sábado, 2 de junho de 2012


A verdade perdeu-se. Está a brincar comigo às escondidas e o pior é que já contei até cem e ela não vem a meu encontro. Gritei por ela e começo a pensar que se afastou por decisão própria. Contudo, deixa-me triste. Ela, que me prometera que viera para ficar, até consigo levou os anjos e a lua. Meteu-os num saco grande e negro e lá foi ela. Deixou-me a falar com os gatos dos vizinhos e, oh, o quanto odeio gatos. Aqueles olhos colossais reflectem a maldade presente no seu espírito e isso arrepia-me - mete-me os pelinhos dos braços a levantar voou, como costumava dizer quando tinha medo dos monstros - e fazem me estremecer. 
Agora, mandou o sol entregar-me um papel. Este não está nada bem-disposto, está para aqui a reclamar com as nuvens. Como o mundo está. Nem o lado mágico sobrevive. 
As palavras procuram-se e o sentimento encontra-se.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Diário da tua ausência #12

As palavras começam a escassear. A caneta está gasta e os meus dedos estão a fazer nós brancos de tanta força usarem para agarrarem somente a esferográfica. Não sei o que fazer, pensar ou sequer admirar. Está tudo tão estranho na minha cabeça, sabes? Falta uma semana para acabar isto. E ainda nem sei a que me refiro. Não recebes as cartas, escrevo-as e guardo-as eu. Tu somente ficas no facebook a fazer sei lá eu o quê. És do tipo de rapaz que não diz nada a ninguém, começo a entender. Mas eu sou o oposto. Preciso de uma resposta óbvia mesmo que já saiba a resposta. Não importa os vocábulos que utilizes e o conteúdo empregado. Não importam as palavras caras nem as frases longas. Já te tinha narrado. E depois, para embaralhar ainda mais o meu cérebro pequeno, vem o teu olhar. O teu olhar calorento, terno, sonhador. Olhares não bastam, começo eu a reflectir. Não é o suficiente. E bem sei que me ando a contradizer em alguns casos e a repetir noutros. Mas o que posso eu dizer se nada sei? O que posso afirmar quando somente conheço o teu olhar doce, mas que tantas vezes, é longínquo? Não suporto esta «distância» psíquica a que estamos confrontados. Não agora. Não para sempre.
A felicidade procura-se em casa esquina das extensas ruas da cidade. Procura-se nos armazéns responsáveis pelo amor e pela amizade. No entanto,  não é o suficiente. Procuram-na nos bolsos dos casacos de lã e nos graffitis feitos na parede. Ou então, nas abas dos cadernos e nas papelinhos guardados na gaveta. Procuram-na nas palavras proferidas com intensidade e nas acções primaverais da vida. Nas flores presenteadas e nos miminhos oferecidos.