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terça-feira, 5 de junho de 2012


Sou um coração mole. Apaixono-me tão facilmente, que nem necessito de conhecer na totalidade o individuo por quem me apaixono. Não posso conhecer ninguém. Ou é por ser simpático e carinhoso, ou misterioso e discreto. Existe sempre algo que me faça perder a cabeça numa nova oportunidade. Oportunidade, sorriu ironicamente. Oportunidade, reflicto agora, não será certamente. O amor não é uma oportunidade. Nunca o foi, nunca será.
Porém, cada gesto sincero é uma vitória superada e uma declaração cumprida. Começa por ser uma conversa perfeitamente desconhecida acabando por ser a melhor. A base são as conversas animadas. A troca de números e de e-mails. Seguidamente, passa para os abraços quentinhos e para os beijinhos rechonchudos. E depois, sem saber como e porquê, existe um espaço vazio. Existe uma cadeira ao almoço preenchida pelo vazio e solidão. Existe a falta dos telefonemas à noite e o vácuo da estrutura do amante. E isso dói. Ter de encarar o amor raivoso e entristecido como um ser inquebrável, perigoso e doentio, dói. Oh, dói bastante.

domingo, 27 de maio de 2012

Cheiras a «gosto de ti». Cheiras a amor, a rosas brancas e a margaridas selvagens. Cheiras a confiança e a lealdade. Cheiras a borboletas e a mel. Cheiras a café com biscoitos e a leite condensado. Cheiras a passeios na praia e a comida caseira. E eu, reconheço o cheiro à distância. E tu sabes que o reconheço. Marcas o pin e ligas os auriculares ao meu coração. Parece que o tum-tum acelerado te aquece a alma. Assim, como fazes tu ao meu espírito, ao anoitecer.