segunda-feira, 30 de abril de 2012


Tenho o meu olhar preso em cada linha daquele caderno. Tem as folhas todas brancas para narrar, excepto a primeira. É um excerto de um texto diferente, solitário. Que se refere à solidão e que menciona a verdade. O olhar está cravado e parece não querer mover-se. Passo com os dedos por cima das letras e ainda as sinto húmidas. Lágrimas, reflicto. Concluo que não tenha sido escrita assim à tanto tempo. Então, leio-a em voz alta. Soa de uma forma estranha, no entanto, curiosa. A minha voz soletra cada palavra com tanta intensidade que, se existisse alguém para além de mim, naquele lugar, pensaria que estava possuída. Afasto todos os pensamentos paralelos aqueles vocábulos. Leio-a de novo em voz alta, e desta vez destaco uma palavra. Não sei porque o faço, mas está a preocupar-me. «Nada». Questiono-me. Como resposta, vem-me à cabeça outro vocábulo. «Amor». Desta vez, as palavras ficam-me presas nos ouvidos. Sussurram-me e batem à porta da minha pequena, mas ainda assim, doce alma. Percebo que esteve adormecida por uns breves instantes, mas que abre a porta com um sorriso que não descodifico se é verdadeiro ou não. Então, ela grita. Grita e fecha a porta, de súbito. 
Fecho o caderno e vou lá fora. Encontro um papel amachucado e abro-o com brusquidão.“Eu descobri do pior jeito, que nada é o que parece.” Os meus olhos não acreditam no que vêem e o meu coração muito menos. Era a mesma frase que estava presente naquele caderno de capa dura em que, eu, outrora, perdera o pensamento. 
Deixa-me conhecer-te. Cede apenas desta vez. Eu prometo não te desiludir. Prometo não deixar que chegues ao chão quando estiveres prestes a cair. Estou aqui, conhece-me. Não te peço mais nada.

domingo, 29 de abril de 2012


Deito-me na cama e deixo-me cair. Com a minha queda, o mundo desaba. Há gritos, há sensibilidade. Há nervosismo e espanto. Há guerra, há mortes. Palavras perigosas correm pelas ruas, mas quando chegam às rotundas perdem-se no meio da confusão. Há correrias. Observo pela janela o egoísmo, o interesse de todos. É incrível como as pessoas chegam a um ponto em que tornam todos invisíveis. Há fraqueza, derrota. Não arriscam, deixam-se perder, sem saberem se existem probabilidades de saírem libertos. Perde-se a harmonia, a paz, a solidariedade. E eu fico, somente, a visualizar todo aquele cenário de guerra, de destruição. Tento gritar, lutar, mas o meu corpo continua intacto, sem se mover. Tenho um nó enorme na garganta e não consigo respirar. Expiro e inspiro, mas os meus pulmões não respondem. O coração acelera. Há desorientação, perigo. 
Deixam-se de ouvir gritos. Abro os olhos e tenho a testa coberta de suor. Tenho o coração a bater a mil à hora. A guerra instalara-se. Não na Terra, mas no meu coração. E sabem? São poucos os sobreviventes. 

sábado, 28 de abril de 2012

Amor de primos, não é assim? Obrigada pelas gargalhadas. Estás a ficar tão grande.