Tenho os nós dos dedos carregados com um vermelho vivo intenso. Estou pálida, um pouco perdida no meio de inúmeros pensamentos. Vêm-me à cabeça palavras auto-destruidoras e memórias de um passado sem fim. Arrepio-me e tenho os cabelos pregados à testa. «Tenho medo.», sussurro. Ninguém me ouve. Ninguém me quer ouvir. Entretanto, entro no meu próprio mundo. Um compartimento sem janelas, que não dispõe qualquer tipo de vista para o mar ou para a terra. Não há vida. É a diferença existente entre o universo real e o meu mundo à parte. Em parte, pareço-me com um terço das crianças autistas existentes no universo. Tal como elas, preciso de um espaço que me faça abstrair dos problemas criados e das pessoas existentes que provocam dor à minha alma.
Sinto um rio de sangue escorrer-me pela sobrolho e calculo ter-me esforçado demasiado. Até o meu mundo mais secreto desabou.