quarta-feira, 19 de setembro de 2012


Abro-te devagar o coração, como quem não quer a coisa. Como quem não sabe a causa, mas não hesita pelo medo. Como quem provoca o fogo, sem ter medo de se queimar. Entrego-te de manhã, sem saber para onde ir. Sem saber quem encontrar. Bato a porta devagar com receio de quem me ouve. De quem me lê. De quem me espera. E lembro-me de ti. De corpo robusto, com as mãos cheias de nada. A olhar para quem não deve. A permanecer onde não deve. Onde estás tu, conhecido amigo? Perdido na confusão da alma, dizer-me-ias. E eu sorria, sem vocábulos para te animar. Perdi-me contigo, num universo tão mais incerto que o nosso. Tão mais confuso que os seres que me perseguem  no dia-dia. 
Abro-te devagar o coração, como quem não quer a coisa. Uma/ duas vezes. Como a ler um livro, só que já sem páginas no interior. 

17 comentários:

  1. que bonito! como sempre, claro. mas adorei. escolhes sempre palavras tão bonitas minha querida. beijinho *

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  2. oh, essa agora. linda és tu!! muito obrigadaa

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  3. obrigada princesinha. que texto maravilhoso

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  4. Bem sei, meu amor, também estarei aqui sempre*

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  5. Continuas a encantar-me com a tua escrita, meu anjo.

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  6. admiro a tua maneira tão sensível e tocante de escrever, adoro mesmo.. dá uma espreitadela pelo meu cantinho senão for pedir muito claro..
    mil lágrimas salgadas*

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