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domingo, 25 de março de 2012

Corações, este não é mais um dos textos que estou habituada a escrever, mas sim, um texto para um desafio da Marcela (aqui). Espero que gostem.

Era mais um dia de inverno. Aceitara o frio como um obstáculo e o vento como uma paixão. Recordava-me dos dias ternos passados em família e das gargalhadas dadas à mesa, nos grandes jantares de Natal. A família toda reunida, onde a felicidade era o prato principal do jantar. Lembrava-me de quando ficava uma tarde inteira em frente à janela apenas para ouvir as pequenas gotas de chuva que teimavam em bater no parapeito da janela. Tudo isso agora passara. Ficara apenas na mente dos outros como mais um ano passado. E na minha fora diferente. Fora nesse ano que ocorreu a mudança no meu corpo. Mudei de companhias, não tendo tido uma escolha. Mudei de hábitos, porque, poucas raparigas, tinham esta oportunidade de sobrevivência. Não podia ficar até mais tarde para conviver com os meus colegas, porque, de noite, os meus pais iam caçar connosco; não podia ter namorados, como a maioria das raparigas da minha idade. E o que mais me custava era não poder contar a ninguém o que ocorrera comigo e o que eu realmente era. Metia muitos em perigo, sabendo do que realmente se passava naquela altura. Era a minha opção de vida, e para salvar uns, prejudicava outros. E nestas alturas, ou escolhes a família ou a opção da eternidade é relativamente nula.
Foi nesse ano também que o conheci. Via-o todos os dias, porque a distância entre nós era quase nenhuma. Vivia a dois quarteirões da minha casa, e, visto que conseguia por o conhecimento de saber ser discreta em causa, conseguia mira-lo o tempo que quisesse sem ter o problema de ser apanhada. Porem, o desejo era maior que tudo. Até mesmo do perigo que poderia causar. Foi sempre com ele que sonhava todas as noites, e foi sempre por uma mensagem dele que eu esperava ao fim do dia. Ele era apenas tudo aquilo que eu nunca fui: livre, feliz, concreto.
Passado algum tempo, ele conheceu-me. Estava ferida, porque muito se passou na noite anterior. E ele, apenas se apressou para me fazer um curativo. Não perguntou nada, porque percebeu que estava abalada, e aquele silêncio era a maior melodia que me podia ter sido dada. Tão calado, mas tanto me dava.
Acabara por lhe contar tudo. O que era e o que se passara na minha vida. E ele tornara-se o meu melhor amigo. O meu porto seguro e o meu maior amor. Gostava dele mais do que gostava da minha vida, e abdicava de tudo por ele. Não tinha noção do perigo que lhe estava a proporcionar. Estava a ser egoísta ao ponto de achar que tudo iria correr bem. A diferença de idades iria ser vista com o passar dos anos. E eu, sendo uma vampira, não envelheço. Não poderia mudar o destino dele, devido ao tremendo amor que sentia por ele. Seria mais fácil para ele desistir sem ter-me por perto e então, decidi partir. Andei por lados desconhecidos mais de 4 meses e o sentimento apenas permaneceu. Não se transformou. Liguei-lhe ainda umas duas ou três vezes, mas sem nunca proferir palavras, pois apenas precisava de ouvir a sua respiração do outro lado da linha. Até se tornar na última. As notícias correm depressa e rapidamente ouvi o rumor do acidente. Desde então, as coisas mudaram. É o meu sangue que bombeia neste momento o seu coração. Foi o meu sangue que o trouxe de novo para este mundo e o fez ver que existe uma eternidade para ser vivida juntamente comigo. Afinal, existe maneira de negar uma vida a alguém que amas?