quarta-feira, 19 de setembro de 2012


Abro-te devagar o coração, como quem não quer a coisa. Como quem não sabe a causa, mas não hesita pelo medo. Como quem provoca o fogo, sem ter medo de se queimar. Entrego-te de manhã, sem saber para onde ir. Sem saber quem encontrar. Bato a porta devagar com receio de quem me ouve. De quem me lê. De quem me espera. E lembro-me de ti. De corpo robusto, com as mãos cheias de nada. A olhar para quem não deve. A permanecer onde não deve. Onde estás tu, conhecido amigo? Perdido na confusão da alma, dizer-me-ias. E eu sorria, sem vocábulos para te animar. Perdi-me contigo, num universo tão mais incerto que o nosso. Tão mais confuso que os seres que me perseguem  no dia-dia. 
Abro-te devagar o coração, como quem não quer a coisa. Uma/ duas vezes. Como a ler um livro, só que já sem páginas no interior. 
Love is a losing game.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Nascemos pequenos. Sem motivo aparente, com amor suficiente. Aprendemos a andar, a completar silabas, a formar palavras. Sabemos o nome da mãe, do pai, da avó e do tio mais presente. Conhecemos o riso do vizinho e os sapatos da tia mais velha. Começamos a correr pela casa, sem chinelos nos pés. A mãe zanga-se e o pai protege. Tu choras e o irmão mais velho critica. E tu começas a fechar-te no quarto com os amigos imaginários. Começas a sorrir, a saber contar piadas. Vais para a escola e aprendes a ler. Com as letras, vêm as frases longas e os textos complexos. Vêm também as asneiras proibidas e os nomes feios que começas a chamar aos "inimigos" mais fiéis que acabas por entender que eram os teus únicos companheiros. Começas a crescer demasiado. Uma borbulha aparece na testa e outra no canto da bochecha. Deixas-te dos desenhos animados e das cantigas infantis. Ouves Boss Ac e as bandas conhecidas. Ultrapassas a altura da avó e depois a da mãe e sentes-te superior a todos. Respondes mal, refilas com tudo. Não gostas deste mundo e do outro. Até encontrares a toupeira que te rouba o coração. Depois, nada mais importa. Até a desilusão chegar, claro. O mundo cai-te em cima, o tecto desaba e o corpo "falece". Ultrapassas a dor, passado um tempo. Fazes o secundário todo e licencias-te em gestão, lá o curso que queres seguir. E encontras outro alguém. Trocam desejos ardentes e o tão falado amor verdadeiro. Casam, têm um filho loiro e adoptam outro. O trabalho já cansa e os fins-de-semana são como férias. Mais tarde, lá te aparece o tal  cabelo branco que tanto receavas. Olhas-te ao espelho e não te sentes bonita. Não dás pelo tempo passar e... perdes o marido. Vês-te, novamente, fechada no quarto, mas desta vez sem amigos imaginários. Sentes falta de um carinho, de uma palavra amiga. Os filhos, há semanas, que não vês. Estão "ocupados", lá como dizem. E tu, sozinha. Acompanhada pela solidão. Dá-te a dorzita nos rins. Nada de preocupante, pensas. Depois, a picada na cabeça. E, por fim, a picada no coração. Como pesa, rapariga. Não o amor, mas a falta dos mimos da infância.  

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Passaram 11 anos. De guerra. De luta. De conflito. De desespero, de lágrimas, de aflição. Vamos fazer um minuto de silêncio para homenagear todos aqueles que perderam a alma sem culpa alguma do que aconteceu.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Apesar das quedas serem relevantes, dou três passos para a frente. Vejo-te lá ao fundo, a olhar para mim. Estarei a dez passos de ti com o próximo que der. Escolho tropeçar. Não sigo em frente. Olho-te pelas costas. Estás tu a dizer-me para voltar atrás. O caminho é contigo, dizes-me por entre sorrisos. É fácil acreditar em palavras. Decido sorrir. Aliás, perco-me no tempo e tu, perdes-te comigo. E ficamos assim, perdidos num mundo à parte, onde o tempo não presta, as palavras não surgem e os sorrisos não esperam. Desvias o olhar, passado segundos. Tropeças nas palavras. E eu falo, grito, berro. Digo-te que os sonhos não pagam a vida. Que o futuro não tolera o presente. Que a verdade te foge das mãos. Que a mentira te leva à escuridão. E tu mergulhas no abismo na vida. Desta vez, não me leves contigo, digo-te entre lágrimas. O coração parte-se. E o cérebro ressuscita. O amor não mata, mas mói.

domingo, 9 de setembro de 2012

E se perder, vou tentar esquecer-te de vez. 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012


Quando as palavras se misturam. Quando as frases não aclaram. Quando as musicas magoam. Quando as imagens não reflectem. Quando o chão não te abriga. Quando o tecto desaba. Quando chovem decepções. Quando o sol não brilha. Quando a neve não derrete. Quando a alegria não se proporciona. Quando a verdade mata. Quando a mentira atraiçoa. Quando a solidão vence. Quando a gargalhada não sobressai. Quando o rosto se esconde. Quando os olhos turvam. Quando o corpo se esgota. Quando o amor pisa

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Tanto te desejei que acabei por ficar sem ti.

terça-feira, 4 de setembro de 2012


Atravesso a ponte dos desejos. Vejo-te lá ao fundo de mão dada com a vida. E então, desejo-te a ti, com força. Fecho os olhos e sussurro ao vento. Desejo-te comigo, aqui, agora. Desejo o teu cheiro na minha blusa movimentada com o vento. Desejo o teu calor ardente sempre que comigo estiveres. Desejo o entrelaçar de dedos que sempre tivemos. Desejo o banco do jardim, a relva molhada e o passeio encurtado já gasto com os passos dos seres apaixonados. Desejo mais caminhadas no mato e agasalhos na noite frio de Inverno. Desejo o teu casaco nas minhas costas e o teu braço junto às minhas coxas. Desejo conversas com os amigos e gargalhadas com a família. Desejo ler-te as mãos e aquecer-te a voz. Desejo ouvir as histórias da tua avó, as birras do teu primo e as asneiras do teu irmão. Desejo ver-me com o coração derretido sempre que me apresentares como tua. Desejo ouvir cantar-te mais vezes. Desejo que olhes para mim da mesma maneira que olho para ti. Desejo que me desejes. Desejo que me beijes. Mas principalmente, desejo que não sejam só desejos por desejar. Que seja uma vida por contemplar. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ás vezes, pergunto-me se as coisas que me lembram de ti, te fazem lembrar de mim.