domingo, 13 de novembro de 2011

Ela, rapariga de cabelos castanhos, estrutura média e olhos doces, nunca fora vista sem um sorriso em pleno rosto. Dizia-se pela cidade que tinha tudo para ser feliz: uma família unida, amigos impecáveis e um namorado perfeito, daqueles típicos de filmes. Alto, moreno e garanhão. Diziam também que tinha uma vida típica de adolescente. Frequentava o secundário, saía com os amigos de vez em quando e divertia-se sempre que podia.
Passado alguns dias, ela, que sempre fora vista com um sorriso em pleno rosto, foi vista com pequenas gotículas de água nos olhos. E já não era de agora. Já à uns bons dias que não andava feliz. Ela dizia que lhe doía a alma. E a grande questão era saber o porquê. Até agora, ninguém se apercebera que a infelicidade dela tinha tomado o lugar da felicidade.
Aquela que chamávamos de família unida separara-se à dias e aquele que chamamos de namorado perfeito, típico dos filmes, deixara-a sozinha e desamparada. Partiu sem lhe dirigir uma única palavra e apenas teve coragem de lhe escrever uma carta que resumida lhe perguntara quantas vezes não amou a pessoa errada, pensando ser a certa. E aqueles que chamávamos de amigos impecáveis, esses, ainda continuam lá. O problema é que ainda não se aperceberam do que se está a passar.
Agora, ela, talvez, tenha razões para não sorrir. Apesar de tentar remediar a situação, não conseguia. Perdera as forças todas. Até mesmo para sorrir.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Hoje, decidi escrever para ti. E como tu sempre dizes quando recebes algo que não estás à espera, não, não se trata do teu aniversário. Foste educada com o pouco que fora o tudo para ti, e talvez, seja essa a causa de tanto orgulho. Estavas habituada a que eu te escrevesse aqueles pequenos postais pelo aniversário ou pelo Natal. Nunca tivera jeito, mas tu sempre os adoravas. E incentivavas-me a fazer mais e mais. E eu, com vergonha, acabava de os escrever e ia pô-los sempre num sítio em que ao fim do dia, eu sabia que tu os irias ver. Sempre que eu errava alguma palavra, dizias-me que eram os teus olhos .. Já não vejo como antigamente.. Lembras-te? E agora, as frases mudaram. Tornaram-se mais complexas, mais modernas. E mesmo assim, continuas a corrigir-me e a dizer o mesmo.
Lembro-me de estar contigo, no quarto, à espera que os pais chegassem, e de tu estares-me a perguntar-me a tabuada. Ou de me estares a pentear, para me tirares os nós (que por sua vez, eram bastantes) do cabelo. Ou de qualquer outro dia em que me ensinavas algo que faz parte de mim, hoje. E só te tenho a agradecer. És tu quem tem sido o meu porto de abrigo, a minha melhor amiga, e a cima de tudo, a minha ouvinte e a minha conselheira. Sei que nestes últimos dias, não tenho partilhado tanta coisa contigo, mas a vida dá varias voltas. E a minha, agora, deu para não conseguir falar tanto dos meus problemas com os outros. Sinto vergonha misturada com orgulho, sabes? Eu sei que sim, porque tu sempre me compreendes-te, apesar das situações. Desculpa por todas as vezes que te respondi mal, e por todas as desilusões. Eu sei, também, que todos os teus sermões são para me fazerem feliz, e que tu nunca queres o meu mal.
Não podia ter melhor avó que tu. És a melhor de todas. E arrisco-me mesmo a dizer que és a melhor pessoa que conheço neste mundo e no outro.
E para acabar, digo-te o mesmo que sempre disse : 'Avó, gosto muito de ti. Muito, mesmo.'

domingo, 6 de novembro de 2011

Alimentava-me de esperanças e fugia da maldade, até a marca existir. Andei com os olhos sujos e borrados a ver se a marca desaparecia, mas a marca continua a existir e vai continuar sempre aqui. É discreta e passa completamente despercebida. É como uma cicatriz daquelas que ninguém sabe que existe a não sermos nós próprios. Assim como as cicatrizes, a marca está sarada e fechada, mas existe. A marca que contem o teu nome, os nossos momentos e a nossa felicidade. E assim como as cicatrizes, quando alguém toca no teu nome, doí. Doí com o frio e doí quando voltas, também. Já não a consigo ler como antigamente .. As "letras" estão cobertas de pó, mas quando alguém as limpar, elas voltam a "renascer". Tal e qual, como o meu sentimento por ti. 

sábado, 5 de novembro de 2011

Sinto-me num mundo à parte, e não pelas melhores razões. Com o tempo, volto a dizer, fiquei mais selectiva. Não só em relação às amizades, mas também às prioridades. Deixei de fazer tudo por alguém que não fazia metade daquilo que eu era capaz. Deixei de acreditar nas palavras que muitos me diziam, e que até, podiam ser verdadeiras. Construí uma barreira que está, agora, mais forte do que nunca. Muitos ainda tentam derrubá-la, mas eu construía a pensar nisso, e fiz-la à prova de balas. Dizem que mudei, mas, na verdade, eu não mudara. Apenas me cansei de mim própria. De me olhar ao espelho e ver sempre a mesma figura, a mesma alma. Mas não mudei, pelo contrário, continuo a ser eu mesma, mas com pequenas alterações, a que não chamamos de mudanças. Tornei-me mais forte. Agora, não escondo o rosto com o cabelo, só para não mostrar as pequenas cutículas de água a escorrerem-me pelos olhos. Agora, enfrento a vida frente-a-frente. Sem medos. E o meu pensamento tomou outro rumo.. Sinto-me num mundo à parte, e não pelas melhores razões.