domingo, 19 de agosto de 2012

As luzes apontam na tua direcção. Os holofotes localizam-se e os apresentadores chamam o teu nome. Os nervos são mais que muitos, por isso, as pernas tremem-te. Não sentes os braços e doí-te o estômago. Calças os saltos, arranjas o vestido e apanhas o cabelo. Proferem a tua idade e o teu sonho de ir estudar para NY. Tu desfilas. Vais agarrada ao teu par e ele sorri para ti. O júri observa-te e nada comenta. Tu aceleras o passo e não sorris. O corpo gela-te e a alma destrói-te. As anotações que te passam na cabeça são inúmeras desilusões que te ferem a humildade. Vais trocar de roupa e esqueceste de agradecer. Não importa, faltam ainda duas passagens. Pensas em dar o tudo por tudo, mas abres a cortina e vês as centenas de pessoas que te estão a contemplar. Os pensamentos derrotistas voltam e as palavras negativas, também. Abanas a cabeça. É o teu momento. Vais vestir o bikini e desfilar com convicção com o teu par. Ele mete-te à vontade, já ouvi dizer. É um rapaz engraçado, tem um sorriso bonito. Assim como o teu. Mostra os dentes, mostra a felicidade dentro de ti. Não tens de ganhar, mas tens de participar de maneira a que fiquem a conhecer a pessoa bonita que és. Faz a prova de talento e quando te enganares, não pares. Parar é o mesmo que desistir. Vai, veste o vestido e prepara as pernas para os saltos grandes. Não vai custar nada. Levanta a cabeça, sorri e mostra que és capaz. E se não o fizeres, não te preocupes. Existe sempre algo e alguém que acredita em ti. Eu sou uma delas. Um caderno de capa negra que anota os teus segredos e medos, sonhos e objectivos. Se bem me lembro, este era um deles. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012


Vida. Falar da confiança, do sentimento procurado que tantas vezes é roubado. Falar do ser que imigra para o estrangeiro que, raramente, encontra caminho de regresso. Falar da verdade rejeitada pelos mentirosos e da lealdade incorralada pelos invejosos. Falar das fotografias queimadas e dos retratados rasgados com a força da desilusão. Falar do aperto do coração e dos abraçados sem retorno. Falar com os olhos, sorrir com o olhar. Falar do sucesso com medo do futuro. Falar da morte com receio das regras básicas da existência. Falar do demónio como melhor amigo da vingança. Falar da realidade com casos irreais e mitos de há séculos atrás. Falar do amor com o próxima e da amizade com o desconhecido. Falar da idade tal e qual como maturidade. Falar do aspecto como se fosse caractér e estado de espírito. Falar, julgar, gritar e valorizar. Falar da vida, encriminar a morte. Falar da falta de palavras e certezas. Falar do nada que é tudo. Falar de tão pouco que acaba por ser tudo e mais alguma coisa.
“Don't take my advice. Or anyone's advice. Trust yourself. For good or for bad, happy or unhappy, it's your life, and what you do with it has always been entirely up to you.”

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Serei eu que estou perdida ou o mundo gira ao contrário?

domingo, 5 de agosto de 2012


Pergunto-me o que aconteceu ao amor. Se estará perdido, farto ou zangado. Se quem o tem, o sufoca e o obriga a morrer um bocadinho mais a cada dia que passa. 
Procuramos por ele. Em qualquer lado, em qualquer altura. Preparamos reforços para quando o sentimos e analisamos. Já nem existem borboletas na barriga. Voaram todas e não encontram o caminho de volta. 
Perguntamos por ele. Interrogamos-nos quando irá voltar, sabendo bem que o amor só se encontra uma vez na vida. Os outros seres que por nós passaram com a palavra "amor" na boca são só seres enfeitiçados pela magia da paixão. 
Solicitamos a presença dele. Na vida, na morte e na sobrevivência. Não importa a forma. Não importa o lugar. Não importa o tempo. É a lei da vida, é a lei do amor. 
Não podes vencer a vida, sem experimentares a queda.

sábado, 4 de agosto de 2012

"Se nao praticas o que pregas, de que valem essas regras?"

quarta-feira, 1 de agosto de 2012


Bato-te à porta e peço permissão para entrar. Lá estás tu, de braços abertos, a gritar pelo meu nome. «Vem até mim, se és capaz», dizes-me a sorrir. Abro-te os braços e sinto-te em casa. Estás grande, bonito e talentoso. As obras de arte que tu fazes e emolduras nas paredes sempre foram coisa fácil para ti, é certo. Cá eu não faria nem um terço do que fazes hoje em dia. 
Desenhaste-me à luz do dia. Eu, quieta e calada, já farta estava. Pedi-te para me fazeres uma visita guiada à tua vida e ao teu passado. E, tu, muito gentil, lá o fizeste. Nunca foste rapaz de grandes conversas. Tinhas medo de te afirmar em voz alta. Vejo que, com o passar do tempo, isso mudou. Agora, não escondes o que temes. Até me disseste que não devia ter partido há já tantos anos atrás. Disse-te que a vida muda, dá varias voltas. E tu sussurraste-me ao ouvido que sabias que iria voltar, porque a minha casa era exclusivamente o teu coração. Agora, sei bem que sim. Leio-o nas estrelas e sublinho-o no coração. Quero-te comigo. Agora e sempre, meu eterno fiel.