço-te, agora, um ultimo pedido. Fecha os olhos com força e tenta decifra-lo, novamente, mas, agora, somente com o tacto. Deixa passar cerca de dois segundos. Volta a abri-los. Não grites, não chames a atenção dos vizinhos. Está todo preto. Sabes o que significa?- estarás a acenar com a cabeça?- se sim, estarás certo. Acabou. Assim me despeço. É a ultima carta. É o primeiro e ultimo adeus.
domingo, 10 de junho de 2012
A respiração está ofegante. Passam filmes breves sobre a morte, a dor, o desespero. As pessoas correm, fogem do mundo. Gritam, berram, clamam. Proferem orações para Deus que, naquele momento, somente se parece com um ser inexistente. Não existe fé, existe salvação por conta própria. E é triste perceber que o ser humano desiste de tudo quando já não tem socorrimento possível.
Existem passos largos, corações já sem vidas, corpos já sem almas. Existe sangue derramado, olhares que metem pena e pedidos de socorro por toda a parte. Viram o mundo ao contrário. Pisam uns, empurram outros. Lançam tiros a cada segundo que passa e retiram vidas a seres inocentes. «A vida é bela, não deixem de acreditar.», sussurram uns aos outros.
Eu, somente, acordo, bato com a cabeça e murmuro em voz baixa, a lamentar. O mundo morreu, meus amigos.
Nota: Desculpem-me a ausência, não pude mesmo vir ao blog.
sábado, 9 de junho de 2012
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Não tenho tempo para muito. Não tenho tempo para observar despedidas ou lágrimas derramadas na face de outros indivíduos. Não vos abandono nunca. Aliás, continuo a percorrer as ruas da cidade e os mares do atlântico de mão dada a vós. Só que o tempo muito se alterou. E não existem mais relógios à venda com segundos e minutos oferecidos. Todas as lojas da cidade encerraram e os relógios foram retirados do mercado. Ouvi comentar que eram realmente perigosos para a vida humana. Sabem? Tão rápido passa que há uns que nem sequer dão pela sua visita.
Bem, vou mandar fechar a carta e gravar um selo mesmo no cantinho em que fiz uma pinta. Mando-vos um beijo a todos. Não se preocupem, encontramo-nos para o ano.
Nota: cliquem aqui para poderem ver e seguir o meu twitter.
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quinta-feira, 7 de junho de 2012
Já cheira a maresia. Cheira a água salgada e a ondas grandes e volumosas. Cheira a caracóis servidos no café e a cervejas com tremoços. Cheira a castelos na areia e a guerras de água com garrafas. Cheira a biquínis com folhos e a calções às flores. Cheira a conversas animadas e a noites mal dormidas devido aos festivais de Verão. Cheira a amizades novas e a paixões de pouca duração. Cheira a sentimentos perdidos no calor do universo e a gritos envergonhados dos pequeninos. Cheira a calor. Cheira a viagens de longa distância e ao percurso rotineiro para a praia. Oh, cheira a verão. Bem-vindo, novamente, querido sol.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
As pessoas gritam, competem. Preocupam-se demasiado, acabando por ignorar o principal e o marcante. Acabam por desperdiçar os minutos relevantes em acções que jamais serão caracterizadas como impressionantes. E, depois, queixam-se. Lamentam-se por não terem tido oportunidades suficientes. As pessoas magoam, agem como se estivessem sozinhas no mundo. Não olham para trás, não têm medo dos buracos que poderão surgir no futuro. As pessoas mentem quando não é necessário e escondem quando o mundo lhes abre os braços.
E eu tenho medo. Distingo-me delas, mas sou tão elas que, por vezes, até me assusto com o meu próprio eu. Sabem? Como se fosse um individuo diferente devido ás influências do mundo.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Sou um coração mole. Apaixono-me tão facilmente, que nem
necessito de conhecer na totalidade o individuo por quem me apaixono. Não posso
conhecer ninguém. Ou é por ser simpático e carinhoso, ou misterioso e discreto.
Existe sempre algo que me faça perder a cabeça numa nova oportunidade.
Oportunidade, sorriu ironicamente. Oportunidade, reflicto agora, não será
certamente. O amor não é uma oportunidade. Nunca o foi, nunca será.
Porém, cada gesto sincero é uma vitória superada e uma
declaração cumprida. Começa por ser uma conversa perfeitamente desconhecida
acabando por ser a melhor. A base são as conversas animadas. A troca de números
e de e-mails. Seguidamente, passa para os abraços quentinhos e para os
beijinhos rechonchudos. E depois, sem saber como e porquê, existe um espaço
vazio. Existe uma cadeira ao almoço preenchida pelo vazio e solidão. Existe a
falta dos telefonemas à noite e o vácuo da estrutura do amante. E isso dói. Ter
de encarar o amor raivoso e entristecido como um ser inquebrável, perigoso e doentio,
dói. Oh, dói bastante.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
A mentira não magoa, destrói. A verdade, quando é falsa, arruína. O poder das palavras em demasia, atraiçoa. A dor, quando é forte, mata. O perfume, quando é intenso, enjoa. O extravagante, quando insensato, desilude. O fogo, quando aquece, queima. A ignorância, quando é muita, aborrece. O desencanto rápido, fere. A sinceridade profunda surpreende. A humildade grandiosa espanta. O curioso rapidamente se torna no óbvio e a maldade na rotina. A dúvida não questiona e o poder não ordena.
domingo, 3 de junho de 2012
Vandalizaram o mundo. As paredes estão agora de outra cor e poucas são aquelas que não têm desenhos escandalosos. «Valiosas obras-de-arte», afirmam admirados. Obras-de-arte?, questiono-me eu agora. Obras-de-arte são quadros pintados à mão que descrevem cada traço da alma dos pintores. Obras-de-arte são melodias que tocam no coração. Obras-de-arte são textos declarados pretextos para pintar e suavizar o lado menos bom da vida. Agora, paredes pintadas com meia dúzia de palavrões não são consideradas obras-de-arte. Já para não falar dos vidros partidos das lojas da parte histórica da cidade. Vandalizaram o mundo, sussurro eu a todos vós.
Estás imóvel, inquebrável e inquieta. Cresceste, reflicto agora. Tenho orgulho em ti. Nada te passa ao lado. Consegues criar um jardim apenas com o sol presente na tua vida. E olha que não é muito, bem sei. É pouco, mas valioso, sabes? Não o troques por nada. Não o faças de novo, como se nada tivesses no mundo. Oh, tu tens. Tu tens os anjos, os peixinhos no aquário, o feiticeiro misterioso, a lua e as estrelas. Para não falar nas flores que, por terem sido criadas também por ti, têm um imenso orgulho na pessoa que és.
Vou contar-te um segredo: à noite, quem te tapa são elas. Vêm ter comigo e perguntam-me se já estás a descansar e a sonhar com coisas boas. E eu respondo logo, porque conheço cada bocadinho da tua alma e do teu corpo já cansado. Sussurro-te que elas vêm ter contigo e para continuares imóvel, para que elas não percebam que consegues observa-las até mesmo quando sonhas. E elas, todas sorridentes, vêm a teu encontro e dão-te beijinhos na testa. Depois, vão regar o jardim da felicidade. Deixam-te sempre um post it na porta para não colheres nenhuma. «Nada de colher plantas. Não estão floridas como outrora, mas é uma questão de tempo. Uma questão de bem-estar psíquico da alma. Passamos por cá amanhã. Um beijo com sabor a amizade, minha flor exótica».
sábado, 2 de junho de 2012
Diário da tua ausência #13
«Tears stream down your face, when you lose something you can't replace.» No fundo, nunca aconteceu nada e parece que tudo se perdeu. Triste, já não digo que é.
A verdade perdeu-se. Está a brincar comigo às escondidas e o pior é que já contei até cem e ela não vem a meu encontro. Gritei por ela e começo a pensar que se afastou por decisão própria. Contudo, deixa-me triste. Ela, que me prometera que viera para ficar, até consigo levou os anjos e a lua. Meteu-os num saco grande e negro e lá foi ela. Deixou-me a falar com os gatos dos vizinhos e, oh, o quanto odeio gatos. Aqueles olhos colossais reflectem a maldade presente no seu espírito e isso arrepia-me - mete-me os pelinhos dos braços a levantar voou, como costumava dizer quando tinha medo dos monstros - e fazem me estremecer.
Agora, mandou o sol entregar-me um papel. Este não está nada bem-disposto, está para aqui a reclamar com as nuvens. Como o mundo está. Nem o lado mágico sobrevive.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Diário da tua ausência #12
As palavras começam a escassear. A caneta está gasta e os meus dedos estão a fazer nós brancos de tanta força usarem para agarrarem somente a esferográfica. Não sei o que fazer, pensar ou sequer admirar. Está tudo tão estranho na minha cabeça, sabes? Falta uma semana para acabar isto. E ainda nem sei a que me refiro. Não recebes as cartas, escrevo-as e guardo-as eu. Tu somente ficas no facebook a fazer sei lá eu o quê. És do tipo de rapaz que não diz nada a ninguém, começo a entender. Mas eu sou o oposto. Preciso de uma resposta óbvia mesmo que já saiba a resposta. Não importa os vocábulos que utilizes e o conteúdo empregado. Não importam as palavras caras nem as frases longas. Já te tinha narrado. E depois, para embaralhar ainda mais o meu cérebro pequeno, vem o teu olhar. O teu olhar calorento, terno, sonhador. Olhares não bastam, começo eu a reflectir. Não é o suficiente. E bem sei que me ando a contradizer em alguns casos e a repetir noutros. Mas o que posso eu dizer se nada sei? O que posso afirmar quando somente conheço o teu olhar doce, mas que tantas vezes, é longínquo? Não suporto esta «distância» psíquica a que estamos confrontados. Não agora. Não para sempre.
A felicidade procura-se em casa esquina das extensas ruas da cidade. Procura-se nos armazéns responsáveis pelo amor e pela amizade. No entanto, não é o suficiente. Procuram-na nos bolsos dos casacos de lã e nos graffitis feitos na parede. Ou então, nas abas dos cadernos e nas papelinhos guardados na gaveta. Procuram-na nas palavras proferidas com intensidade e nas acções primaverais da vida. Nas flores presenteadas e nos miminhos oferecidos.
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