terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sem Medos- XXII

-Oh mãe ..
-Querido isto também é para ti, - Aperta a mão do meu pai.- apesar de todas as discussões, vocês são as pessoas que eu mais amo à face da Terra. E quero que saibam que cada um de vocês tem um valor diferente do outro. Ainda me lembro, quando mudava as fraldas à Ana; quando ia ao cinema e o Pedro mandava sempre o pacote das pipocas ao ar e ainda me lembro do dia em que me casei com o vosso pai. Vocês são simplesmente a melhor família do Mundo. E não pensem que isto é uma despedida, porque não é. É apenas um breve 'até já'. E sempre que tiverem saudades minhas, olhem para o céu, e olhem para a estrela mais brilhante, aquele que será a primeira a pôr-se e a ultima a ir-se embora. Serei eu a olhar por vocês.-Fechou os olhos. Olho para o monitor e vejo uma linha recta, mas continuo na esperança de ver uma alteração nela. Mas, depois, sinto o seu coração a parar de baixo da palma da minha mão. Foi aí que me apercebi que a minha mãe, já não estava "cá". E nunca mais iria voltar.
-Mãe! Não, mãe, por favor!- Dou a mão ao meu irmão.
-Já não há volta a dar, querida .. 
Abracei-o com toda a força que tinha, apesar de, naquele momento, ser pouca aquela que ainda me restava.

                                                      (Continua ..)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sem Medos- XXI

-Vou apanhar um táxi e vou até ao hospital ver a mãe. Vais lá ter?
-Tu vens comigo, no meu carro, estás nervosa,  não te vai valer de nada ires sozinha. Assim, fazemos companhia um ao outro.
-Está bem, vamos lá.
(...)
-Filha.- O meu pai tenta abraçar-me, mas foi uma tentativa em vão.
-Não me toques!
-Ana, ouve-me, quem me dera que tudo isto não tivesse acontecido. Eu amo a tua mãe! Achas que é facil vê-la numa cama de hospital?
-Amas? Quem diria ..
-Por favor, Ana! É nestas alturas que se vêm quem são realmente os nossos amigos.- Põe as mãos sobre a cara.
-Pai, desculpa .. Só que me custa entender isto tudo. Primeiro decidem separar-se, depois discutem e agora.. agora a mãe está deitada numa cama de hospital.
-Olha, vem aí o médico.- Levanta-mo-nos num salto.
-Então, como é que ela está?
-O sua mulher está gravemente ferida, e acordou agora do coma.
-Podemos ir vê-la?
-Podem, mas não demorem muito. Ela precisa de descansar.
(...)
-Mãe! Como é que te sentes?
-Não muito bem, mas sentem-se aqui, ao pé de mim, um pouco.

                                              (Continua ..)

domingo, 28 de agosto de 2011

Sem Medos- XX

O meu namorado saiu do meu quarto com cara de quem parecia não estar nada contente com a situação, mas se o meu irmão estava ali, por algum motivo, era:
-Então, vieste aqui fazer o quê?
-Ana, por favor, ouve-me. Eu não queria que tivesse acontecido o que aconteceu ..
-Tu bateste-me!
-Sim, bati-te, mas eu não estava em mim. Eu tinha bebido antes de ter vindo cá, e estava alterado. Não estava em mim, tu sabes!
-Será que sei? À dias que andas assim, tratas mal toda a gente, refilas com todos. Já me atiras-te à cara que sou eu quem tem culpa do fim do casamento dos nossos pais, mas nunca me tinhas batido!
-Por isso mesmo é que vim cá a casa! Achei que pedir desculpas pelo telemóvel não iria resolver nada.
-Vá lá, por menos, tiveste alguma vergonha..
-Mas, não foi só isso que me trouxe cá, Ana.
-O que é que se passou? Já sei que quando começas a falar assim, é porque aconteceu alguma coisa grave.
-E aconteceu, mana.- Abraça-me e desata a chorar.
-Calma, calma. - O meu irmão nunca tinha chorado daquela maneira à minha frente.-O que é que aconteceu? Eu estou aqui.
-A mãe e o pai discutiram hoje de manhã porque ela partiu a garrafa de licor que o pai tinha guardado à anos.
-E ..
-E o pai, começou logo a atacar a mãe. Disse lhe coisas tão feias, Ana. Eu nunca o tinha visto assim. E a mãe saiu de casa triste e magoada com as coisas que o pai lhe disse, e, ao atravessar a estrada, não viu o carro que vinha atrás dela e foi atropelada.
-A mãe foi o quê?!
Estas palavras ficaram a ecoar na minha cabeça tanto tempo, que só tive tempo, de pegar no telemóvel e sair de casa.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Queres saber como tratar uma rapariga? Então, está bem. Nunca a faças ficar triste, diz sempre o quanto ela é linda, mesmo quando está de pijama e cabelo despenteado. Chama-a de'pequena' e 'minha linda.' Beija-a na testa, e trata-a com muito carinho. Qualquer rapariga ama isso. Faz-la sempre sorrir, quando ela estiver triste, e irrita-a até conseguires arrancar gargalhadas. Dá apelidos fofos, e deixa-a ganhar no video game pelo menos uma vez. Não precisas de um cavalo branco e de uma coroa para seres o príncipe da vida de alguma rapariga.

Ando farta de sofrer por causa de uma pessoa que nem sequer vale a pena. Farta de estar dias e dias fechada em casa, com os auriculares nos ouvidos só para estar sozinha e em silêncio a pensar no teu sorriso. Farta de te ver passar na rua e nem sequer me dirigires um 'olá'. Estou farta de te ver todo 'garanhão' só porque tens 2 ou 3 raparigas atrás de ti. Estou farta desse teu feitiozinho de porcaria que eu tanto admiro. Estou farta desse teu olhar que passa por todos os sítios impróprios dos corpos das raparigas. Estou farta de me sentir farta, fraca ou até mesmo miserável por tua culpa. Estou farta de ti, das tuas mensagens e dos teus telefonemas. Estou farta de escrever para ti e sobre ti. Estou farta de carregar este amor às costas. Por favor, desaparece pela portinha do meu coração, exactamente pela qual entras-te.

                                          (Desculpem o desabafo) 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sem Medos- XIX

 O passeio de barco correu na perfeição. Foi dos melhores passeios que alguma vez tive e poderia ter. Tinha o homem da minha vida a meu lado, do que é que eu precisava mais? Amava-o tanto, que me arrisco a dizer que o amo mais do que amo a minha própria vida.
-Então, a menina gostou?
-Se gostei? Adorei, meu amor! Foi a coisa mais bonita que me fizeram em toda a minha vida!
-Que exagero .. - Coloquei o dedo sobre os lábios dele num movimento para o fazer calar e beijei-o.
-Vamos para casa? - Perguntei eu.
-Se quiseres.- Sorriu.
-Sim, amor, por favor.
(...)
-Queridos, posso entrar?
-Ah claro que pode.- Disse a sorrir.- Precisa de alguma coisa?
-Não, não, só que está aqui uma pessoa que quer falar contigo pessoalmente.
-Comigo?
-Pode entrar ..
Oh meu Deus, eu não podia estar a ver bem. Estava ali, o meu irmão, em pé, diante de mim, à espera de falar comigo.
-Jonny, vem comigo arrumar umas coisas alí à cozinha.
-Nem penses, mãe! Ele não pode ficar aqui sozinho com ela.
-Ouve, meu, eu não lhe vou fazer nada, dou-te a minha palavra.
-Como se a tua palavra valesse de muito neste momento. Juro que se lhe tocas ..
-Jonny, vamos dar-lhe uma oportunidade de se explicar. Eu vou já ter contigo, prometo.
-Está bem, tu é que sabes .. Se precisares de alguma coisa, chama-me, amor!

                                                  (Continua ..)

sábado, 20 de agosto de 2011

"A vida é mais ou menos como um balanço, algumas vezes perto do céu, outras, bem perto do chão… Mas nunca no céu nem no chão. Tu estarás sempre numa situação onde poderás subir ou descer, só depende da força de vontade que tu usas para isso."


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sem medos- XVIII

Meus lindos, tem sido dificil escrever e desabafar convosco, pois não tenho andado com o computador. Prometo que, sempre que conseguir , venho escrever. Obrigada por todo o vosso carinho e por passarem por cá e deixarem a vossa opinião. Kiss's :)


-Entra, amor.
-Toma- sorriu.
"Ana, tentei ligar-te, mas faltou-me a coragem e não é preciso começares a dizer que sou um idiota. Eu sei disso por causa de todos os meus actos. Mas, fogo, dá-me mais uma oportunidade e volta para casa! Eu não te quero ver mal, aliás, quem me dera que isto tudo não tivesse acontecido! Volta, por favor. Um beijo do teu irmão que, apesar de tudo, te adora."
-Como é que ele ainda teve coragem de me mandar isto?
-De facto, é preciso ter muita lata para te mandar uma mensagem destas depois do que aconteceu. Mas, princesa, eu estou aqui, calma.
-Se não fosses tu, eu nem sei onde é que estava neste momento, amor.
-É mais que a minha obrigação, princesa.- Beija-me a testa.- Tive uma ideia, e que tal irmos sair?
-Oh não sei, amor, não me está a apetecer muito..
-Anda, vais gostar, acredita. Veste o casaco e tapa os olhos, nada de espreitar por entre os dedos.- Riu-se.
(...)
-Já posso olhar, amor?
-Já, chata! - Riu-se.
-Oh meu Deus, vamos andar de barco, amor?
-Vamos, pois! Pensas que o teu namorado é o quê?
-Cá entre nós, penso que é um romântico.- Abraço-o.

                                                (Continua ..)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sem medos- XVII

Chegara a casa, sem dizer uma palavra. Não me sentia bem. Sentia-me desiludida e atraiçoada.
-Queridos, chegaram! Já estava preocupada. Está na hora de jantar, venham.
Olhei para o relógio. Já tinha passado tanto tempo e eu ainda não tinha recebido nem uma mensagem de desculpa.
-Desculpe, mas eu não tenho muita fome ..
-Oh então, querida? Tens de te alimentar. Não te preocupes que não ficas gorda - Sorriu.- és uma autentica modelo.
-Ah, muito obrigada.- Tentei sorrir, mas foi uma tentativa em vão.- Vou para o meu quarto descansar um pouco, pode ser?
-Claro que sim, o Jonny vai contigo.
-Não. O Jonny tem de jantar. Ele depois vai lá ter, não é?
Acenou com a cabeça.
Isto tudo tinha me deixado de rastos. Apesar da tristeza que estava a sentir, também me sentia super cansada. Deitei-me na cama e chorei. Chorei muito. Relembrei me de todos os (bons) momentos que tinha passado com o meu irmão. E nem acreditava de como tudo acabou.
(...)
-Posso entrar, princesa?- Fez uma pausa.- O teu telemóvel tocou. Acho que recebes-te uma mensagem.

                                                    (Continua ..)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sem medos- XVI


Fiquei tempos calada, não tinha vontade de falar. O meu irmão tinha superado todos os limites e nem sequer pedira desculpas. Mas será que aquele miúdo não tinha noção dos problemas?
-Estás bem, amor? Senta-te aqui um bocadinho comigo.
-Não me leves a mal, Jonny, mas eu vou sair um bocadinho. Preciso de espairecer ..
-Não te demores muito, está bem?
-Não te preocupes, não me vou demorar.
-Estou aqui para o que precisares, não te esqueças.
Abri a porta e libertei uma lágrima, mas limpei-a logo, para não se notar. De seguida, mais uma, e outra e outra. Não aguentei mais. Estava triste e sentia-me só. Apesar de tudo, ele era meu irmão. E custa muito mais ouvir estas coisas da boca de um familiar do que propriamente de um amigo. 
"Não te podes deitar a baixo desta forma, Ana. Ele neste momento deve de estar com os amigos e ainda nem sequer se apercebeu do seu erro e da forma de como lidou contigo.", pensei.
(...)
-Ana, estás aqui!- Abraçou-me.
-Calma, Jonny. 
-Estives-te a chorar, amor?- pôs me as mãos no rosto.- Estás com o narizinho vermelho.
Acenei com a cabeça.
-Oh amor, vem cá- beijou-me- queres falar um bocadinho? 
-Não me apetece muito, amor. Acho que já chega de emoções fortes por hoje.

Sheridan .
                                                 (Continua ..)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sem medos- XV

-Ana?
-Sim, sou eu, Pedro. Afinal, sempre vieste.
-Mais valia não ter vindo! Mas afinal quem é este gajo?
-Primeiro não falas assim, está bem? Ele é o Jonny, o meu namorado.
-Olha, que lindinhos. Felicidades, sim? Agora não me chateiem.
-Tu não vais mudar nunca, pois não?
-Combinaram os dois a conversa, foi?
-Não vale mesmo a pena tentar falar contigo!
Vi-o acender um cigarro com um isqueiro e nem estava a acreditar:
-Pedro, o que é que estás a fazer?
-Não se nota?
-Tu agora até já fumas? Deves estar com umas lindas companhias, de facto .. Queres acabar com a tua vida?
-A falares assim até parece que me vou matar.
-E vais! Não de repente, mas aos poucos. Será que também não sabes as consequências do tabaco?
-Calma. Estás mais preocupada do que eu. - riu-se.
-Pois claro, eu preocupo-me contigo. Ouve, não estragues a tua vida por uma porcaria dessas. Tens 14 anos a caminho dos 15 e andas a fazer isso? Nem eu, que sou mais velha que tu, fumo!
-Mas tu sempre foste muito perfeitinha, já nem digo mimada..
-Mimada eu? Quem é que ficava sempre com tudo do "bom e do melhor"? Quem é que recebia mais presentes no Natal? Quem é que era o preferido dos pais?- senti a mão do jonny no meu ombro.- Quem é mimado, então?
Deu-me um estalo. Sim, o meu irmão, tinha acabado de me dar um estalo.
-Acabei de perder todo o respeito por ti, Pedro. Saí daqui.
-Como queiras, maninha.
-Ele não vai sair daqui sem um "presente" meu.
O Jonny tinha acabado de bater no Pedro. Deu lhe um murro. E para não bastar, estavam os dois agora envolvidos fisicamente. O dia não podia estar a correr-me melhor.
(...)
- Parém os dois! Saí, Pedro! Agora! Já causas-te danos suficientes.
Ouviu-se um estrondo. Era a porta a bater com (bastante) força.

      (Continua .. )