As luzes apontam na tua direcção. Os holofotes localizam-se e os apresentadores chamam o teu nome. Os nervos são mais que muitos, por isso, as pernas tremem-te. Não sentes os braços e doí-te o estômago. Calças os saltos, arranjas o vestido e apanhas o cabelo. Proferem a tua idade e o teu sonho de ir estudar para NY. Tu desfilas. Vais agarrada ao teu par e ele sorri para ti. O júri observa-te e nada comenta. Tu aceleras o passo e não sorris. O corpo gela-te e a alma destrói-te. As anotações que te passam na cabeça são inúmeras desilusões que te ferem a humildade. Vais trocar de roupa e esqueceste de agradecer. Não importa, faltam ainda duas passagens. Pensas em dar o tudo por tudo, mas abres a cortina e vês as centenas de pessoas que te estão a contemplar. Os pensamentos derrotistas voltam e as palavras negativas, também. Abanas a cabeça. É o teu momento. Vais vestir o bikini e desfilar com convicção com o teu par. Ele mete-te à vontade, já ouvi dizer. É um rapaz engraçado, tem um sorriso bonito. Assim como o teu. Mostra os dentes, mostra a felicidade dentro de ti. Não tens de ganhar, mas tens de participar de maneira a que fiquem a conhecer a pessoa bonita que és. Faz a prova de talento e quando te enganares, não pares. Parar é o mesmo que desistir. Vai, veste o vestido e prepara as pernas para os saltos grandes. Não vai custar nada. Levanta a cabeça, sorri e mostra que és capaz. E se não o fizeres, não te preocupes. Existe sempre algo e alguém que acredita em ti. Eu sou uma delas. Um caderno de capa negra que anota os teus segredos e medos, sonhos e objectivos. Se bem me lembro, este era um deles.
domingo, 19 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
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