Decoro novos monólogos. Rapidamente, imagino-os proclamados num enorme vazio, pintado de branco, com pessoas à escuta. Não muitas, para ser sincera. Com a caneta na mão, escrevo. À velocidade da luz, como dizem. Não aquilo que decoro, mas aquilo que referencio. E as pessoas olham-me piedosamente, com medo de um futuro tão igual ao meu. Sei lá eu se tenho futuro. O que vou fazer. Com quem vou estar. Sei lá eu se utilizarei palavras como estas ou formarei frases de igual forma. Sei lá eu compreender-vos. Falo para fugir ao medo, às intrigas, ao mistério. E vocês, de olhos enormes, olham para mim com medo da reacção seguinte. Mas que hei-de eu fazer? Ajoelhar-me à vossa pessoa para jurar que nada vos faço? Pois, bem, não o irei fazer. Nem hoje, nem amanhã. Nem até mesmo, num futuro longínquo.
Decoro novos monólogos. E rapidamente os repito: "Nem hoje, nem amanhã. Nem até mesmo num futuro longínquo."

