domingo, 28 de agosto de 2011

Sem Medos- XX

O meu namorado saiu do meu quarto com cara de quem parecia não estar nada contente com a situação, mas se o meu irmão estava ali, por algum motivo, era:
-Então, vieste aqui fazer o quê?
-Ana, por favor, ouve-me. Eu não queria que tivesse acontecido o que aconteceu ..
-Tu bateste-me!
-Sim, bati-te, mas eu não estava em mim. Eu tinha bebido antes de ter vindo cá, e estava alterado. Não estava em mim, tu sabes!
-Será que sei? À dias que andas assim, tratas mal toda a gente, refilas com todos. Já me atiras-te à cara que sou eu quem tem culpa do fim do casamento dos nossos pais, mas nunca me tinhas batido!
-Por isso mesmo é que vim cá a casa! Achei que pedir desculpas pelo telemóvel não iria resolver nada.
-Vá lá, por menos, tiveste alguma vergonha..
-Mas, não foi só isso que me trouxe cá, Ana.
-O que é que se passou? Já sei que quando começas a falar assim, é porque aconteceu alguma coisa grave.
-E aconteceu, mana.- Abraça-me e desata a chorar.
-Calma, calma. - O meu irmão nunca tinha chorado daquela maneira à minha frente.-O que é que aconteceu? Eu estou aqui.
-A mãe e o pai discutiram hoje de manhã porque ela partiu a garrafa de licor que o pai tinha guardado à anos.
-E ..
-E o pai, começou logo a atacar a mãe. Disse lhe coisas tão feias, Ana. Eu nunca o tinha visto assim. E a mãe saiu de casa triste e magoada com as coisas que o pai lhe disse, e, ao atravessar a estrada, não viu o carro que vinha atrás dela e foi atropelada.
-A mãe foi o quê?!
Estas palavras ficaram a ecoar na minha cabeça tanto tempo, que só tive tempo, de pegar no telemóvel e sair de casa.


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