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terça-feira, 26 de junho de 2012

Eras uma das pessoas que mais guardava no coração. Falava-te sobre tudo e não tinha segredos para contigo. Cheguei a contar-te coisas que nunca ninguém soube e temia que abrisses mãos de tudo isso. E tu abriste. Não só me deixaste de parte como esqueceste tudo o que passamos durante o meu mais querido e importante ano. E tu sabias que eu não iria aguentar ver-te partir. E, mesmo assim, ausentaste-te. Recolheste as raízes criadas e esmagaste os frutos originados no jardim da amizade. E lá foste tu. Agarrada a outro tipo de pessoas que, na minha opinião, ainda têm coração. Que se preocupam comigo e entendem que muitas das minhas más acções foram por e para ti. E é triste. Perceber que até elas - que passaram o tempo mínimo possível comigo - me compreendem melhor que tu. Observam cada golpe do meu coração e cada lágrima em silêncio da minha alma. E tu não. Tu só te entendes a ti própria. Ao teu mundo e aos teus amigos de data. Já que eu fui a temporária. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012


Não me olhem nos olhos, por favor. Consigo mentir ou, pelo menos, desviar a conversa se não estiverem a olhar-me nos olhos. Consigo sorrir e conceder uma gargalhada a alguém. Mas não me olhem nos olhos, porque, se o fizerem, já não poderei estar no mundo do teatro mais tempo. Eu aprendi a omitir, mas a mentir, não. E os professores desta arte não gostam de falhas. Querem a perfeição e, oh, estou longe, a muitos km's de distância de o ser. Esforço-me e até consigo acreditar, por momentos, que é o suficiente. Mas depois, perco o olhar no dos outros e vai tudo por água a baixo. Existem, também, aqueles que olham, sentem pena, mas seguem em frente. E é isso que admiro. Não caminham na minha direcção apenas por sentirem  piedade. São verdadeiros, não se deixam intimidar e sentimentalizar por lágrimas derramadas. Chamam-lhes desumanos, eu somente penso que são os 10% verdadeiros do numero total de sobreviventes desta constante batalha, condecorada como subsistência. 
Não me olhem nos olhos, porque não irei saber como reagir. Os que o fazem nunca me deixam omitir. E custa. Bastante, mesmo. Custa ficar imóvel e alarmada. Custa não ter opção de fuga.