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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Resumi-me a palavras narradas na esperança de um amanhã melhor. Tranquei-me em ti e revelei-me melhor do que outrora. Não comandei o coração. Este mesmo fizera o trabalho sozinho. As palavras ganharam alento e exploraram o melhor da vida. Tatuei na alma o segredo da solidão: não deixes o que é teu afundar na escuridão. Escutei-te até ao fim. Não interrompi, não falhei. Limpei as tua lágrima e fiz com que estas não se afundassem no teu rosto. Cantei para ti. Sussurrei-te palavras bonitas ao ouvido. Embalei-te na mais bela melodia que conheço. Proferi versos de Garrett até entenderes o verdadeiro valor e estima que as palavras significam e têm em mim. E apaixonei-me por ti. Da primeira à ultima vez que te vi. 

domingo, 24 de junho de 2012

O vento sopra forte e o meu corpo reage. Erga-se e ilumina-se. Está fraco, tomba a cada segundo. Não tem esperanças, não confia. As pernas tremem, os braços vibram. Desata a chover. A alma molha-se e o meu corpo balança. Fico de joelhos, então. Abraço-me à cruz que trago ao pescoço e peço aos anjos uma dose de força, de sol, de harmonia. O tempo passa, a vida continua. O desejo ardente quase explode no meu pequeno esófago e tenho os lábios secos. Abro a boca e sou inundada pela chuva cortante que quase me inunda o rosto. Os pensamentos de derrota rapidamente voltam ao inferno e inspiro com força. O objectivo da vida é - sempre - continuar. Tento beber água, mas pressinto não ter tempo para tal. Agarro-me com força a um objecto inimaginável. Não observo com atenção, o que faz com que não consiga entender do que se trata. Abro os olhos com força. Há muito que me sinto extinta. Um novo fervor me presenteia. É o inicio de um velho e inacabado fim. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Eu perguntei-te se, mesmo estando deitada numa cama de hospital ou tendo um aspecto horrível, tu me virias buscar. E tu olhas-te para mim, sorriste e baixas-te a cabeça, logo de seguida. Como quem não quer a coisa e foge ao dar uma resposta concreta. E eu confiei em ti. Deixei-me levar. Lavei as almofadas em lágrimas e mal tratei as bonecas de porcelana que estariam em cima da mesinha de cabeceira, se nada tivesse acontecido. Agarrei no colar da mais pequena e dei um nó para que tivesse a medida exacta do meu fino pulso. «Hope», estava já lá escrito. Acrescentei pozinhos mágicos que tinha guardado no bolso. Fui ao país das Maravilhas e decidi escrever uma carta ao gato risonho em modo de despedida. Disse que não estava disposta a mais mudanças e a mais contratempos. Ele, carinhoso como sempre é, prometeu-me proteger e ajudar. 
Depois, abri os olhos e lá estavas tu. Exactamente ao pé de mim, com a tua mão na minha. «Vou estar aqui até mesmo quando tiveres bengala e o rosto com rugas. Ficas comigo, também?». Dei-te um beijo na testa como sinal de afirmação. «Oh, como és lindo, meu amor».