segunda-feira, 3 de dezembro de 2012


Habituei-me aos livros de fantasia. Aos amores impossíveis e aos amores de Verão. Aos laços de sangue, embora quebrados, fortalecidos com a força da eternidade. Aos vampiros enigmáticos. Aos lobisomens assustadores. Habituei-me às fadas mal interpretadas e aos feiticeiros ameaçadores. Aos híbridos que se apaixonam pelo sabor da vida. Aos demónios que se empolgam com a maldade. Habitei-me a mim. De mãos postas nas folhas com sabor à estação correspondente. Com os olhos presos às consoantes. Mas mais importante, com o coração agarrado à ficção inexistente no dia de hoje.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Escrevo para me sentir viva. Apesar da chama estar, agora, quase a cortar-me a respiração. Porém, nunca me apresentei. Quem sou eu? Um ser sem nome, sem capacidade de imaginação. Que treme ao ouvir o amor. Que chora ao ouvir a chuva. Que fala para não se sentir só. Que grita para ser ouvida. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012


Paro por segundos. Limpo os olhos com as mangas da camisa já rasgada e tento não olhar-me ao espelho. O esforço é enorme e a infelicidade imune. Para onde fui eu?, pergunto-me. E tu apareces do nada, como já é tão teu hábito. Olhas-me de alto a baixo e choras também. Consigo ouvir(-te). Sentir-te. (...) Propões abraçar-me. E eu recuso(-te). 
A pulsação acelera de novo e oiço-te a pedires para me acalmar. Eu corro para a sala preta e fico aprisionada o resto da noite. Desenho no escuro. Canto no vácuo. (...)
Visualizo o sitio do costume. Não te encontras lá. Nem mesmo eu. Fui consumida pelo espelho. E o pior é ter de pedir para regressar. 
“Algum dia, de alguma forma, tudo vai ficar bem.”