quinta-feira, 26 de julho de 2012
Balanço-me contra o tempo e faço-me notar presente. O reflexo no espelho não está intacto, como há muito me deparo para ver. O vento-me corta-me a respiração e balança-me os cabelos. Batem-me nos ombros, na cara, no rosto. Pareço distante e, na verdade, estou mesmo. Sinto a chuva a cair-me na nuca. Provo-a, como fazia há tempos com a água do mar, e em nada o sabor se compara. Tocam-me ao de leve nas costas. Sabem percorre-la, sabem completar-me. Beijam-me a orelha e abraçam-me com uma força imensa. Não sinto nada, nem um pouco de amor. Abraços como aqueles renegam-se à distância.
Levanto-me com um salto e vou até ao outro lado da sala. Não há espelhos, não há ilusões. Cruzo as pernas e deixo o corpo cair numa cadeira de baloiço. «When you try your best, but you don't succeed.», sussuro. Vejo-te à distância com os olhos brilhantes. «And i will try to fix you», também tu me cantas. Aqueces-me as mãos e beijas-me ao de leve. Um novo espelho aparece diante de nós. É o espelho do amor.
terça-feira, 17 de julho de 2012
O amor, quando grande, mata. Não
tem fronteiras, nem obstáculos. Empurra demasiado para o abismo da vida. Até ao
vácuo, até ao negrume. Não bate à porta para pedir permissão; ele comanda até
naquilo que dele não é. Entra devagar e entrega-se ao teatro. Reinterpreta personagens,
que há tempos, participavam em histórias e contos populares. Alimenta-se tão
rápido quanto o vento na avenida. Mente, batota. Abre as mãos para oferecer
amor, triturando o ódio presente nos corpos sangrentos do universo. Consome
almas dos mais necessitados e oferece vida à escuridão. Respira vida, cospe
corações. Admite-me que lhe dói o órgão vital quando alguém lhe tenta tirar o
negrume que oferece a muitos. Também sofre, também sente. Tem medo de ganhar
alma, coração e um corpo que sente tudo o que sucede.
O amor, quando grande, mata. Mas,
agora, quando sente? Falece.
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