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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Diário da tua ausência #14

Repara bem na ilustração da folha amarrotada em que te escrevo. Não se parece com nada, porque é um desenho abstracto que exemplifica de forma correcta cada traço da nossa alma. Há partes brancas que, apesar de tudo, estão ocupadas pelo vazio. Sofrem em silêncio, mas tentam saltar do papel. Gemem, esforçam-se. 
O resto são traços e pintas, estou certa? Sei que sim. Os traços, claro está, transmitem a simplicidade dos olhares, a magia dos sorrisos. Estão em minoria. No entanto, não deixam de ser únicos. Cada um tem uma cor própria em que mal se consegue decifrar qual a sua tinta e a sua pigmentação. As pintas, por contrário, são os momentos de espera, de demora. Ganham nas dimensões planas da folha, porém, são as que menos se fazem notar. 
Peço-te, agora, um ultimo pedido. Fecha os olhos com força e tenta decifra-lo, novamente, mas, agora, somente com o tacto. Deixa passar cerca de dois segundos. Volta a abri-los. Não grites, não chames a atenção dos vizinhos. Está todo preto. Sabes o que significa?- estarás a acenar com a cabeça?- se sim, estarás certo. Acabou. Assim me despeço. É a ultima carta. É o primeiro e ultimo adeus. 

sábado, 2 de junho de 2012

Diário da tua ausência #13

«Tears stream down your face, when you lose something you can't replace.» No fundo, nunca aconteceu nada e parece que tudo se perdeu. Triste, já não digo que é.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Diário da tua ausência #12

As palavras começam a escassear. A caneta está gasta e os meus dedos estão a fazer nós brancos de tanta força usarem para agarrarem somente a esferográfica. Não sei o que fazer, pensar ou sequer admirar. Está tudo tão estranho na minha cabeça, sabes? Falta uma semana para acabar isto. E ainda nem sei a que me refiro. Não recebes as cartas, escrevo-as e guardo-as eu. Tu somente ficas no facebook a fazer sei lá eu o quê. És do tipo de rapaz que não diz nada a ninguém, começo a entender. Mas eu sou o oposto. Preciso de uma resposta óbvia mesmo que já saiba a resposta. Não importa os vocábulos que utilizes e o conteúdo empregado. Não importam as palavras caras nem as frases longas. Já te tinha narrado. E depois, para embaralhar ainda mais o meu cérebro pequeno, vem o teu olhar. O teu olhar calorento, terno, sonhador. Olhares não bastam, começo eu a reflectir. Não é o suficiente. E bem sei que me ando a contradizer em alguns casos e a repetir noutros. Mas o que posso eu dizer se nada sei? O que posso afirmar quando somente conheço o teu olhar doce, mas que tantas vezes, é longínquo? Não suporto esta «distância» psíquica a que estamos confrontados. Não agora. Não para sempre.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Diário da tua ausência #11

Sabes? Não entendo. Não consigo, não há maneira de o fazer. Há dias em que parece que não retiras os olhos de cima de mim e outros que nem sequer me localizas. Desapareces do mapa e vais na direcção oposta à minha. Não estou a dizer que tens de andar sempre comigo. E quando digo comigo, nem sei porque o faço. A verdade é que nunca o fizeste e não seria agora que irias fazer. E sabes? Falta uma semana para acabarem as aulas. O dia de amanhã também conta, bem sei, mas o que me diz que não será idêntico ao de hoje? Agora, mal te vejo. Talvez vás lá fora, como a maioria dos alunos, fumar. Oh, se tu soubesses o quanto odeio tabaco e todas essas coisas más que prejudicam a saúde. Enfim, não sei mais o que escrever. A tinta está a terminar e a minha letra já nem rabiscada está. Muda de direcção, por favor. Não vás para Oeste. Segue somente o instinto. Ele levar-te-á realmente ao importante e merecido. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Diário da tua ausência #10

Vamos respirar. Conta até três e inspira com força. O ar está poluído, sei bem do que falo. Poluído de indivíduos maléficos, sem coração. Poluído de seres que não acreditam no amor e nos pós mágicos. Na lua e nas estrelas, mas que, no entanto, no sol, já acreditam. Poluído de mentiras relacionadas com o ódio e de ilusões envenenadas. Ilusões envenenadas, estás tu repetidamente a ler. Expira calmamente. Senta-te na cadeira de madeira e pensa: uma maça envenenada é um fruto proibido. Ninguém o quer, não é assim? Porém, os vingativos conseguem burlar os tolerantes. Assim, há uma ligação de tudo isto na vida real. 
Vamos contar até quatro juntos, pode ser? Assim, esquecemos todos os acontecimentos nocivos para a felicidade. Em cada algarismo, pedimos um desejo. Entre-calamos as vozes, os desejos, os pedidos. O primeiro é teu. O segundo é meu. E assim sucessivamente. 
Vou passar para o papel já quase preenchido todos os anseios e ambições proferidos. 
1º- Falecimento das almas más;
2º- Desaparecimento da maldade;
3º- Encerro das maças envenenadas;
4º- Chega de palavras caras, sim? Que fiquemos unidos, para sempre.

domingo, 27 de maio de 2012

Diário da tua ausência #9

Faltam somente dez horas e 26 minutos para te poder ver. O que corresponde a 626 minutos sem te poder localizar com o olhar. Já viste o quanto torturas o meu pequenino coração? Só de escrever para ti, já está aqui empolgado, a querer dar a mão ao teu. Fazes-lhe bem, mesmo não sabendo de facto que sim. E ele está aqui a tomar café e a tentar desligar-se das palavras já gastas pronunciadas pelo locutor da televisão. São sempre as mesmas noticias, já reparaste? Até já cansa, com franqueza. Com tanta maravilha no mundo, só falam de coisas más. A guerra não se instalou, mas todos os dias, há pessoas a desaparecerem do nosso cantinho real. E nós? Nós andamos distraídos com a máquina do café avariada e com o jogo de futebol que está a dar na sportv. Realmente, andamos na lua. Por falar nela, está aqui a dizer-me adeus e a sussurrar-me boa sorte para o dia de amanhã. Vens na mesma carruagem que eu? Faz fisgas para que sim. Boa noite, meu gigante. 

Diário da tua ausência #8

Sabes, vou contar-te um segredo muito baixinho. Chega cá para colocar os lábios à beira do teu ouvido. É contigo que sonho todas as noites. És tu que me visitas e proteges das almas más e dos monstros com capas negras. Vens de roxo com aquelas jeans que tanto gosto. E sussurras-me canções de embalar pela noite fora. Não dormes para eu dormir. Não descansas para eu descansar. E ligas a tua alma à minha. Tal como um cabo USB se liga ao computador. Ligamos e conectamos um com o outro. Eu sinto a tua presença e tu agarras-me a mão para a conexão não desaparecer. Fico com a tua impressão digital tatuada nos dedos e nem com uma lavagem ao acordar desaparece. E tu sabes porquê, não sabes? Sabes que tudo isto não se abrevia num sonho. Não é ao acordar que tudo isto desaparece. Nós somos reais e as imagens reflectidas nas estrelas são a prova disso. 

sábado, 26 de maio de 2012

Diário da tua ausência #7

Deixo-te imagens, para fugir à rotina. Não as procures que elas não estão fisicamente aqui. Desta vez, sou eu a dar as pistas e tu a decifra-las. 
Visualiza bem. É pequenina e é uma flor. Branca e amarela, a minha preferida. A que me vais oferecer sem sequer me perguntares qual a que ilustra melhor a minha alma. É selvagem e doce. Sabes qual? 
Passemos à frente. Esta aqui é do primeiro livro que me vais oferecer. Também tu me escreves e narras aquilo que te vagueia pela mente. Fácil, hum? 
A que seguras com tanto cuidado é a de dois indivíduos. Apaixonados, com a chama do amor a queimar os campos alheios. Estão sorridentes e empolgados. O entusiasmo é notário. As razões? São desconhecidas.
A ultima está escondida algures por aí. Com o tempo, dar-te-ei pistas da sua localização. Em relação às respostas anteriores, se virares a carta, encontra-as a sorrir para ti. 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Diário da tua ausência #6

Vem, agarra-me o cabelo. Conta-me histórias ao luar e oferece-me uma flor. Vem, vem a mim. Somente ao meu encontro e ao de mais ninguém. Abre-me as mãos e presenteia-me pózinhos mágicos. Da cor dos sorrisos e das nuvens. Vem, brinda-me com um sorriso e alegra-me com um olhar. Vem. Traz o cão, o gato e até mesmo o periquito. Traz a família, os amigos, os animais. Fica a vontade, mas vem. Dirige um carro, uma mota ou um avião. Vem, traz panquecas e frutos secos. Não te esqueças da manteiga magra e do fiambre de peru. Trás a tela e os pincéis. Vamos pintar o céu e as estrelas, e o mar e a areia. Vem. Não arranjes o cabelo e traz a camisola roxa que tanto gosto. Vem e traz café. Eu tenho o açúcar para adoçar a noite. Vem, traz a chave do carinho, do amor, da alegria. Vem e, mesmo que não queiras, pensa: o que poderá correr assim tão mal?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Diário da tua ausência #5

Olha para mim, novamente. Como é bom perder o meu olhar no teu. Bem podia vir um vendaval que eu me iria sentir segura somente a olhar para ti. 
És enigmático. Tens códigos e ao longo do tempo, parece que os descodifico. Bem podias facilitar as coisas, admite. Eu corro atrás da resposta, prometo. Corro, salto e guardo-a só para mim, se assim quiseres. Mas partilha-a comigo. Não tenhas medo. Eu preservo-a. Conservo-a aqui, neste doce diário e ninguém irá julga-la ou avalia-la. Nem mesmo eu. Oiço-a, guardo-a, escondo-a no diário e guardo-a no coração. Confia em mim, gigante. Não te vou deixar mal mesmo que a resposta tenha os vocábulos que quero e pretendo desconhecer. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Diário da tua ausência #4

Já é o quarto bilhete que te deixo por baixo da almofada. Estão ao de cima, não consegues senti-los? Que parvoíce a minha, também. Se não me mandas correspondência de volta é porque ou não a recebes ou não queres responder. Não significa nada no meio de tudo isto que ando a sentir. Escrevo-te porque gosto e necessito e, sinceramente, também porque quero uma resposta. Pode até nem ser verbal, se assim não quiseres. Responde-me com o olhar, assim como sempre fazes. 
Olha para a minha letra, meu gigante. Está toda aos circos, parece-se cada vez mais com a caligrafia da primária. Já viste o que me fazes? Já agora, a lua mandou-te um beijinho.
-«Apaga a luz»- sussurro. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Diário da tua ausência #3

Estás a ouvir? É a canção do amor. Tem os acordes afinados, os agudos bem acentuados. Assim como o nosso amor, se assim o podemos chamar. Não, pensando melhor, amor não. Ainda não. Cumplicidade, relata melhor cada pormenor. 
É a musica que toca e acelera o coração sempre que por mim passas. Chamem-me sentimentalista que cada vez me importo menos. E, oh, sabes o que te digo para me despedir? Somente, um pequeno "verso". «And she will be loved.». 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Diário da tua ausência #2

É bom poder imaginar-te. Comigo ou até mesmo somente ao meu lado. O pior é ter de abrir os olhos e perceber que nada daquilo é real. Nada daquilo pode ser palpável ou audível. E a vontade de te ter comigo? Não, não ficou no cimo das montanhas. Essa veio comigo, caminha sempre a meu lado. Pesa, pesa muito. E magoa o coração, porque já está crescida. É grande, muito vingativa. Cuida de mim, mas, quando te vê, perde o controlo total. E onde fico eu? Fico a consolar o coração, claro está. E este, por sua vez, é pequenino. Do tamanho de uma ervilha, confesso-te. Mas guarda todo o sentimento, todas as recordações. E o teu nome ronda-o sempre. Já nem pede permissão, sabe que não necessita. E já nem sei se é bom ou mau. Não te ter aqui acaba por me levar na maré. E o lado negro é não saber se esta me trará de volta.  

domingo, 20 de maio de 2012

Diário da tua ausência #1

O meu coração está calmo. Demasiado até, para te ser sincera. Não sei se é por estar a falar sobre e para ti, mas, agora, também não importa. Nada importa quando narro para ti. Tens um olhar tão bonito. Um olhar que cativa, chama a atenção. Um olhar sincero, marcante.
Estou a imaginar-te aqui ao meu lado. Com esse teu cabelo todo despenteado, mas que sempre te fica bem. A contares-me uma história. Tanto faz qual, pode ser a da tua vida, até. Sei que és um livro aberto, por isso, nada me espanta se o fizeres. Agarrado à minha alma com a finalidade de a decifrar. Em poucos minutos saberias capta-la e interpreta-la, não tenho dúvidas. 
Vou deitar-me e vou chamar a lua para tentar desenhar-te no céu. Pode ser que assim me protejas até mesmo nos sonhos. 
«Apaga a luz.», dizer-te-ia se tivesses aqui. Boa noite, meu gigante.