quinta-feira, 31 de maio de 2012

Diário da tua ausência #11

Sabes? Não entendo. Não consigo, não há maneira de o fazer. Há dias em que parece que não retiras os olhos de cima de mim e outros que nem sequer me localizas. Desapareces do mapa e vais na direcção oposta à minha. Não estou a dizer que tens de andar sempre comigo. E quando digo comigo, nem sei porque o faço. A verdade é que nunca o fizeste e não seria agora que irias fazer. E sabes? Falta uma semana para acabarem as aulas. O dia de amanhã também conta, bem sei, mas o que me diz que não será idêntico ao de hoje? Agora, mal te vejo. Talvez vás lá fora, como a maioria dos alunos, fumar. Oh, se tu soubesses o quanto odeio tabaco e todas essas coisas más que prejudicam a saúde. Enfim, não sei mais o que escrever. A tinta está a terminar e a minha letra já nem rabiscada está. Muda de direcção, por favor. Não vás para Oeste. Segue somente o instinto. Ele levar-te-á realmente ao importante e merecido. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012


Sou quase como um baralho de cartas. Escolhi bem o nome, reflito agora. Baralho de confusão, desordem, balburdia. Tanto sou um valete, como uma dama assim como consigo ser um rei ou um joker. Ou então posso utilizar os termos mais populares: ou sou espadas e ouros ou copas  e paus. Nunca jogo a carta certa, opto sempre pela mais fácil. Está claro que perco pontos e chego até a arruinar o jogo. Sou uma cartada forte, contudo, fácil de demolir. Não tenho truques nas mangas, nem faço batota usualmente. Faço magia concreta que, sinceramente, nem eu sei como funciona. Por vezes, nem chega a ter tal funcionamento. Perco-me na batotice presente no jogo dos outros. Fico de fora a assistir ao entretimento alheio e sou invadida por uma sensação melancólica que me mete mais preguiçosa do que sei lá o quê. É estranho observar algo que sempre me causara náuseas. 
É como digo, ou sou o oito ou o oitenta. Azar no jogo, sorte no amor, não é assim?

Diário da tua ausência #10

Vamos respirar. Conta até três e inspira com força. O ar está poluído, sei bem do que falo. Poluído de indivíduos maléficos, sem coração. Poluído de seres que não acreditam no amor e nos pós mágicos. Na lua e nas estrelas, mas que, no entanto, no sol, já acreditam. Poluído de mentiras relacionadas com o ódio e de ilusões envenenadas. Ilusões envenenadas, estás tu repetidamente a ler. Expira calmamente. Senta-te na cadeira de madeira e pensa: uma maça envenenada é um fruto proibido. Ninguém o quer, não é assim? Porém, os vingativos conseguem burlar os tolerantes. Assim, há uma ligação de tudo isto na vida real. 
Vamos contar até quatro juntos, pode ser? Assim, esquecemos todos os acontecimentos nocivos para a felicidade. Em cada algarismo, pedimos um desejo. Entre-calamos as vozes, os desejos, os pedidos. O primeiro é teu. O segundo é meu. E assim sucessivamente. 
Vou passar para o papel já quase preenchido todos os anseios e ambições proferidos. 
1º- Falecimento das almas más;
2º- Desaparecimento da maldade;
3º- Encerro das maças envenenadas;
4º- Chega de palavras caras, sim? Que fiquemos unidos, para sempre.
"Espero, porque sei que vai valer a pena."

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cada vez gosto mais do meu quarto. Principalmente, nos momentos mais escuros. É o único que me refugia e me afasta de todos os comentários e palavras alheias. Estou em crise. Mais nervosa do que sei lá o quê e quase a cair para o lado. As pessoas percebem e, no entanto, o que é que fazem? Nada. Rigorosamente nada. E eu já devia de esperar, visto que cada um sabe de si. Só que dói. Magoa. Enraivece. Faço os impossíveis pelas tão desejadas notas e quem é que recompensa o meu esforço? Ninguém, novamente. Passo fins-de-semana fechada, manhãs isolada de todos com a cabeça afundada nos livros. Vou até ao século IX e XX entrar em contacto com os réis e com os Duques. Afundo-me na praia dos números e lá consigo trocar um mais por um menos nos tão conhecidos sistemas. Abraço a literatura e a filosofia sem as deixar ir. E sei de cor todos os recursos presentes na vida humana. De que isso me serve? Não fico assim tão mais culta. Enfim, vou regressar à Bioterra. Ela que me salve de tudo isto. Oh, que me salve. 

domingo, 27 de maio de 2012

Diário da tua ausência #9

Faltam somente dez horas e 26 minutos para te poder ver. O que corresponde a 626 minutos sem te poder localizar com o olhar. Já viste o quanto torturas o meu pequenino coração? Só de escrever para ti, já está aqui empolgado, a querer dar a mão ao teu. Fazes-lhe bem, mesmo não sabendo de facto que sim. E ele está aqui a tomar café e a tentar desligar-se das palavras já gastas pronunciadas pelo locutor da televisão. São sempre as mesmas noticias, já reparaste? Até já cansa, com franqueza. Com tanta maravilha no mundo, só falam de coisas más. A guerra não se instalou, mas todos os dias, há pessoas a desaparecerem do nosso cantinho real. E nós? Nós andamos distraídos com a máquina do café avariada e com o jogo de futebol que está a dar na sportv. Realmente, andamos na lua. Por falar nela, está aqui a dizer-me adeus e a sussurrar-me boa sorte para o dia de amanhã. Vens na mesma carruagem que eu? Faz fisgas para que sim. Boa noite, meu gigante. 
Cheiras a «gosto de ti». Cheiras a amor, a rosas brancas e a margaridas selvagens. Cheiras a confiança e a lealdade. Cheiras a borboletas e a mel. Cheiras a café com biscoitos e a leite condensado. Cheiras a passeios na praia e a comida caseira. E eu, reconheço o cheiro à distância. E tu sabes que o reconheço. Marcas o pin e ligas os auriculares ao meu coração. Parece que o tum-tum acelerado te aquece a alma. Assim, como fazes tu ao meu espírito, ao anoitecer.

Diário da tua ausência #8

Sabes, vou contar-te um segredo muito baixinho. Chega cá para colocar os lábios à beira do teu ouvido. É contigo que sonho todas as noites. És tu que me visitas e proteges das almas más e dos monstros com capas negras. Vens de roxo com aquelas jeans que tanto gosto. E sussurras-me canções de embalar pela noite fora. Não dormes para eu dormir. Não descansas para eu descansar. E ligas a tua alma à minha. Tal como um cabo USB se liga ao computador. Ligamos e conectamos um com o outro. Eu sinto a tua presença e tu agarras-me a mão para a conexão não desaparecer. Fico com a tua impressão digital tatuada nos dedos e nem com uma lavagem ao acordar desaparece. E tu sabes porquê, não sabes? Sabes que tudo isto não se abrevia num sonho. Não é ao acordar que tudo isto desaparece. Nós somos reais e as imagens reflectidas nas estrelas são a prova disso. 

sábado, 26 de maio de 2012

Diário da tua ausência #7

Deixo-te imagens, para fugir à rotina. Não as procures que elas não estão fisicamente aqui. Desta vez, sou eu a dar as pistas e tu a decifra-las. 
Visualiza bem. É pequenina e é uma flor. Branca e amarela, a minha preferida. A que me vais oferecer sem sequer me perguntares qual a que ilustra melhor a minha alma. É selvagem e doce. Sabes qual? 
Passemos à frente. Esta aqui é do primeiro livro que me vais oferecer. Também tu me escreves e narras aquilo que te vagueia pela mente. Fácil, hum? 
A que seguras com tanto cuidado é a de dois indivíduos. Apaixonados, com a chama do amor a queimar os campos alheios. Estão sorridentes e empolgados. O entusiasmo é notário. As razões? São desconhecidas.
A ultima está escondida algures por aí. Com o tempo, dar-te-ei pistas da sua localização. Em relação às respostas anteriores, se virares a carta, encontra-as a sorrir para ti. 
Simples gestos, olhares petrificados. Afeiçoação de corações, palpites a comandar o cérebro. «Não posso amar quem não me ama a mim.». Sensação de desconfiança no ar. «Não percamos a fé.», pensam ambos.
És doentio. Pintas-me os cabelos de branco. És insuportável, indestrutível, intolerável. Chamas-te amor e consomes-me a alma. O que poderei dizer se nada mais sei sobre ti? Posso escrever mais frases até a tinta me falhar ou posso simplesmente ignorar o facto de estares presente na minha vida tal e qual como a necessidade de me alimentar. Sim, necessidade. Estranho admitir isto ao fim de tanto tempo dizer que podia perfeitamente viver sem ti, não é assim? Também minto, também não consigo crer nas minhas próprias façanhas. És rude e ríspido. Indisciplinar e emotivo. Mas és a única sensação que dá corda ao meu coração. Que o faz trabalhar e despertar, até mesmo quando não precisa. Não tens só lados maliciosos, também sei reconhecer. Quando estás longe do ódio, sei que consegues ser gentil e gracioso. Moldável e risonho. Ameno e confortável. 
É como disse no inicio, ou iria estar aqui a compor frases desvairadas até terminar a tinta da minha escura esferográfica ou iria acabar por ceder à falta de inspiração da minha parte. És inteligente, também. Sabes optar pela melhor hipótese. Sim, supuseste bem. É exactamente a primeira. 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Diário da tua ausência #6

Vem, agarra-me o cabelo. Conta-me histórias ao luar e oferece-me uma flor. Vem, vem a mim. Somente ao meu encontro e ao de mais ninguém. Abre-me as mãos e presenteia-me pózinhos mágicos. Da cor dos sorrisos e das nuvens. Vem, brinda-me com um sorriso e alegra-me com um olhar. Vem. Traz o cão, o gato e até mesmo o periquito. Traz a família, os amigos, os animais. Fica a vontade, mas vem. Dirige um carro, uma mota ou um avião. Vem, traz panquecas e frutos secos. Não te esqueças da manteiga magra e do fiambre de peru. Trás a tela e os pincéis. Vamos pintar o céu e as estrelas, e o mar e a areia. Vem. Não arranjes o cabelo e traz a camisola roxa que tanto gosto. Vem e traz café. Eu tenho o açúcar para adoçar a noite. Vem, traz a chave do carinho, do amor, da alegria. Vem e, mesmo que não queiras, pensa: o que poderá correr assim tão mal?
Prendam-me por ser sentimentalista.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Diário da tua ausência #5

Olha para mim, novamente. Como é bom perder o meu olhar no teu. Bem podia vir um vendaval que eu me iria sentir segura somente a olhar para ti. 
És enigmático. Tens códigos e ao longo do tempo, parece que os descodifico. Bem podias facilitar as coisas, admite. Eu corro atrás da resposta, prometo. Corro, salto e guardo-a só para mim, se assim quiseres. Mas partilha-a comigo. Não tenhas medo. Eu preservo-a. Conservo-a aqui, neste doce diário e ninguém irá julga-la ou avalia-la. Nem mesmo eu. Oiço-a, guardo-a, escondo-a no diário e guardo-a no coração. Confia em mim, gigante. Não te vou deixar mal mesmo que a resposta tenha os vocábulos que quero e pretendo desconhecer. 
É um risco amar.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Diário da tua ausência #4

Já é o quarto bilhete que te deixo por baixo da almofada. Estão ao de cima, não consegues senti-los? Que parvoíce a minha, também. Se não me mandas correspondência de volta é porque ou não a recebes ou não queres responder. Não significa nada no meio de tudo isto que ando a sentir. Escrevo-te porque gosto e necessito e, sinceramente, também porque quero uma resposta. Pode até nem ser verbal, se assim não quiseres. Responde-me com o olhar, assim como sempre fazes. 
Olha para a minha letra, meu gigante. Está toda aos circos, parece-se cada vez mais com a caligrafia da primária. Já viste o que me fazes? Já agora, a lua mandou-te um beijinho.
-«Apaga a luz»- sussurro. 

"Calma coração. Ele só sorriu."

terça-feira, 22 de maio de 2012

Diário da tua ausência #3

Estás a ouvir? É a canção do amor. Tem os acordes afinados, os agudos bem acentuados. Assim como o nosso amor, se assim o podemos chamar. Não, pensando melhor, amor não. Ainda não. Cumplicidade, relata melhor cada pormenor. 
É a musica que toca e acelera o coração sempre que por mim passas. Chamem-me sentimentalista que cada vez me importo menos. E, oh, sabes o que te digo para me despedir? Somente, um pequeno "verso". «And she will be loved.». 
Olha para as estrelas. Elas não estão a sorrir, pois não? Perderam o brilho, a intensidade. E, oh, tu tens de sorrir, porque se não, quem irá iluminar a noite? A lua está cansada, acho até que foi de férias. Mas e a tua alegria de viver, o entusiasmo emotivo? A alegria de viver? Onde anda? Eu sei que não foi de férias, só está meia adoentada. É do tempo, sabes? Não ajuda nada. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Diário da tua ausência #2

É bom poder imaginar-te. Comigo ou até mesmo somente ao meu lado. O pior é ter de abrir os olhos e perceber que nada daquilo é real. Nada daquilo pode ser palpável ou audível. E a vontade de te ter comigo? Não, não ficou no cimo das montanhas. Essa veio comigo, caminha sempre a meu lado. Pesa, pesa muito. E magoa o coração, porque já está crescida. É grande, muito vingativa. Cuida de mim, mas, quando te vê, perde o controlo total. E onde fico eu? Fico a consolar o coração, claro está. E este, por sua vez, é pequenino. Do tamanho de uma ervilha, confesso-te. Mas guarda todo o sentimento, todas as recordações. E o teu nome ronda-o sempre. Já nem pede permissão, sabe que não necessita. E já nem sei se é bom ou mau. Não te ter aqui acaba por me levar na maré. E o lado negro é não saber se esta me trará de volta.  

"A historia só acaba, quando o ultimo desiste."

domingo, 20 de maio de 2012

Diário da tua ausência #1

O meu coração está calmo. Demasiado até, para te ser sincera. Não sei se é por estar a falar sobre e para ti, mas, agora, também não importa. Nada importa quando narro para ti. Tens um olhar tão bonito. Um olhar que cativa, chama a atenção. Um olhar sincero, marcante.
Estou a imaginar-te aqui ao meu lado. Com esse teu cabelo todo despenteado, mas que sempre te fica bem. A contares-me uma história. Tanto faz qual, pode ser a da tua vida, até. Sei que és um livro aberto, por isso, nada me espanta se o fizeres. Agarrado à minha alma com a finalidade de a decifrar. Em poucos minutos saberias capta-la e interpreta-la, não tenho dúvidas. 
Vou deitar-me e vou chamar a lua para tentar desenhar-te no céu. Pode ser que assim me protejas até mesmo nos sonhos. 
«Apaga a luz.», dizer-te-ia se tivesses aqui. Boa noite, meu gigante.

Vou abrir os cortinados e sorrir para o mundo. Não está um dia bonito, longe disso, mas, oh, não importa. Eu quero sorrir com a boca, com o olhar. Faz bem à alma, sabem? Se sorrir muito, pode ser que consiga mostrar a vós que também devem sorrir. Para além disso, sorrir dá mais anos de vida. E eu quero chegar aos 100 anos e mostrar aos meus netos que também eles podem chegar à meta da vida. Quero mostrar-lhes que não precisam de tratamentos xis-pê-tê-ós para ficarem magníficos. Porque todos nós o somos, só não sabemos bem como e porquê. Vamos sorrir todos juntos? 

Para sempre. - dizia ela.

sábado, 19 de maio de 2012

Sem Medos- XXXV (final)

-Não disseste uma palavra desde que partimos do hospital, John. Que se passa?
-Tu sabes que és a melhor pessoa que entrou na minha vida, não sabes?
-Sei, claro, meu amor. Estamos a ir para onde?
-Espera que já vês, gorda.- pisca-me o olho.
-Ai é gorda, oh? 
-Ana. - pronuncia o nome num sussurro.
-Que se passa, John?- ajeito-me melhor no assento do carro para o encarar.
-Não consigo ... respirar.- começa a tossir.
-Oh meu Deus.- começo a desesperar.- Vou ligar para o hospital.
-Não há... rede.
-Tem de haver. Por favor, John, resiste. 
-Não tenho tempo suficiente. Aliás... não temos.
-Não! Não digas isso. Tu és novo, tens mais que muito tempo. Isto será certamente um susto.- as lágrimas inundam-me o rosto.- Tu não podes.. desaparecer.
-Ouve uma coisa: estarás sempre comigo.- tosse, novamente.- Nunca pronunciei isto em voz alta, mas eu.. amo-te. Sempre. Esteja onde..- pára de falar, sei que tinha acabado o tempo.
-(...) tiver.- completo-lhe a frase, entre lágrimas.- O mesmo se aplica a mim. Espero por ti e sei que vais fazer o mesmo. Prometo não deixar que tudo isto acabe. Somos eu e tu. Sempre.- sussurro-lhe ao ouvido.
Olho em meu redor. Abraço-o e desato a gritar. Nada daquilo era justo. Nada na minha vida tinha sido justo até então. 
-Não te vou esquecer.- prometo-lhe.



Estão a bater à porta. Levanta-te e vai ver quem está do lado de fora. A preguiça comanda o teu corpo e a visão enublada os teus olhos, não é assim? Não te queixes que isso acaba por passa. 
Estão a bater novamente e, agora, com mais força. Ergue a cabeça e abre os olhos com força. O sono não pode vencer desta vez. Abre a porta e esboça um sorriso. Um daqueles grandes e bonitos que tanta gente gosta e admira. Não me digas que não te lembras. É daqueles que transmitem felicidade e segurança. 
Pára de pensar, vai abrir a porta, rapariga. Até me canso só de olhar para ti. Estás tão enfraquecida como um caracol quando está ao sol. E não comeces a reclamar comigo: dá-te como sortuda por teres alguém que te abra os olhos quando estás nesse estado tão ... sei lá caracterizado. 
Já vi que não consegues sem uma ajudinha. Eu vou lá então.
"Bom dia, sou a Melancolia. Ouvi dizer que é aqui que vive a Preguiça. Que acham de me juntar a vós?"
"I wouldn't want to play a normal princess who always walks around in nice dresses. I never had a connection to it. When I was children, I preferred  playing with plastic soldiers."

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Goodnight, angels.

O som do piano era calmo. Uma melodia doce, suave, transparente. Transmitia a simplicidade, a pureza, a afeiçoação às teclas. Era como um dia resplandecente de Verão traduzido para piano, se assim o posso caracterizar. Era um tornado de emoções boas, emotivas, harmoniosas. 
Viera um vento forte e a confusão de folhas a vaguear no ar era notória, complexamente impossível de apreciar. Era a melodia maléfica, incapaz de transferir alegria para alguém. Era a incapacidade de mergulhar no oceano sem a ajuda do bater do coração. Era a morte, o perigo a abraçar a alma. 
A melodia nunca parara de ferir sensibilidades. Quem a ouvia ou eram sortudos ou infortunados. Claro está que existiam sempre aqueles que gostavam de ouvir uma boa melodia que tanto era fria e melancólica como gótica e assustadora. 
Apesar de tudo, a melodia acalmara, de novo. Tornara-se novamente calma, doce, suave, transparente. Desta vez, não tanto afinada, mas a harmonia continua presente. Transfere sentimento e o sofrimento é abafado por todos os sons agudos. É como digo, abafado. Nunca fora destruído completamente, isso é certo. Existe sempre o som mais grave. O som mais doloroso, mais infeliz, mais amargo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012


Eles vieram. Finalmente, encontraram-me. Estava dificil, sussurraram-me eles. Acho que tiveram uns tempos fora, mas não me contaram nada detalhadamente. Parece que lhes magoa falar nisso, sabem? E, oh, eles são tão preciosos que nem me importo. Ofereceram-me um livro, são almas carinhosas. Parece que é um diário, como este em que estou a escrever. Um diário antigo. Deles. São uns verdadeiros filósofos. Eles sabem amar de verdade. Amam como se não existisse um amanhã futuro, uma flor nova para oferecer. Mas, também afirmam que o amor não é para brincadeiras. Ele costuma assombrar-lhes a alma nos momentos mais assustadores. E eles não merecem. Garanto-vos que não. Deram-me também flores, estão aqui ao meu lado. Cheiram muitíssimo bem e estão aqui a esboçar um sorriso enorme. Vou sorrir-lhes, também. Elas merecem. E sabem? Finalmente, a minha alma acalmou e o meu coraçãozinho voltou. E isso está a deixar-me bem. Muito bem, mesmo.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

T: Eu entendo-a, sabe, Ana? É dificil conter as lágrimas quando nos perguntam se estamos bem, nos dias cinzentos.
A: É... Mas eu estou bem, a sério.
T: Está a mentir-me. E sabe? Não sou fã de mentiras. Só que desta vez, entendo o motivo. Estou aqui.

terça-feira, 15 de maio de 2012


Quero tanto que esta nuvem cinzenta desapareça do céu. Não fica bem. Não combina, realça muito, o que torna desgastante olhar para ela. Mas, vocês não entendem. Nunca entendem quando estão aos gritos. E isso magoa cada vez mais, o meu coração pequenino. Pequenino, mas que percebe e anota tudo. Para onde foram os vossos carinhos? Dêem-me a morada, somente preciso disso. Garanto que faço o resto. Nem que tenha que percorrer cidades, mas vou devolver-vos o amor. Agora vocês, que sempre ultrapassaram todas as barreiras, vão desistir? O amor que vos une sempre foi mais forte. Honestamente, pensei que todas estas terríveis discussões, tinham acabado naquele outro dia. E, agora, deparo-me com estas discussões, novamente? Desculpem, mas não sou de ferro. Desta vez, respondo mal e com razão. Eu gosto muito, muito de vocês, mas não tolero isto. E sabem porquê? Porque são ambos casmurros e não entendem que, no amor, é preciso, também ceder.
"Everyone has a destiny. You were mine."

segunda-feira, 14 de maio de 2012



Não sei o que se passa, anjinhos. Parece que estou entre corpos sem almas. Sem coração. 
Que saudades que eu tenho da minha humilde infância. Não tinha noção do errado, nem da mentira. Nem da mágoa e do rancor. Agora, parece que a dor é toda a dobrar. Também não tenho outro remédio senão desabafar com vós. Quanto mais me queixo, mais os outros me pisam
Isto vai de mal a pior, tenho dito. O navio afundou e parece que não há bóias para todos os passageiros. Cada um entra em desespero e parece ignorar tudo e todos em seu redor. Vocês afirmam que é o preço da vida, mas custa aguentar tudo isto. Vejo tantos destruírem-se por uma peça do puzzle da sobrevivência mal montado. Vejo tantos caírem no buraco do abismo e a não lutarem pela sobrevivência. E isto não é viver, é existir
Oh, por favor, venham ao meu encontro, até mesmo quando estiver no meu sono mais profundo. Eu deixo uma folha em cima da mesinha de cabeceira, pode ser? No local do costume. Vocês, apenas, precisam de me contar o segredo da vida. Eu prometo espalha-lo, somente, às almas boas. 
"How was it possible to divide the heart?” 

domingo, 13 de maio de 2012


Foi consumida pelo tempo. Não existem memórias nem recordações. Existe o silêncio, o aperto no coração. O escuro, a solidão. São poucas as vezes que o sol espreita. Seguidamente vem sempre uma tempestade. É uma realidade custosa, sussurra ela às estrelas. «A lua é traiçoeira, está em constante mudança. Se não aguento a minha propria transformação, não irei aguentar, certamente, a dela. Prefiro as estrelas. São sempre muitas, têm todas o mesmo coração.». 
Habituara-se a ignorar o choro e a não querer conhecer as pessoas. Quase todas lhe metem medo. Quem a assusta solenemente é o amor, diz-me ela todos os dias. «Pior que o ódio, só podia ser o amor.», afirma. É traiçoeiro. E até ele já lho disse. Viu cair-lhe a mascara, mas, pelo menos, não negou nada. «É traiçoeiro, mas mentiroso, ainda não o é.». 
Vai colher flores até as estrelas se porem, está aqui a dizer-me. Se tiver tempo, colhe uma para cada um vós. Tem uma alma doce, sabem? Só não tem coração. Parece que o levaram à muito tempo. 

sábado, 12 de maio de 2012


Meu amor, parabéns. 16, não é assim? Estás tão grande, meu Deus. É incrível como continuas linda aos olhos de todos. Mereces toda a felicidade do mundo e, se pudesse, garanto-te que te dava o universo. Estás a ver a minha mão? É como se fosses tu. Como tenho duas, uma fica de fora para te proteger de todo o mal existente no mundo. Ninguém te vai iludir, nem pisar. Para isso, tem de passar por cima de mim, como tu bem sabes. Não me vou prolongar muito mais, porque o que tenho para dizer, digo-te todos os dias. Estou a fazer fisgas para que a distância diminua, porque, oh, não dá com nada. Parabéns, minha gigante. Tudo de bom para ti. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012


O meu nome do meio pode ser, certamente, talvez. É o que me acentua na perfeição. Caracteriza-me, determina-me, qualifica-me. Talvez, até tenham metade da razão e eu a outra. Talvez. Não importa. Talvez, nunca ninguém tenha conhecido este meu lado. O da desconfiança, mas, ao mesmo tempo, da rendição. Nunca mais me vêm com as certezas dentro do coração, isso é certo. Oh, elas são tão vingativas, sabem? Enganaram-no. Pobre coração. Opto pelo "provavelmente", sem quais queres certezas. Talvez, a culpa seja inteiramente minha e eu não tenho dado conta. Talvez, seja curiosa demais. Talvez, até tenha tido sorte. Quem saberá? Desta vez, certamente, estarei fora do contexto. 
Talvez, precise de mudar esta forma estranha de viver. Não me contento com as possibilidades, quero sempre algo mais. O problema é mesmo esse. Talvez chegue um dia, em que não poderei optar pela incerteza. E, oh, quando esse dia chegar, bem poderei correr a sete pés. Será o dia mais dificil, mais árduo, mais custoso. Poderei até dizer  mais ... perigoso.

quinta-feira, 10 de maio de 2012


Rapariga tensa, nervosa, inquieta. Delicada, apaixonada pelo mundo, desiludida com a vida. Harmoniosa, melancólica, prestigiosa. Solitária, melhor amiga da solidão.
É um novo mundo, uma nova realidade. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, costuma-se dizer. Que realidade tão obscura. Até mete medo, creio eu. 
Ela segue o mundo, não tem receio de perder tudo. «A vida já é uma perda total», narra ela no seu caderno de capa dura. Pessimista. Duvida de tudo e receia todos. Afirma que nada nem ninguém a irá iludir novamente. Determinada. «Perdi-me uma vez, mas, no entanto, encontrei uma bússola. Agora anda sempre comigo. Não me vou perder». 
Escolhe a ironia para dizer certas coisas que ninguém tem capacidade e coragem para expor. Honesta.
Oh, desculpem. Que erro gravíssimo que acabei de cometer. Não apresentei a rapariga. Prazer - estendo a mão.- esta sou eu.
"Snoopy: Porque o amor dói tanto?
Woodstock: O amor não doi, tonto, o que dói é não ser amado."

quarta-feira, 9 de maio de 2012


Não me olhem nos olhos, por favor. Consigo mentir ou, pelo menos, desviar a conversa se não estiverem a olhar-me nos olhos. Consigo sorrir e conceder uma gargalhada a alguém. Mas não me olhem nos olhos, porque, se o fizerem, já não poderei estar no mundo do teatro mais tempo. Eu aprendi a omitir, mas a mentir, não. E os professores desta arte não gostam de falhas. Querem a perfeição e, oh, estou longe, a muitos km's de distância de o ser. Esforço-me e até consigo acreditar, por momentos, que é o suficiente. Mas depois, perco o olhar no dos outros e vai tudo por água a baixo. Existem, também, aqueles que olham, sentem pena, mas seguem em frente. E é isso que admiro. Não caminham na minha direcção apenas por sentirem  piedade. São verdadeiros, não se deixam intimidar e sentimentalizar por lágrimas derramadas. Chamam-lhes desumanos, eu somente penso que são os 10% verdadeiros do numero total de sobreviventes desta constante batalha, condecorada como subsistência. 
Não me olhem nos olhos, porque não irei saber como reagir. Os que o fazem nunca me deixam omitir. E custa. Bastante, mesmo. Custa ficar imóvel e alarmada. Custa não ter opção de fuga. 
Tanto fiz que agora tanto faz.

terça-feira, 8 de maio de 2012


Por momentos, voltei aos soluços e às lágrimas abafadas. Como me custa suportar tudo isto. Caiu me de novo o mundo aos pés e, oh, a melancolia abraçou-me de tal forma que formara um enorme nó na garganta. Ainda está por desenrolar, admito. Comecei a habituar-me a ele, assim como as pessoas se habituam a roer as unhas a um determinado tempo. Começa por ser estranho, mas acaba por se tornar habitual. 
Perco a paz dentro de mim e o escuro apodera-se de mim. Parece que sou bipolar, não tenho uma única semana rotineira. Irónico, tenho dito. Parece que os anjos se esqueceram de mim e o pior de tudo é ter caído na armadilha do obscuro. Andava a mirar vidas e acabei por me esquecer dos perigos que assombram a minha. E, oh, foi o suficiente para arruinar tudo. 
Bem, vou chamar os anjos e ter uma conversa séria com eles. «Estou aqui, já podem parar de brincar às escondidas.». Apareçam, por favor.

segunda-feira, 7 de maio de 2012


São dois corações à deriva no oceano. Mergulharam nas águas do amor e deixaram para trás todo o mal que diziam. Não se conhecem, não faria diferença. Sabem de cor o olhar mágico e os traços do rosto de cada um. O que mais importa?, questionam-se eles. Trocam olhares nítidos e palavras silenciosas. Disfarçam bem, ninguém apreendeu ainda o que se está a suceder. Nem eles próprios, para dizer a verdade. «É como desejar aquilo que não se pode ter.» ou então «É um misto de borboletas na barriga e um coração a saltitar.», pensam. Não pedem conselhos, agem por conta própria. «Amigos? Eles não iriam entender. Como é possível nutrir tamanho sentimento por alguém que desconhecemos?», sussurravam eles à lua. Amiga mais fiel que esta não existia. Brilhava sempre quando a alma estava escura e iluminava o caminho quando o espírito estava limpo.  
Perdidos em sorrisos narrados e a olhares comprometidos são dois corações à deriva no oceano. Não se sabe bem porquê, mas o sentimento fala mais alto e o coração também. Ouve-se um sussurro: «Segura-me o coração. Acalma-o.». Há um sinal de aprovação. É o amor a falar mais algo, magicam os dois. 
E irónico ou não, arrisco-me a dizer que preciso somente de um olhar teu para ter um dia calmo.

domingo, 6 de maio de 2012


Aperta a minha mão e não a soltes. Contorna os nós dos meus dedos e sê o narrador da minha alma. Tem defeitos, mas com força de vontade, tudo vai ao lugar. Quem quero enganar? Com certeza que a ti, não será. Estás a ler o primeiro capitulo, estou certa? Sei que sim, não respondas. Concentra-te. A primeira parte é sobre ele, o primeiro. Ao contrário do que os anjos me dizem, não foi ele que me marcou mais. Não me tatuou o coração, mas soletrou-me a melodia do amor, aos ouvidos, como um sussurro. É bonita, sabes? Lamento é que não seja sentida sempre que referida. Bem, onde estás agora? No capítulo da ternura? Chamo-lhe "free friendship" nem sei porquê. Faz sentido, agora que penso nisso. Confesso que chamo a demasiados indivíduos amigos e que muitos deles nem pessoas são para comigo. Irónico, tenho dito. E agora, onde estás tu? Já viste o jardim que criei no meio dos capítulos? É bonito, mas como agora está de noite, não dá para ver muito bem. É todo florido de rosas, as nossas flores preferidas. Lembro-me logo de ti, já viste? Bem, preciso de saber se já terminaste. Preciso de regressar, ainda tenho de ir contar tudo isto aos anjos. Eles têm me acompanhado, são almas boas. Oh, pensando melhor, fica com a minha alma um bocadinho. Não te demores, olha que preciso dela mais tarde. Espero por ti, não me desiludas.
"When people get hurt, the only thing we can do is we can be there for each other, when we do fall down to pick each other up." 
É o teu dia e mereces tudo de bom pela vida fora. Feliz dia, mamã. E, oh, obrigada por me trazeres ao mundo.

sábado, 5 de maio de 2012


Apaguem as luzes que eu preciso de encontrar uma luz que me faça ver os factos. Rápido. Não finjam que se preocupam, porque eu sempre venci por minha conta. Sem auxilio de ninguém. Despachem-se. Fecho os olhos e sigo o instinto. Examino tudo com o tacto e com a mente. Derrubava tudo e feria-me bastante, e, no entanto, aprendi a sobreviver. No escuro, na solidão, no obscuro. E sentia medo, muito mesmo. Aprendi a sobreviver, não a ser cautelosa. E, apesar de tudo, nunca fui devorada. Sou consumida. Oh, se sou. Todos os dias. Pelos pensamentos. Pelas lembranças. Pelo o outro lado da linha. Eu faço parte do lado misterioso, do enigmático. Não conheço nada para além do escuro. Nunca vi a luz, mas já sei que é fenomenal. É o que dizem os misericordiosos que por aqui passam.
Apaguem a luz, por favor. Eles vêm aí e vão começar a fazer perguntas. Eles não me deixam dar com vocês, dizem que são muito inconvenientes. Eles, os estranhos que vivem comigo no dia-a-dia. Não me conhecem, mas costumam avisar-me do quão perigosos vocês são. Vocês, os humanos. Eu não tenho medo, mas não posso simplesmente ignorar o que eles me dizem. Oh, já é tarde, perdi a noção do tempo. Gostei de narrar para vós. 
Olha-me nos olhos, lê-me a alma. Não tenhas medo.

sexta-feira, 4 de maio de 2012


O meu coração não é uma mola. Não é algo que pode ser quebrado, agarrado e alongado até ao fim. Ele não aguenta tanto. Em tempos, fora considerado um objecto infantil, mas partiu-se e, oh, o arranjo ainda saiu caro. Estou a paga-lo em prestações e tenho que admitir que não tem sido nada fácil. Ou demora demasiado ou é enganado pelo meio. Cuidam dele, mas seguidamente, desprezam-no. Chamam-lhe amor, eu chamo-lhe hipocrisia. Coisas distintas, mas tão idênticas, no pensamento dos outros, heim? Contudo, agora que já parecia superior a todos os que lhe querem mal, perdera-se. Não se despediu e, se bem o conheço, deve andar longe. Talvez, para os lados de Peniche, ou de Sintra. Ou, então, talvez tenha mudado de país e até mesmo de continente. Não importa. Por favor, se o encontrarem perdido na solidão a remexer pensamentos, entreguem-mo. Ficarei eternamente grata. Eu confio em vocês. E tenho a certeza que ele também. Mudou de localidade, mas continua com a mesma alma. Ele, sabem? O meu pequenino coração.

quinta-feira, 3 de maio de 2012


Cheira-me a rosas misturas com camomilas, se é que é possível. Cheira-me a chocolate e a baunilha e a cacau com leite. Cheira-me a bolachas da mãe e a chá da avó. Cheira-me a mentol misturado com morango e a tostas com manteiga. Cheira-me a cerejas e a melão. Cheira-me a doce de ovos misturado com amêndoas. Cheira-me a framboesas e a amoras. Cheira-me a café com natas e a flores com mel. Cheira-me a folhas antigas dos livros e a cartas recentemente enviadas. Cheira-me a croissant e a sumo de maça. Mas a cima de tudo, cheira-me a amizade. Cheira-me a sorrisos, a cumplicidade e a pureza. Cheira-me a infinito. E este é o único aroma que não desaparece, que nunca será consumido pelo tempo. 
Ele é o rapaz grande que sabe jogar basquetebol. E, ela é a rapariga pequena que tem medo do amor.

quarta-feira, 2 de maio de 2012


Sento-me e ajeito-me na cadeira. O meu corpo está dorido, não se desloca de imediato. Sou atropelada por um camião de perguntas e não consigo responder a nenhuma. O mundo voltou-me as costas, mas os sobreviventes tentam dar-me a mão. Tenho medo deles. A campainha toca e oiço-os. Querem entrar à força. Chamam pelo meu nome, mas, eu não quero ouvir ninguém. Baixo os braços e conto até 10. «Não desanimes, por favor.» pedem-me os anjos. Não quero nem posso desiludi-los, mas estou a tremer por todo o lado. O volume das vozes diminui e acaba por se tornar silencioso. Vou até à porta e fico à escuta. Agarro a maçaneta e sinto-a mover. Não fora eu, tenho a certeza. Abro a porta e encontro-o especado a olhar para mim. Reconheço-o rapidamente e ele dá-me a mão. Promete-me que não deixará, de novo, que o mundo me caia em cima. Os anjos avisam-me para ter cuidado, porque ninguém é merecedor de plena sinceridade. Eu oiço-os com atenção e sinto-me entre a espada e a parede. No entanto, abro-lhe a porta e convido-o a entrar. Sinal este que me deixa admirada: pela primeira vez, acredito em promessas. O mundo desilude-me e eu mudo. Ou estou mais tola, ou torno-me mais flexível. Acabo por optar pela primeira opção. Irónico, concluo.

terça-feira, 1 de maio de 2012


Já são 19 anos. Estás um homem, não é verdade? Parabéns. Parabéns pelo amor, carinho e amizade demonstrada. Pelas gargalhadas, ataques de cócegas e até mesmo pelas zangas. Sim, porque nunca foste um rapaz com um feitio fácil. No entanto, tens uma alma doce que eu reconheço. É a junção da da mãe e do pai com a da avó. Gosto muito de ti, não duvides nunca. Apesar de tudo, gosto muito. Gosto dessa tua maneira de tratares os  outros, da forma de como te fazes ouvir. Gosto que trates de mim mesmo quando eu não preciso de ajuda. Gosto que te preocupes, que me protejas. Mas, odeio que me chames quando estou deitada para te ir tapar. É, parece que também não tenho assim um feitio muito fácil. É de família, digo eu.
Bem, era só para te dizer que és o melhor irmão do mundo e que não te trocaria por nada deste mundo. Estarei sempre aqui. Parabéns, bro.