Sou um coração mole. Apaixono-me tão facilmente, que nem
necessito de conhecer na totalidade o individuo por quem me apaixono. Não posso
conhecer ninguém. Ou é por ser simpático e carinhoso, ou misterioso e discreto.
Existe sempre algo que me faça perder a cabeça numa nova oportunidade.
Oportunidade, sorriu ironicamente. Oportunidade, reflicto agora, não será
certamente. O amor não é uma oportunidade. Nunca o foi, nunca será.
Porém, cada gesto sincero é uma vitória superada e uma
declaração cumprida. Começa por ser uma conversa perfeitamente desconhecida
acabando por ser a melhor. A base são as conversas animadas. A troca de números
e de e-mails. Seguidamente, passa para os abraços quentinhos e para os
beijinhos rechonchudos. E depois, sem saber como e porquê, existe um espaço
vazio. Existe uma cadeira ao almoço preenchida pelo vazio e solidão. Existe a
falta dos telefonemas à noite e o vácuo da estrutura do amante. E isso dói. Ter
de encarar o amor raivoso e entristecido como um ser inquebrável, perigoso e doentio,
dói. Oh, dói bastante.