sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"Hoje, não venho falar de amor. O amor morreu no dia em que partis-te, apesar de eu continuar a escrever sobre ele. Eu hoje, venho falar sobre toda a saudade de momentos não vividos. Porque amar cansa, e é destinado aos fortes. Deixa-me relembrar essas recordações passageiras, reerguer as minhas vontades, fazer de conta que sou mais meu do que dos outros. Eu tenho essa mania de dar. Dar tudo. Entregar assim mesmo, de mão beijada os meus segredos. Não quero falar de amor porque desaprendi o seu significado. Sim, também o perdi. Perdi todo e qualquer resquício de compaixão ou afeição. É pedir muito querer ficar só? Deixa-me tentar manter de pé os meus castelos, não viver por ninguém. Gosto de me prender ao vazio. É errado? O vazio pelo menos não destrói. Dele eu não passo. Ou fico ou saio. Conforto-me na incredulidade, porque o “crer” depende das circunstâncias. E as actuais não são nada boas. Eu sei, é repugnante pensar que alguém é quase ou totalmente ausento de sentimentos. E eu não sou, só finjo. A aparência, o mostrar-se forte, valem mais que o ser. Que o sentir, de facto. Eu não quero falar de amor porque ainda dói. Ainda é viva aqui, a marca do último olhar.  O destino é continuamente reescrito e esconde as suas mãos. Não é à toa que nada disso faz muito sentido. Eu amei implorando uma resposta para uma pergunta que nunca fiz. Eu sinto saudades, confesso. Criei uma personalidade inexistente, tentei enganar a minha fragilidade, quis fugir da minha essência, negar os meus medos e esconder a minha timidez. Tudo isso em troca de um adeus que eu nunca dei. Eu não quero falar de amor porque há amor em tudo. Ou apenas excesso em mim. Porque eu desmancho-me em lágrimas quando citam o teu nome e não encontro força para voltar atrás. Diz-me, aqui, baixinho mesmo, onde foi que nos perdemos? Eu preciso retomar as rédeas da minha vida, desprender-me de toda essa banalidade super valorizada. Eu não quero falar de amor porque, no fundo, eu sou só isso. E não o quero ser. Não quero ser um fantoche mais uma vez, um coração a lutar por dois. Espírito forte e a carne fraca, com a tristeza estampada no rosto por não ter com quem dividir momentos ou fraquezas. Aquelas histórias engraçadas ou o sonho da noite passada. Hoje eu não quero falar de amor, quero inverter os papéis. Tu sentes e sofres. Eu só lamento. Lamento muito."


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domingo, 25 de setembro de 2011

As lágrimas insistem em caírem no meu rosto. O sorriso que demonstro às pessoas já não é o mesmo. Tornou-se falso e fraco, mas pelos vistos, ninguém repara. Todos dizem preocuparem-se, mas no final de contas, só estão presentes dois ou três amigos verdadeiros. Mas eu não quero ficar assim para sempre. Eu sei que, lá fora, está um dia bonito, onde pessoas felizes andam de um lado para o outro, todas atarefadas. E as que não estão felizes, andam de cabeça baixa aos encontrões com as outras. Mas pelo menos, sobrevivem. Não se fecham num Mundo, onde ninguém pode entrar excepto aquelas que têm vivido uma boa dose de desilusões. Essas afastam todos num só segundo. Não por quererem, mas porque têm medo. Medo que essas pessoas façam o mesmo que outras lhe fizeram no passado. Porque, esquecer, ninguém esquece, apenas desculpam ou ignoram. E até "esquecerem", terão sempre medo do que poderá vir a acontecer.

sábado, 24 de setembro de 2011

Sem Medos- XXXIII

Momentos depois:
-Já podem entrar.- Sorriu.- Mas tenham cuidado, porque ela ainda está muito frágil. 
(...)
Entramos no quarto e vimos a Ana ao lado do Jonny. Ambos estavam em mau-estado, mas o Jonny era o que estava pior. Ainda não tinha acordado do coma. A Ana batera com a cabeça na janela com alguma força, o que chegou para lhe fazer um pequeno golpe na testa. Ouvimos a Ana a rezar para que Deus ajuda-se o Jonny. Decidimos bater à porta:
-Podemos entrar, filha?
-Pai.- Abraçou-me. Sentia-a da mesma maneira de quando ela nasceu. Pequenina e frágil.
-Como é que estás, mana?- Interrompeu o Pedro.
-Estou bem, foi só um susto, para mim. Para o Jonny é que não foi .. 
-Ele vai ficar bem, querida. Mais uns dias e já o tens lá em casa, como antes.-Disse o meu pai de forma a encorajar-me. 
-E se isso não acontecer, pai? O que é que vai ser de mim?
-Atitude positiva, querida. Não vamos falar do que poderá vir a acontecer. 

 (Continua ..)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

 E quando precisamos de ter alguém do nosso lado nos momentos mais difíceis, esse alguém nunca aparece. 
(...)
Estou farta de promessas quebradas, de frases inacabadas e de pessoas que não têm noção do sofrimento que provocam. Sabem, a mentira nunca é verdadeira. 
Estou farta de dar apoio aos meus amigos e no final, não receber nada da parte deles. Não quero presentes nem favores, nada disso. Quero amizade verdadeira e pura, simplesmente. Não me venham com coisas de grande valor, porque eu não as quero para nada. Serão só mais umas para pôr dentro da caixa das recordações. Não me prometam um 'para sempre' porque eu apenas quero ter um 'Hoje' bem vivido. Porque, cada um, escolhe o seu próprio caminho.
E sabem, devido a estas promessas quebradas, mudei. Há quem diga que me tornei mais distante, outros dizem que me tornei mais forte. Eu acredito nas duas coisas. Tornei-me mais distante de todos, ou seja, construí um escudo para proteger a minha felicidade. Já não prometo muitas coisas, não confio logo nas pessoas, nem oiço o que dizem sobre mim, em meu redor.
E sabem? Já não me interessa muita coisa, porque o importante, já foi destruído.

domingo, 18 de setembro de 2011

Sem Medos- XXXII

-Nunca mais chegamos. Já-me dói as mãos de estar ao volante. E nem sequer posso estar agarrado a ti a dar-te mimos.- Lançou-me um olhar maroto.
Ri-me.
-És tão tolinho. Concentra-te, vá. Os mimos ficam para daqui a um bocadinho.
-Olha, que não me vou esquecer do que disseste.- Beijou-me.
-Ai meu Deus, cuidado! Estás louco? Estamos na auto-estrada, amor. Cuidado.
-Oh isto está tudo controlado. Um olho na estrada, outro em ti. 
-Sabes muito, é o que é.- Deitei-lhe a língua de fora.
Ele beija-me de novo e, quando olho para frente, percebo que um dos carros que vem na auto-estrada, vem mesmo de encontro a nós.

                                               * * *
Em casa:
-Pedro, atende o telefone, que eu estou a fazer o jantar!
-Vou já, Pai.- Atende o telefone.- Estou sim? Boa tarde .. Não, não, o meu pai agora de momento não pode atender, mas passa-se alguma coisa? .. Como?! .. Ela está em que hospital? Está bem, nós vamos já para aí, obrigado.- Desliga o telefone.
-Está tudo bem, filho?
-Pai, a Ana e o Jonny tiveram um acidente.
-Ai não .. Como é que eles estão?
-Não se sabe ainda. De momento, só sei onde se situa o hospital onde eles estão. 
-Vamos já para lá.
                                                * * *
Estacionamos o carro no parque de estacionamento e fomos a correr para o interior do hospital:
-Desculpe, pode indicar-me em que quarto está a minha filha?
-Diga-me só o nome dela.
-Ana Costa.
-São os familiares?
-Somos.
-De momento, ainda não a podem ver. Ainda está em observação. Mal que possam ir vê-la, eu informo-vos, está bem?

(Continua ..)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

É sempre o mesmo. Esperar que alguém mude, acaba sempre por criar ilusões. Tu disseste-me que tinhas mudado e para melhor, juraste-me que não me ias fazer sofrer mais, prometeste-me que, apesar de tudo, nunca me ias deixar com um aperto no coração, mas acabas-te por fazer o aposto. Eu esperei tanto tempo por ti! Mas, depois, o que mais me espanta, é que fazes sempre o mesmo: antes de saíres, olhas para mim, e vês-me com lágrimas nos olhos .. mas, parece que não te importas. Acabas por abrir a porta, e saís. Agora, diz-me, sinceramente: achas justo o que estás a fazer comigo e com o meu pequeno órgão chamado coração? Se pensas que me vou fechar de novo no meu mundo, sem ter ninguém por perto, esquece. Não o vou fazer de novo. Já bem basta ter acreditado em ti.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sem Medos- XXXI

Acabamos por chegar a casa às 16h30, mesmo à hora que tinha combinado com o Jonny. Quando entrei em casa, reparei que o meu pai e ele estavam a falar. E pareciam animados.
-E viu a Ressaca? Aquilo sim é um filme. Ri-me tanto que até me ficou a doer a boca o resto do dia!
-É um filme super engraçado, sim .. - Parou de falar.- Olha quem chegou!
-Olá pai.- Dei-lhe um beijo na testa.- Jonny, já por cá?- Beijei-o.
-Sim, vim um bocadinho mais cedo, mas já sei que os meninos foram às compras. Onde é que estão os sacos?
-Não estão.- Respondeu o meu irmão.- Nunca queiras ir às compras com a minha irmã, ela exprimenta mil tipos de roupas e adora todas, mas depois, decide não comprar nada.- Riu-se.
-É, claro .. Fazer compras com o meu maninho mais novo é que não dá com nada.- Deitei-lhe a língua de fora.- Estamos a brincar.
-Ou não .. - Riu-se.
-Já vi que se divertiram.- Disse o meu pai.
-Bem, vamos para o meu quarto, Jonny?
-Claro.- Sorriu.
-Juizinho, meninos!
(...)
-Meu amor, vamos dar uma voltinha.
-Queres ir onde?- Sorri.
-Não sei, eu não conheço nada desta cidade.
-Podemos ir a Santiago de Compostela. Aquilo é tão giro. Vou lá quase todas os meses com o meu pai. Vais adorar!
-Vamos lá. Do que é que estamos à espera?- Beijou-me a testa e caminhamos até ao carro.

                                                   (Continua ..)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sem Medos- XXX

Cada vez tinha mais a certeza que amava o Jonny. Ele era o Homem da minha vida. E aquela carta, só serviu para provar o que estou a dizer. Acabei de a ler e fui logo para casa. Deitei-me um pouco e li-a mais uma vez, mas acabei por adormecer.
(...)
-Pedro, acorda! Já viste que horas são?
-Deixa-me dormir só mais um bocadinho.
-Jonny, são onze horas! Onze!
-Oh Santo Deus, já é tardíssimo. Dá-me 10 minutos para me despachar. Já vou ter contigo.
(...)
-Até que enfim, madame. És pior que uma rapariga!
-Eu não me demorei assim tanto ..
-Não, que ideia, então ..
-Pronto, atrasei-me uns minutinhos, mas já estou aqui. Vamos embora?
-Já deviamos de estar lá!
-Calma, miúda. Foste feita à pressa.- Riu-se.
-E à pressão, parvo!
(...)
Acabamos por almoçar no centro comercial, porque restava-nos pouco tempo para comprarmos o presente. Entramos em mais de 40 lojas e o meu irmão não gostou de nada. Lá me lembrei de uma loja que a minha melhor amiga adorava e que, pelos vistos, o meu irmão ficou fã. Comprou um porta-chaves com um coração e com uma chave. E pelo o que ele diz, é a "cara" dela.

(Continua ..)

sábado, 10 de setembro de 2011

Sem Medos- XXIX

Quando o pai e o meu irmão adormeceram, decide ir dar uma volta. Não tinha sono. E não tinha tensões de ficar fechada no quarto a ver televisão ou a "navegar" pelo facebook. Entretanto, decidi levar a carta do Jonny. 
Fui dar uma volta ao pé do rio. Só se viam casais a namorarem e a darem passeios de mãos dadas, como eu e o Jonny costumávamos fazer. Senti-me sozinha. E então, lembrei-me das palavras dele, quando me deu a carta: " Quando te sentires sozinha, lê-a. Vais ver que te vais sentir melhor."
«Meu doce amor,
Desde que surgiste na minha vida que se tornou dificil imaginar uma vida sem ti ao meu lado. Sabes, tenho a sensação que procurei por ti todos estes anos. 
 Tu completas-me de uma forma tão profunda, que é impossível explicar através de meras palavras. Sem ti falta-me o chão, falta-me a segurança que me transmites através de um simples sorriso, falta-me sempre a certeza de estar a fazer o mais correcto ou o melhor. Sem ti também me falta o céu e os sonhos. 
 Estes tempos, não tem sido fáceis para ti. Aliás, a vida vai ser sempre assim. Dificil e injusta. Perdemos alguns dos que mais amamos, mas ficam outros. Mas, nunca ninguém preenche o lugar de alguém que já partiu. 
Amar e ser amado por ti é a melhor sensação deste mundo e do outro. Contigo sinto-me feliz e poderoso. Tenho sempre saudades tuas , mas é uma saudade "boa" de sentir. Uma saudade doce, terna e tranquila, porque sei que também sentes saudades minhas. Assim que os meus olhos encontrem o brilho do teu olhar, o sorriso da tua boca, a alegria volta imediatamente. É dificil de explicar, mas é fácil de compreender. Chamam-lhe de amor. E eu, tenho a certeza, que é disso que se trata.
 Estarei sempre aqui para ti, de braços abertos para te abraçar quando te sentires perdida, triste ou confusa. Nunca vais estar sozinha. 
Um beijinho enorme e um amo-te sincero, 
Jonny. »

(Continua ..)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sem Medos- XXVIII

O jantar correu bem, aliás, para a situação que nós estávamos a passar, o jantar correra muito bem. O meu pai fez um esforço enorme para nos por à vontade, e até conseguiu. Afinal, com esforço e dedicação, tudo se consegue. O meu irmão parecia outro rapaz. E pelo o que o meu pai me contou, ele tem namorada! Finalmente, alguém que o possa fazer mudar.
-Posso, mana?
-Claro que sim. É tão bom ter o meu maninho de volta.
-Ai, fui tão estúpido durante este tempo todo. E só quando perdemos alguém que nos é importante, é que percebemos o quanto erramos.. Mas bem, vim aqui pedir-te uma ajudinha.
-Uma ajuda? Hum, o que é que fizes-te desta vez?
-Desta vez, não fiz nada. É que eu não tenho jeito nenhum para comprar prendas para raparigas .. E pensei que me pudesses ajudar.
-Aposto que é para a Joana.- Ri-me.
-O pai já te andou a informar das novidades, estou a ver.
-Claro, mas então? Queres que vá às compras contigo?
-Sim, se não for pedir muito.
-Ai és tão tolo. Claro que não é pedir muito.- Sorri.- Então, amanhã, vamos lá quando acordarmos, pode ser?
-Sim, sim, claro.
-Está combinado. Bem, agora vou me deitar que estou cansadita .. O dia de amanhã, pelo que estou a ver, vai ser longo.
-Está bem.- Beijou-me a testa.- Dorme bem e sonha com o Jonny.
-E tu com a Joana.- Deitei-lhe a língua de fora.
-Podes crer que sonho.
-Estás tão apanhadinho.
-Olha quem fala.- Riu-se, apagou a luz e saiu.
Mas, eu ainda não ia dormir. Ainda, tinha uma coisa para fazer primeiro ..

(Continua ..)
"Ás vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo. Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer ."


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sem Medos- XXVII

Fui para o meu quarto descansar um pouco. Acabei por adormecer durante uns minutos, mas acordei com o meu irmão a chamar-me:
-Ana, acorda.- Sorriu.
-Ai, adormeci, meu Deus. Estava tão cansada ..
-Já fiz o mesmo que tu, à bocadinho.- Deitou-me a língua de fora.- Mas vim aqui só para te mostrar uma mensagem.
-É de quem?
-Da tua melhor amiga. Pelos vistos, já não falam à imenso tempo.
-Ai, podes crer .. Nunca mais a vi. O que é que ela disse?
-Lê.- Deu-me o telemóvel.- Fala com ela, um bocadinho. Depois, vai lá entregar-mo.
-Está bem, obrigada, mano.
Mensagens - caixa de entrada - Mariana (amiga da sis) :
« Miúda, andas desaparecida, nunca mais soube nada de ti .. Já sei o que aconteceu à tua mãe. Como é que estás? Lamento imenso pelo que estás a passar. Qualquer coisa, estarei sempre aqui para ti, como sempre estive. Mas já sabes, melhores dias, virão. Força, beijoca* »
Criar mensagem:
«Não estou bem, mas é normal .. Melhores dias virão, claro, mas uma mãe não vale por outra pessoa. O que mais me está a custar é saber que nunca mais vou poder vê-la .. Mas, pronto. Obrigada pelo apoio, tens sido uma grande amiga. Beijoca»
(...)
-Posso entrar, mano?
-Claro, entra. Já falas-te tudo com a Mary?
-Já sim, obrigada.- Entreguei-lhe o telemóvel.- O pai mandou me chamar-te, vamos jantar.
-Hum, vou já descer, então, deixa-me só terminar aqui a conversa com a Joana.
-Está bem. -Sorri.- Antes que saia, deixa me dizer que gosto muito mais de ti assim, todo querido.- Dito isto, fechei a porta do quarto dele e desci para jantar.

(Continua ..)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sem Medos- XXVI

-Desculpa a demora, Jonny, mas .. - Não acabei a frase. O Jonny pôs-me o dedo à frente dos lábios para me fazer calar e beijou-me durante imenso tempo.
-Como é que tu estás? 
-Não estou bem .. Mas, vou indo. E tu?
-Estou mal ao ver-te assim,  como é de esperar. Fiquei preocupado quando sais-te de casa. Não me disseste nada, meu bem. 
-Não consegui, amor. Só de pensar que ..
-Não precisas de continuar a frase. Eu entendo que tenhas ficado preocupada com a tua mãe.- Sorriu e pôs-me as mãos no rosto.- Tu vais ficar bem, eu sei. Melhores dias virão.
-Oh Jonny .. - Comecei a chorar.- Está me a custar tanto! Aconteceu tudo de uma maneira tão inesperada!
-Eu sei disso, amor. Eu fiquei no mesmo estado quando o meu irmão faleceu. Mas sabes, eles não nos querem ver mal. Os primeiros tempos custam sempre, mas depois, acabas por ficar melhor. 
-Achas mesmo?
-Claro que sim.
-Amor?
-Diz, princesa.
-Ficas-te chateado ao saber que não vou voltar? 
-Não. Eu sei que, agora, deves de estar a 100 % ao lado do teu irmão e do teu pai. Eles precisam de ti. Nós podemos esperar. Vamos ter tanto tempo. 
-Exactamente.- Sorri.
(...)
-Bem, vou ter de ir andando .. Está se a fazer tarde e ainda tenho uma longa viagem para fazer. Sim, porque viveres no Porto não dá com nada. - Deitou-me a língua de fora.- Mas antes de ir, tenho uma coisa para te entregar.
-O quê?
-Pediste-me para que te respondesse à carta que me mandas-te. Cá está ela. Quando te sentires sozinha, lê-a. Vais ver que te vais sentir melhor. 
-Obrigada, Jonny.-Beijei-o.- Faz boa viagem e tem cuidado. Liga-me quando chegares. Amo-te!
-E eu a ti, meu amor. Venho ver-te de novo amanhã, está bem?
-Cá estarei à tua espera.- Sorri.

(Continua ..)

P.S.- Meus amores, a história está a chegar ao fim (e ele não vai todos os dias ao Porto! Vocês, no próximo capitulo, vão entender). Obrigada, kiss's!

Sem Medos- XXV

Esperei dias e dias sem saber do Jonny. A morte da minha mãe tinha me deixado devastada. Sem forças para correr atrás de quem eu mais amava e de quem eu mais precisava. Sentia saudades dele, mas eu não conseguia sair de casa, naquele estado. Parecia que os olhos borrados de tanto chorar, se tinham tornado no meu estado actual. Nunca tinha perdido ninguém que me era querido. Os meus avós tinham falecido antes de eu nascer, o que não me fez sofrer tanto. Agora, devia de estar a pagar a duplicado. Perder uma mãe é como perder metade do vosso corpo e a totalidade da vossa felicidade.
(...)
-Filha, posso?
-Claro, pai, entra..- Limpei as lágrimas.
-Tens aqui alguém que te quer ver.
-É o Jonny?
Acenou com a cabeça.
-Posso dar-te um conselho?
-Estás à vontade.- Tentei sorrir.
-Vai ver-te ao espelho. Agora.
-Mas..
-Ele espera.- Sorriu.- Vá lá, segue o conselho do teu Pai.
 Pus me de frente para o espelho e logo de seguida deixei-me cair na cama.
-Apesar de estares borrada e suja, de estares magoada e triste, de costas voltadas para a vida, lembra-te que ela não para. Ela continua, o relógio não pára nem perde as "pilhas". Tens de ser forte e grande o suficiente para perceberes que a tua mãe também não está bem se vir, do céu, a filha neste aspecto. Nenhuma mãe fica feliz por ver a filha desiludida, sem vontade de viver. Ela foi embora, sim, mas já pensas-te se ela estivesse aqui neste momento? Ela não estaria bem. E isto vai custar-me dizer-te mas, mais vale ela ter partido logo, do que estar a sofrer mais ao passar dos dias.
Tentei sorrir mais uma vez, mas foi em vão. Em vez disso, libertei mais uma lágrima.
-Agora, mete-me um sorriso nessa cara linda, e encara a vida como ela é. Ninguém disse que a realidade era fácil de ser vivida, não é? Só disseram que valia a pena vive-la.
Dito isto, fui vestir uma roupa nova, fui lavar a cara e desci as escadas. Estava na altura de encarar a realidade.

                                              (Continua ..)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

"Longe de ti, longe do Mundo, longe de quem realmente sou."


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Sem Medos- XXIV

Mal cheguei a casa, fui direita ao meu quarto. Custa-me ver as molduras com fotos da minha mãe, comigo, com o meu pai, com o meu irmão ou com quem quer que fosse. A casa parecia outra. Faltava-lhe aquela alegria; faltava a voz da minha mãe ecoar pelas paredes para chamar-nos para jantar. Ela partira à pouco tempo e eu já estava a morrer de saudades.
(...)
Limpei as lágrimas que insistiam em cair no meu rosto e comecei a escrever a carta para o Jonny:

«Querido Jonny,
Desculpa ter saído de casa, sem te ter dito nada. O meu irmão não foi lá para me insultar, ao contrário do que nós pensávamos. Ele foi lá dizer que não estava nele, naquele dia e pediu-me desculpas. E sendo meu irmão, não consegui dizer-lhe que não. 
Agora, vem a parte pior .. A minha mãe, teve um acidente. Foi para o hospital, entrou em morte cerebral e o coração, acabou por parar de bater. Não é justo, pois não? Todo este tempo pensei que ela ainda poderia ver-nos a casar e ensinar aos nossos filhos, tanto como me ensinou a mim. Está a ser tão dificil lidar com esta situação que te escrevo com lágrimas a escorrerem-me dos olhos. Não te liguei porque não sei onde deixei o telemóvel. Mas isso, agora, também não é o mais importante .. 
 Jonny, custa me escrever isto, mas eu não vou voltar. Não é por não ter gostado da "estadia" nem de ti, mas o meu pai e o meu irmão precisam de mim, cá em casa. Vou sentir a falta dos beijos de boa noite, dos nossos passeios ao luar, das nossas conversas até à madrugada do dia seguinte. Mas, eu não quero, que tudo o que criamos, acabe.  Eu amo-te e não quero que nada nem ninguém estrague o que temos. Os tempos têm sido difíceis, mas eu ainda acredito que melhores dias virão. Por favor, desculpa-me e escreve-me de volta para saber noticias tuas.
Com todo o meu amor e com um grande pedido de desculpas,
 Ana.

(Continua ..)
"Olá, eu sou o amor. Estou presente na vida de todos. Transformo a tua vida, deixo-te idiota e faço te rir do nada. Muitas pessoas ficam tristes comigo, porque acham que eu chateio, porém não sou eu que te faço sofrer, é a ilusão. Eu gostava que todos fossem felizes juntos, mas a distância impede isso. Mas ouve uma coisa, um dia, irei fazer-te feliz."


domingo, 4 de setembro de 2011

Sem Medos- XXIII

O tempo passava cada vez mais rápido, pensava eu. A minha mãe não podia ter partido assim. De uma forma tão rápida, tão injusta.
-Como é que estás, filha?
-Sem reacção, pai .. Ela não merecia um final destes.
-Não merecia mesmo .. Mas, agora, já não há nada a fazer.
-Eu sei, pai, mas sempre pensei que ela iria assistir ao meu casamento. Pensei que pudesse conhecer os meus filhos e lhes pudesse ensinar tanto como me ensinou a mim. Pensei que pudesse ajuda-la a subir as escadas quando ela estivesse com dores nas pernas por causa da velhice .. Agora, não posso fazer nada disto, porque ela .. já não está cá.
-Lamento tanto, filha.
-Eu também, muito mesmo. Mas, é como tu dizes, agora já não há nada a fazer.
(...)
-Vamos para casa, queridos.. O funeral já está marcado.
-Vai ser quando?
-Amanhã, lá para as 10h.
-Está bem .. Vou ligar ao Jonny. Ainda não lhe disse nada. Dão-me uns minutos?
-Está à vontade, filha. Nós vamos andando para o carro, depois, vai lá ter.
(...)
Mas onde é que eu meti o telemóvel? Já o procurei em todo o lado e ele não me aparece em lado nenhum. O mais provável é eu te-lo deixado cair, não sei .. Agora, só posso falar com o Jonny enviando-lhe uma carta. Bonito .. A sorte não está mesmo do meu lado!

(Continua ..)