Estranho foi perceber que passar madrugadas no computador já não era tão interessante, que ter noites mal dormidas não ia melhorar nada. Perceber que aquela desorganização do meu quarto estava a começar a assustar-me, e que, a cada dia que passava, queria ter total privacidade. Poderia e, na maioria das vezes, preferia estar sozinha. Senti-me mais adulta, mas, ao mesmo tempo, uma criança indefesa. Parei de me preocupar com as opiniões alheias e comentários. Comecei a despreocupar-me. Comecei a olhar para as minhas roupas de outra maneira, a misturar as cores, a ser eu própria, sem ter a necessidade de ser artificial para chamar a atenção. Preferi o silêncio, a escrita e os olhares. Senti-me completa de todas as maneiras possíveis. Aprendi a ser mais paciente e a deixar de me irritar com pouca coisa. Até a maneira de como escrevo mudou, porque, resumidamente, eu escrevia, apenas, para descarregar todo o amor não- correspondido. E, agora, não. Agora, escrevo porque gosto, porque me trás leveza, já me é natural. Agora, não me culpo por algo dar errado, porque comecei a cuidar mais de mim em vez de cuidar dos outros.
E, o mais importante de tudo, comecei a preocupar-me com quem eu sou ao contrário de me preocupar com o reflexo do espelho.
